terça-feira, 25 de maio de 2010

A FORMA DA ÁGUA de ANDREA CAMILLERI (DIFEL)

“O instinto é o olfacto da mente” Delphine de Girardin



Mais uma excelente sugestão de dois bons amigos. Andrea Camilleri é um escritor italiano, criador de uma personagem íconica, o Inspector Montalbano. A cidade siciliana de Vigáta, criada à semelhança da cidade do autor, tem tudo aquilo que esperamos de um ambiente siciliano típico. O Inspector Montalbano é uma criação que mistura um pouco o célebre Maigret com Pepe Carballo, o mítico investigador criado por Manuel Vasquez Montalban. Sou, de sempre um aficionado de Pepe Carballo, desde o tempo em que num diário português se publicavam as suas aventuras por fasciculos. O Inspector Montalbano é uma personagem interessantíssima também, num registo policial urbano que tem mais de original do que è primeira vista este entrecruzar de referência litarárias pode fazer supor. Este livro em particular é um bom exemplo e uma excelente primeira entrada nessa atmosfera particular que é o crime na Sicilia. Há uma galeria de figuras muito bem retratadas e a maneira de ver e de viver siciliana é-nos oferecida por um escritor com grande sagacidade na análise dessa sociedade tão marcada por características e estereotipos que por vezes nos são desfeitos.”A Forma da Agua” é um relato de um crime especial, há uma morte de um politico influente, que levanta suspeitas a Montalbano, que contra as pressões das mais importantes figuras do meio politico e judicial, adia a conclusão do inquérito para poder chegar à verdade do sucedido. É um crime sem assassino, mas onde todos parecem, e são, de certa forma culpados. No final não há sentença nem prisões, mas, a culpa atinge todos e o castigo aparece, nem sempre da forma que seria de esperar. É o relato de uma morte e das suas circunstâncias, revelada detalhe após detalhe, atravez do instinto de Montalbano. É um policial bem estruturado, interessante e uma personagem a fixar na galáxia dos heróis do género. Lê-se bem, de forma rápida e prende a atenção do principio ao fim. Como se costuma dizer, fiquei cliente, e já tenho prometidos outros exemplares para continuar a entrada em mais este pequeno mundo. Recomendo com entusiasmo para as férias que se avizinham. Boas Leituras!

PARA A SEMANA: CEM ANOS DE SOLIDÃO de Gabriel García Márquez (D. Quixote)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

Continuam:

CADERNO AFEGÃO de Alexandra Lucas Coelho (Tinta da China)

ESCRÍTICA POP de Miguel Esteves Cardoso (Assírio & Alvim)

INÉDITOS de Antoine de Saint Exupéry (Casa das Letras)

CRÓNICA DO PÁSSARO DE CORDA de Haruki Murakami (Casa das Letras)

OS ANAGRAMAS DE VARSÓVIA de Richard Zimmler


Män som hatar kvinnor



Argumento adaptado de "Os Homens que Odeiam as Mulheres" de Stieg Larsson.
Excelente filme, um dos mais fiéis ao livro original que vi até hoje.
Com duas ou três diferenças em relação ao livro, mas perfeitamente aceitáveis no sentido de não tornar o filme mais lento.
Actores bem escolhidos, Lisbeth Salander em grande.

Thanks Castelar!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Em vésperas do Mundial de Futebol


A "Biblia" do Futebol em Portugal. Do meu "brother in arms" João Nuno Coelho.
Indispensável em qualquer boa estante!!!

domingo, 23 de maio de 2010

Já cá canta...com dedicatória do Grande Brito à Alexandra



"Eduardo Brito e Sandy Kilpatrick viajaram de automóvel de Finisterre a Finistére e daí até Land´s End, três lugares com o mesmo nome em Espanha, França e Inglaterra. Terras Últimas é o titulo deste livro-disco, que reúne as imagens de Eduardo Brito e a música de Sandy Kilpatrick."

sexta-feira, 21 de maio de 2010

UM DEUS PASSEANDO PELA BRISA DA TARDE de Mario de Carvalho (CAMINHO)

“Haja ou não deuses, deles somos servos” Fernando Pessoa

Tenho que começar esta crónica com duas revelações. A primeira, e que da qual se dá conta com relativa facilidade olhando para os livros que normalmente vou lendo, é que o grupo a que chamo de “autores portugueses vivos”, não é dos meus favoritos. É um preconceito descabido, bem sei, mas o facto é que me habituei de tal forma à literatura internacional, que fui descurando um pouco este sector. Assim, tem escapado ao meu interesse muitos e bons romances portugueses, estou certo disso. Acho que me redimo com o Eça, que de certa forma está também vivo e actual. A segunda revelação é a de que o livro proposto para esta semana, apesar de estar quase terminado, a verdade é que não o está de facto ao tempo em que escrevo estas linhas. Não me impede no entanto de o comentar o não lhe conhecer o final. Até porque deste darei nota em futura “Estante”. Mario de Carvalho é um nome fácilmente reconhecivel no panorama livresco portugues. Não fora o avisado conselho de um Amigo das “Terras do Vale do Sousa” e temo me teria passado ao lado. Ainda bem que não. Estou francamente a gostar muito desta estória. O contexto histório é a imaginada terra de Fortunata Ara Tulia Tarcisis, posse do Imperio Romano e onde Lucio Valerio Quincio é a personagem central. A escrita de Mario de Carvalho é uma escrita atenta, estilizada. Demora um pouco ao leitor a entrar no ritmo que o autor impõe com o seu estilo. É uma forma de escrever em que, com facilidade pensamos no autor a cinzelar cada frase de forma muito atenta. Isso faz com que o ritmo de ler se torne mais compassado, mas também mais atento. Depois de entrarmos no universo destas personagens e dos seus problemas, a administraçao da justiça, a ordem e/ou desordem do Império, a sua vida quotidiana, a descrição em pormenor de usos e costumes, ganhamos claramente um livro que vale a pena ler. O tema da Roma Antiga e do seu Império, como sabe quem acompanha estas minhas apreciações sobre o que vou lendo, é um tema do qual gosto particularmente, já tendo aqui aconselhado a Colecçao Roma Sub Rosa de Steven Saylor. Regressando ao, para mim novo, escritor Mario de Carvalho, posso, para fechar dizer que se me apresentou muito bem e que tenciono ler outras coisas suas. Podendo, façam o mesmo. É autor, é português, está vivo, e neste caso, recomenda-se. Boas Leituras!

PARA A SEMANA: A FORMA DA AGUA de ANDREA CAMILLERI (DIFEL)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

Entram: CADERNO AFEGÃO de Alexandra Lucas Coelho (Tinta da China) e ESCRÍTICA POP de Miguel Esteves Cardoso (Assírio & Alvim)

Continuam:

INÉDITOS de Antoine de Saint Exupéry (Casa das Letras)

CRÓNICA DO PÁSSARO DE CORDA de Haruki Murakami (Casa das Letras)

OS ANAGRAMAS DE VARSÓVIA de Richard Zimmler

quinta-feira, 20 de maio de 2010

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Sugestões de Leitura de um Vimaranense "emigrado" nas "Terras do Sousa"

Sugestões de leitura enviadas pelo meu Amigo Miguel Bastos, que aliás me aconselhou o livro que vai para a "Estante" desta semana:


- Hérnan Rivera Letelier : “A Rainha Isabel Cantava Rancheiras, Quetzal – história de anarquistas passada no deserto de Atacacama.

- José Eduardo Agualusa – “Um Estranho em Goa” (ou outros..)

- Raul Brandão, “Os Pescadores” e “As Ilhas Desconhecidas

- António Manuel Couto Viana: “Que é que eu tenho Maria Arnalda?” e “Os Despautérios do Padre Libório” – editora OPERA OMNIA (S. João de Ponte – Guimarães!) – são contos pícaros passados pricincipalmente na década de 50 em Viana do Castelo (nunca nomeada no livro) e que são o retrato exacto da sociedade Vimaranense de então… FANTÁSTICOS!

- Lúcio Arneu Séneca, “CARTAS A LUCÍLIO”, F C Gulbenkian – um filósofo estóico (também dado ao epicurismo…), senador condenado ao suicídio - epístolas que permitem ler uma pílula de filosofia por dia – ABSOLUTAMENTE A NÃO PERDER!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Entradas Novas!!!!!







Livros oferecidos pelos Grandes - Nuno Olaio e Miguel Carvalho durante o "Varapau Minhoto".
Especial atenção ao policial de Andrea Camilleri, amplamente recomendado pelo Nuno Olaio e pelo João Nuno.
Uma entrada para a minha "Estante Vimaranense com" o Catalogo da Exposição que celebrou os 900º Aniversário de D. Afonso Henriques.
Darei noticias em breve.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Invictus

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate
I am the captain of my soul.

William Ernest Henley (1849–1903)

SUBMUNDO de Don DeLillo (Sextante Editora)

“A fama é como um rio que mantém à superficie as coisas leves e infladas, e arrasta para o fundo as coisas pesadas e sólidas” Francis Bacon

Don DeLillo não me era nem vagamente familiar. É o primeiro livro que leio dele e não por recomendação, mas por oferta. O acaso por vezes faz-nos chegar coisas boas. É o caso. É um romance bem estruturado. Uma obra que vale a pena ler. Tem um começo um pouco lento, de digestão lenta, mas evolui bem e dá-nos um retrato de uma certa América.Traça um perfil da sociedade americana do pós-guerra até ao final da Guerra Fria. Começa com um facto desportivo histórico ocorrido em 3 de Outubro de 1951, a vitória dos Giants sobre os Dodgers de Nova Iorque em basebol, que, coincide com a noticia da explosão da segunda bomba atómica por parte da União Soviética. Uma bola que vai para a bancada depois do “home run” final, é recolhida e vai sendo um elemento transversal à estória, acompanhamos o percurso de pessoas atravez do percurso do objecto. É um artificio literário que resulta bem. Os protagonistas são Klara Sax e Nick Shay, ela uma artista e ele um especialista em detritos atómicos. Pelo caminho cruzamo-nos com uma fauna muito rica de personagens-limite. Algumas facilmente identificáveis com o “american way of life”, outras claramente emblemáticas de grupos ou estratos sociais tipicos. Este romance, que alguma critíca tenta alcandorar a um estatuto de “great american novel” é bom. Mesmo. Mas não exageremos, não vai passar ao Olimpo da literatura.Pelo menos ao meu. É um autor a seguir de perto, e procurarei estar atento para confirmar noutras das suas obras, a qualidade que mostra aqui. Por ultimo, é de atentar na progressiva importância de que se reveste a fama dos individuos no seu peso social e um certo ambiente de decadência moral que está associado a esse processo, que, nos nossos dias se tornou um fim em si mesmo. Resumindo: Bom Livro. Comprem! Boas Leituras!

PARA A SEMANA:

NA MESINHA DE CABECEIRA: UM DEUS PASSEANDO PELA BRISA DA TARDE de Mario de Carvalho (CAMINHO)

Continuam:

INÉDITOS de Antoine de Saint Exupéry (Casa das Letras)

BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA de Pablo de Jevenois (Esquilo)

O MONTE DOS VENDAVAIS de Emily Bronte

CRÓNICA DO PÁSSARO DE CORDA de Haruki Murakami (Casa das Letras)

OS ANAGRAMAS DE VARSÓVIA de Richard Zimmler

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A ARTE DA ALEGRIA de Goliarda Sapienza (D. Quixote)

“Nunca se pode concordar em rastejar, quando se sente ímpeto de voar” Helen Keller


Este é definitivamente um livro invulgar. É um livro acerca do qual se poderiam escrever vários livros. É uma obra que levou dez anos a ser escrita, e tem muito da vivência da autora, ela própria uma personagem digna de nota.É um livro cheio, que retrata uma certa vida, na primeira metade do século passado na Sicilia. A primeira e óbvia ideia que nos surge é uma comparação com “O Leopardo” de Giuseppe Tomaso di Lampedusa. A estória de Modesta, a personagem principal desta “A Arte da Alegria” é também uma estória de ascenção social. Aqui distingue-se do retrato da aristocracia e seu declinio em “O Leopardo”. E há de facto pontos em comum entre as duas obras, mas na essência são distintas. Vale a pena ler. Goliarda Sapienza, faz fluir atravez de um elenco riquíssimo de personagens todas as suas opiniões sobre os factos da vida. Há muito neste livro, muito mais do que a mera “Alegria” que lhe dá titulo. É sobretudo uma ode à liberdade, à liberdade de poder ser, de poder dizer. Tem passagens de uma qualidade litarária incontestável e chega-se ao final com a ideia de uma mensagem que a autora tenta, e neste caso consegue, passar. É de tal forma, que depois de ler o livro fiquei com a necessidade de saber mais sobre a sua autora, o que me fez ter a certeza de que, nesta obra de grande folêgo está tudo aquilo que enformou a sua (da autora) vida, e que nos deixa em legado um bom numero de abordagens sobre as coisas e a vida, sobretudo no aspecto da moral, ou em alguns casos da ausência desta. A narrativa, nem sempre é uniforme, nem sempre é totalmente coerente (o que aliás se nota, em vários momentos, pela contradição entre narração nas primeira ou terceiras pessoas, pelas mudanças bruscas de perspectiva) mas percebe-se que isso se deve ao facto de ter sido escrita em diferentes fases da vida da autora. É um livro primordial. Um Clássico. Boas Leituras!

PARA A SEMANA: SUBMUNDO de Don DeLillo (Sextante Editora)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

Continuam:

INÉDITOS de Antoine de Saint Exupéry (Casa das Letras)

BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA de Pablo de Jevenois (Esquilo)

O MONTE DOS VENDAVAIS de Emily Bronte

CRÓNICA DO PÁSSARO DE CORDA de Haruki Murakami (Casa das Letras)

OS ANAGRAMAS DE VARSÓVIA de Richard Zimmler