quinta-feira, 28 de abril de 2011

Já cá canta...



Depois da LeV/Matosinhos fiquei com muita curiosidade, e ao que tenho ouvido vale a pena.
Hoje chegou!

terça-feira, 26 de abril de 2011

O ADEUS ÀS ARMAS de Ernest Hemingway

“Para se pôr fim a uma guerra, como a um amor, é preciso ver-se de perto” Napoleão Bonaparte

A minha primeira leitura de Hemingway, não resultou numa experiência particularmente gratificante. Penso que tera sido aí, há largos anos, que pela primeira vez pensei que nem tudo que os bons escrevem esta ao mesmo nível. Ora eu, comecei por uma obra que não é especialmente aliciante, pelo menos para iníciar a obra deste magistral escritor. Falo de “As Verdes Colinas de Africa”, que é um relato de uma das expedições de caça no Quénia que Hemingway empreendeu. Haverá quem defenda, que é neste registo de quase diário que se revela o melhor do autor. Poderá ser. Mas não é um livro que aconselhe para quem queira ficar apaixonado pela obra de Hemingway. Ernest Hemingway, é ele próprio uma personagem “maior que a vida”, a sua própria história de vida pessoal é aventurosa e transcendente face ao quotidiano dos demais. O que, se pensarmos bem, também se passa com outros grandes escritores, cujas próprias vidas por vezes passam a fronteira daquele que é o real que vivemos. Mais não seja, por exemplo Cervantes de quem falamos na sugestão anterior. Este livro que se sugere esta semana, é no entanto uma obra que revela toda a superioridade da escrita de Hemingway. O seu registo despojado, crú, entre a literatura, a crónica de viagem e o jornalismo de guerra que se sente neste fabuloso “O Adeus às Armas”. Baseado na experiência vivida pelo próprio Hemingway enquanto condutor de ambulâncias da Cruz Vermelha na Primeira Guerra Mundial e o romance que manteve com Agnes von Kurowski, enfermeira. Aqui, Frederic Henry e Catherine Barkley são os alter ego do real. É um romance de uma intensidade fora do comum. Creio cada vez mais que só os grandes escritores conseguem tornar o banal extraordinário e também reduzir o extraordinário à banalidade. Este é um livro que jamais se esquece, é uma viagem a um tempo de guerra e de amor, de esperança e desespero. E tem um final que nunca mais acaba em nós. Um portentoso retrato da vida e da morte. E uma história de amor em tempo de guerra que, podendo sê-lo, é tudo menos banal. Um livro de sempre. Imprescíndivel!Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

A Casa Verde de Mario Vargas Llosa (Dom Quixote)


quarta-feira, 20 de abril de 2011

LeV Matosinhos - Ontem


Excelente sessão ontem. Na companhia do meu grande Amigo Fernando Lopes, fomos finalmente ter o prazer de ver, ouvir e cumprimentar o grande J. Rentes de Carvalho.
Que me perdoem os restantes três, Reif Larssen (confesso que gostei muito da apresentação que fez e fiquei muito curioso sobre a obra), Mario Delgado Aparain e valter hugo mãe, mas se não estivesse lá o grande Rentes não me dava ao esforço.

Valeu a pena e já tenho os meus livrinhos devidamente autografados pelo J. Rentes de Carvalho.

Belíssima iniciativa da C.M de Matosinhos, à qual estarei mais atento em próximas edições.
Boas Leituras!!!

NOVELAS EXEMPLARES de Cervantes

“Que o papel fale e a língua se cale” Miguel Cervantes y Saavedra

De regresso a livros de outros tempos, a sugestão desta semana é a da leitura das “Novelas Exemplares” de Cervantes. É um exercicio de regresso à escrita daquele que é considerado um dos “pais” do romance moderno. Originalmente publicado em 1613, apetece adaptar a célebre frase de Napoleão Bonaparte relativamente às pirâmides de Gizé e dizer: do alto destas páginas quatro séculos vos contemplam. E é de muito alto que a escrita de Cervantes nos contempla. A caracterização do género humano, seus defeitos e feitios, suas manhas e desvios e suas virtudes e feitos é de uma actualidade que fere. Mais uma vez, esta é uma sugestão que se impõe às centenas de novos titulos que vão desaguando no mercado numa vertigem de publicar que livreiros e editores paracem partilhar nos tempos que correm. O comércio e a literatura andam por vezes demasiado ligados, nem sempre com bons resultados para os destinatários. Fazem o favor algumas editoras, de, numa base quase diária, me ir informando do que publicam. É humanamente impossivel acompanhar, pelo que, me vou quedando pelo que me parece mais conveniente e isento de risco, nesta minha aventura particular de me atrever a sugerir leituras. Voltando à obra, que é composta de vários contos (ou Novelas) tenho a dizer que são de facto exemplares. O primeiro “O Casamento Ardiloso” que desemboca num surreal diálogo entre dois cães que se encontram miraculosamente providos do dom da fala, e onde, entre Cipión e Berganza, os dois protagonistas, vamos viajar pelas mais variadas formas de abordar a natureza dos homens, vista com um escrutinio muito particular por ambos os animais. Se mais não fosse este intemporal diálogo por si, justificaria a leitura. Mas há mais, e tão bom ou melhor. E surpreende o registo, que é muito bem humorado e de uma perspicácia invulgar, que Cervantes imprime em tudo o que escreve. De notar que a forma depurada e simples da narrativa, um certo despojamento de artificios e sobretudo o que já se sente na opinião de Cervantes, um distanciamento relativamente a um certo tipo de autores que se impõe não pela qualidade intrínseca do que escrevem, mas pela forma rebuscada e artificiosa como se tornam quase ininteligíveis fora dos circulos académicos. A este respeito é de ver o que Cervantes diz sobre os que usam e abusam do latim nas suas obras, não cuidando nem de o entender nem, de que os leitores o entendam. Para terminar e como nota de espanto, há que dizer que Cervantes cuja própria vida foi bastante romanesca, começa a escrever sómente após os sessenta anos. Isto que pode encerrar em si uma ideia de que nunca é tarde para se começar seja o que for, diz-me a mim, que devemos ter perdido muitas e boas obras se a esse ofício mais cedo este enorme escritor de sempre se tem dedicado. Fecho a dirigir-me para a estante de onde vou retirar o “D. Quixote” que, “mea culpa”, ainda não li.Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

A Casa Verde de Mario Vargas Llosa (Dom Quixote)

O Adeus às Armas de E. Hemingway (Livros do Brasil)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

LA COCA de J. Rentes de Carvalho (Quetzal)

“A Verdade não é, de modo algum, aquilo que se demonstra, mas aquilo que se simplifica” ANTOINE DE SAINT EXUPÉRY

Este “La Coca”, é o último livro de J.Rentes de Carvalho. Para quem ainda tivesse alguma dúvida de que este autor se tornou para mim (e para mais alguns amigos, estou certo) uma referência na escrita, que se desengane, esta ultima publicação é mais uma confirmação do talento ímpar deste nosso compatriota, a quem só os holandeses tiveram acesso durante o que, tenho a certeza, foi tempo demais. O lançamento oficial do livro ocorreu esta semana em Lisboa, mas, de facto, a obra já se encontrava à venda. Eu, comprei aqui em Guimarães, na Fnac, onde estava exposto, se não com destaque, pelo menos no topo de uma das prateleiras, o que me agradou bastante. É mais um livro deslumbrante na forma como J. Rentes de Carvalho aborda uma viagem de carácter autobiográfico aos anos em que se fez homem. É uma obra especial, como especial é tudo o que lemos deste autor. Tem várias caracteristicas absolutamente raras e dificeis de encontrar fora de um numero muito restrito de grandes escritores. Em poucos traços J. Rentes de Carvalho chega à verdadeira essência das personagens e das situações, deixa-nos perceber como são as pessoas sobre as quais escreve, e transmite-nos as sensações, os ambientes e as próprias emoções de uma forma que se aproxima espantosamente da realidade. Se mais não houvesse, há dois factores determinantes, que distinguem o que é excelente do que é bom ou assim-assim. A “fome” que os livros nos transmitem enquanto os estamos a ler. Esta “fome” ou “febre” de ler mais, de avançar na história é algo que não se encontra todos os dias nem em toda a literatura. Este (e os outros livros deste autor) despertam esse desejo de ler, acordam a compulsão de querer saber mais da história e da forma como é contada. Para resumir, este “La Coca”, foi comprado num dia e terminado no dia seguinte, apenas porque, os afazeres profissionais e domésticos se intrometeram entre mim e o prazer desta leitura. Outro dos factores que distinguem, e na minha opinião, o que verdadeiramente caracteriza a grandeza das obras, é a sensação de tristeza quando, nesta edição da Quetzal, pela página 187, reparamos que não temos mais para ler. Acreditem, é um registo de escrita, tão sincero, com um tão grande compromisso com a verdade (ainda que esta possa ser apenas literária), e com um ritmo tão a compasso com a vida, que se torna dificil aceitar que a história fica por ali. Do livro, como de costume, não adianto muito, as histórias são para ser contadas pelos autores, não por quem os sugere. Mas tem um fio condutor,o contrabando, a vida na fronteira do Rio Minho, as suas gentes e vida, que se deixam mostrar aqui numa escrita séria, serena, verdadeira, e por isso mesmo incomparável. Tenho para mim, que todos perdemos muito, por não conhecermos J. Rentes de Carvalho há muito mais tempo, mas suponho que iremos a tempo de descobrir e reparar essa injustiça que enquanto compatriotas solidariamente lhe fizemos ao longo deste anos. Para isso, nada melhor que ler e recomendar. Pela minha parte, é com raro prazer e satisfação que aqui o tenho feito. Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

A Casa Verde de Mario Vargas Llosa (Dom Quixote)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Quem puder não perca!!!


Infelizmente, não poderei estar presente.
Compensarei com um encontro para breve.
Mas já li, e é a sugestão desta semana na "Estante Acidental".


terça-feira, 5 de abril de 2011

O MUSEU BRITÂNICO AINDA VEM ABAIXO de David Lodge (Edições Asa)

“Os preconceitos têm maIs raízes que os princípios” NICOLAU MAQUIAVEL

Prosseguindo na minha auto imposta tarefa de sugerir leituras, acto que pode parecer impertinente, mas é sobretudo sincero, e, por me ter cruzado na Fnac com um bom amigo, daqueles que só vemos infelizmente muito de vez em quando. Lembrei-me que este autor também não lhe é estranho. E desse amigo antigo, com quem partilhei muitas e boas leituras em anos melhores (porque mais jovens, tão sómente) longe de Guimarães, retirei para sempre algumas sugestões de autores que me acompanham até hoje. Ainda assim, como se verá na proposta que se segue, poderá ser considerada a minha insistência em determinados autores, para quem discorde das minhas escolhas, uma perda de tempo. Ora para mim, que sou relativamente teimoso quanto a defender aquilo em que julgo acreditar, reafirmo que há quem escreve bem e tenha algo para nos contar. Há ainda os que escrevem bem, e não tem nada para nos contar, e, pasme-se, há cada vez mais quem não escreva nem bem nem mal e não tenha mesmo nada para nos contar. As livrarias estão a transbordar de exemplos. Poderá ser uma opinião de algum radicalismo, mas, eu acho que ao que antigamente se chamava o “romance que está na gaveta”, as editoras fizeram um trabalho de perseguição a tudo o que possa “cheirar” vagamente a novidade. Ainda que nem sempre o “cheiro” se confirme como o melhor, depois das respectivas leituras. Adiante. Eu que nesta como noutras matérias prefiro um conservadorismo saudável a um certo progressismo bacoco que campeia por aí, vou entremeando boas surpresas que tenho tido (sim, que também as há) com sugestões de relativo pouco risco quanto ao conteúdo. David Lodge, será, (exercício de quantificação que ainda não fiz) um dos mais sugeridos autores nesta coluna. E é-o porque, do conjunto do que tem publicado em Portugal e de tudo o que tenho lido sempre mostrou uma consistência e uma qualidada literária muito, muito acima da média. Encaixa de facto nos que escrevem muito bem e tem muitas coisas para nos contar, mostrar e até ensinar. A isto, e não posso deixar de lado esta caracteristica que é uma das que mais valorizo na escrita, tem uma visão que revela um humor particular e muito do meu agrado. Este livro que se sugere esta semana não é novo, é de 1965 e é apenas o terceiro romance de David Lodge, mas retrata com particular boa disposição a vivência de uma familia católica (dentro de um universo maioritáriamente anglicano) e a sua luta por compaginar o dogma com a realidade. Para resumir uma excelente história, Adam Appleby é o católico, praticante, já com três filhos, e , para cumprir com as boas práticas católicas, aplica o método das temperaturas como medida anticoncepcional. Ora parece que Deus lhe envia, ainda a caminho, um quarto filho. É da incongruência entre o viver e o obedecer aos ditâmes da Igreja que se contrói uma deliciosa história de costumes. Mais um excelente livro a não perder. Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

A Casa Verde de Mario Vargas Llosa (Dom Quixote)

Estou sem palavras...


Comprado ontem, terminado hoje.
Terminado é como quem diz, isto fica e fica e fica...