quinta-feira, 30 de junho de 2011

Lançado hoje em Guimarães!


Primeiro livro ( e grande surpresa) de um querido Amigo e companheiro de outros palcos (literalmente)! Dele se falará seguramente, e também aqui.

terça-feira, 21 de junho de 2011

O SOL NASCE SEMPRE (FIESTA) de Ernest Hemingway

“A vida é uma criança que é preciso embalar até que adormeça” VOLTAIRE

Antes de entrar na sugestão deste magnifico livro, deixem-me falar de uma ou duas coisas que esta obra sempre me suscitou. Não sei se há, ou se é possivel identificar um tipo de escrita ou literatura por género. É uma discussão que já tive mais do que uma vez, se há livros que só poderiam ter sido escritos por um homem e outros que só poderiam ter sido escritos por uma mulher. A minha singela opinião é a de que nos grandes livros não cabe essa distinção, e provavelmente não fará qualquer sentido procurá-la. Digo isto porque, paradoxalmente ao que antes afirmo, este é um daqueles livros que me parece precisamente que não existiria pela pena de uma mulher. Aviso desde já, que não tenho qualquer preconceito de género, é apenas pelas temáticas e pela forma de escrever e Hemingway que se me suscita esta impressão. Não sei se alguém a partilha, mas o que é facto é que ela se me impõe sempre que falo deste autor. Talvez a muita caça, pesca, guerra, festa brava e alcóol me empurre para essa conclusão, o que em teoria não sendo rigoroso que uma escritora o não possa juntar, nestas proporções, e com este lado tão “cliché” nesta mistura, me parece menos provável. Outro assunto, este completamente diverso e mais mundano é o dos chamados “livros de férias”. Começa por volta desta altura, coincidente com o amenizar do tempo, a ver-se em diversos locais públicos, praças, jardins, praias e esplanadas, muito e boa gente a trazer à luz do dia, e às respectivas mesas de café os livros que se supõe ser boa prática ler nas alturas de ócio. A minha (ou as minhas opiniões) a respeito desta temática, não cabem neste espaço que “o Povo” generosamente me oferece, mas posso pelo menos deixar algumas curtas ideias: No que me diz respeito, não há “livros de férias” fora daqueles inquéritos idiotas em que se pergunta a veraneantes mais ou menos desconhecidos o que estão a ler no momento (o que em si constitui por vezes momento de grande diversão pelas respostas). O gosto e o prazer de ler, não dão trabalho, logo por conceito, sem trabalho não se lhe pode contrapor as férias. De qualquer forma sou adepto de que se passeiem livros por todo o lado, é talvez a melhor propaganda à leitura que se pode fazer. Vê-los e lê-los, no espirito de “quem não é visto não é lembrado”. A este assunto regressarei de certeza porque a época a isso obriga. Bem, com tudo isto a pesar na paciência dos meus eventuais leitores, resta-me voltar ao que me aqui importa, “O Sol Nasce Sempre” de Hemingway. Como muitas vezes acontece, é daquelas coisas da vida de que mais gostamos de que temos mais dificuldade em encontrar forma e adjectivação sucifiente para ilustrar. Este livro é seguramente um dos que integraria um eventual Top dos meus livros favoritos. Tem tudo o que um enorme escritor consegue semear numa obra. Autenticidade sobretudo. A história, que, e aqui também releva a experiência de vida de quem escreve, é a de um jornalista americano ferido na guerra em Paris. Encontra-se nesta obra um certo conceito de tédio emocional e solidão das grandes metrópoles, que faz com que se parta à descoberta de outras paragens, mais rústicas, mais simples e mais tradicionais. Não, não é um livro a glorificar a tourada, só que não leu o pode afirmar. É um dos raros livros que conheço que celebra a vida por contraponto ao seu extremo e onde se faz de uma certa coragem física e anímica um tónico contra a morte. Muito melhor que falar sobre este “Fiesta” é vivê-lo e sentir que há obras e autores imortais!Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

A Conspiração Contra a América de Philip Roth (Dom Quixote)

A Casa Verde de Mario Vargas Llosa (Dom Quixote)

Suite Francesa de Irene Nemirovsky (Dom Quixote)

terça-feira, 14 de junho de 2011

O PÊNDULO DE FOUCAULT de Umberto Eco (Difel)

“Quando os homens não acreditam mais em Deus, isso não se deve ao facto de eles não acreditarem em mais nada, e sim ao facto de eles acreditarem em tudo” G.K. CHESTERTON

De volta a um dos meus autores de culto, Umberto Eco e uma obra que marcou um sentido e uma tendência na temática que se mantém até hoje como um filão comercialmente bastante rentável. Há, hoje em dia uma infindável galeria de autores, mais ou menos conhecidos, que se dedicam a entrecruzar referencias do ocultismo, do esoterismo, do hermetismo, a misturar-lhe excertos de textos sagrados, a revelar ou inventar todo o tipo de seitas e respectivas crendices, com propósitos de salvaguardar ou descobrir terriveis segredos de cuja revelação ou ocultação depende o futuro da Humanidade. No final dos anos oitenta, 1988, mais precisamente, Umberto Eco, resolve por entender anormal todo o panorama que rodeava estes supostos “conhecimentos iluminados”, criar um romance fabuloso, que mais não é do que um enorme romance anti-conspiratório. O enredo, que passa pela invenção por parte dos protagonistas da história, de um suposto “Plano”, que envolve raízes históricas que remontam à mais que famosa extinção da Ordem dos Templários no inicio do Séc. XIV, por ordem do Papa Clemente, facto que até hoje dá roda livre a todos aqueles que acreditam e defendem que a citada Ordem não se extinguiu, contribuindo para as mais diversas teorias conspirativas. Da mão de mestre de Eco, sai uma história em que o elemento mágico se mistura com o real a um ponto tal que diversas seitas e ritos mais ou menos iniciáticos, acreditando que o “Plano” é verdadeiro e não mero fruto da criatividade dos protagonistas do enredo, se tornam num perigo real para os três redatores editoriais italianos que inventam esta teoria da conspiração. É muito fácil tomar este livro pela capa e lê-lo com o prazer que o autor nos dá com a sua profunda erudição e brilhante montagem de cenários e personagens, mas é o próprio Eco que nos dá a medida do que pretende quando, já em anos mais recentes, e a propósito do sucesso editorial de “O Codigo Da Vinci”, se bem que com relativa pouca modéstia diz ter “inventado” Dan Brown. Não o costumo fazer mas cito aqui, (para melhor ilustrar) Umberto Eco: “Eu inventei Dan Brown. Ele é um dos personagens grotescos do meu romance que levam a sério um monte de material estúpido sobre ocultismo...... Eu quis fazer uma representação grotesca daquilo que eu via em volta de mim, de uma tendência da qual eu previa o crescimento. Era fácil fazer uma profecia como esta.” Temos assim, que, para lá da própria obra há uma manifesta intenção de desmitificar, de relativizar, e até quiçá, ridicularizar esses universos, hoje tão em voga. De todas as maneiras, e porque não costumo fazer estas meta interpretações literárias, apelo a uma leitura do livro sem ter em conta tudo que acima disse, assim ao jeito de “bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz”. É que funciona na perfeição como paradigma do romance conspiratório que tenta combater. É paradoxal mas é verdade. E já vai longa esta sugestão, que pretendia tão sómente algo de bem mais prosaico, dizer que assim como Tolkien inventou milhares de autores de mitologias que se seguiram à da “Terra Média”, também Umberto Eco foi claramente percursor e desbravador de um território que é hoje chão que dá uvas a muita gente. Um livro obrigatório. Ou deveria sê-lo, digo eu! Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

A Conspiração Contra a América de Philip Roth (Dom Quixote)

A Casa Verde de Mario Vargas Llosa (Dom Quixote)

Suite Francesa de Irene Nemirovsky (Dom Quixote)


terça-feira, 7 de junho de 2011

O ASSÉDIO de Arturo Perez Reverte (Asa)

“Homem livre, tu sempre gostarás do mar” CHARLES BAUDELAIRE

Já há meses, quase há um ano, que tinha visto este livro, no espanhol original à venda em Espanha. Por algumas razões que aqui não cabem, não gosto de ler em espanhol, o que me obrigou a estes longos e penosos meses a aguardar a respectiva tradução lusa. Fiz como faço com quase todos os novos livros dos meus autores preferidos, o sacrificio de me manter na ignorância do tema da obra. E que espectacular surpresa me foi reservada. Por razões que nada tem que ver com a literatura e menos com o meu amor pelos livros, a Baía de Cádiz, e a zona de Jerez, é um sitio que visito com a frequência que me é possivel. Daí que tenha tido para além das magnificas descrições que Arturo Perez-Reverte faz, a possibilidade de fazer passar diante dos meus olhos o cenário real deste “Assédio”. É um romance histórico de um brilho excepcional, versa do cerco dos exercitos napoleónicos a Cádiz, que, inexpugnável por via terrestre, é bombardeada a partir do outro lado da baía. Há muitas estórias que se entrecruzam com um pano de fundo que nos conta, num detalhe e rigor impressionante a vida de sitiados e sitiadores. Tem o elemento policial presente na investigação de crimes perpetrados sobre jovens mulheres por um assassino em série, que pontua esta obra que nos pinta um fresco absolutamente maravilhoso da vida à época. Está aqui tudo, os movimentos liberais das Cortes de Cádiz, toda a situação geo politica das colónias espanholas da América Latina, a própria situação politico-militar da Peninsula, com todos os protagonistas de facto desse momento histórico determinante na vida da Europa que foi a expansão do império Napoleónico. Mas se a História é o pano de fundo, são as histórias de um muito bem desenhado e caracterizado grupo de personagens que nos cativam para ler, de forma compulsiva este grande romance. Tenho, não raras vezes, a oportunidade de recomendar um livro único. Esta é, para meu grande prazer, uma dessas oportunidades. Não exagero, apesar de quase todos os livros de muita e excelente qualidade de Arturo Perez-Reverte, se disser, que de todos, foi este o que provavelmente até hoje mais gostei. A todos os que gostam de romances históricos, com um enquadramento policial e uma trama absolutamente genial, não só aconselho entusiásticamente como, acho uma perda enorme, passar ao lado. Já tinha saudades de um livro assim. É um livro especial, onde encontramos todo o Perez-Reverte das aventuras de capa e espada, transportadas para um cenário muito particular, onde se cruzam episódios de guerra,onde a morte vem por terra, pelo mar e pelo ar, num tabuleiro de jogo entre espanhóis, ingleses e franceses e entre o Bem e Mal num outro jogo de morte que se lhe entrecruza. Portentoso! Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

A Conspiração Contra a América de Philip Roth (Dom Quixote)

A Casa Verde de Mario Vargas Llosa (Dom Quixote)

Suite Francesa de Irene Nemirovsky (Dom Quixote)