segunda-feira, 29 de agosto de 2011

OS LINDOS BRAÇOS DA JÚLIA DA FARMÁCIA de José Rentes de Carvalho (QUETZAL)

"Nada parece verdadeiro que não possa parecer falso” de MONTAIGNE

Muito dificilmente admito certas coisas a mim mesmo, uma delas, vá lá saber-se porquê, é o “pecado” da idolatria. Simplesmente nunca fui de cultos nem gosto particularmente de gente que revira os olhinhos quando olha para os seus deuses, particulares ou colectivos. Talvez seja daí que vem o meu relativo desapego a concertos e festivais. Um dia vos direi sobre o efeito que os “encores” me provocam. E a verdade é que quanto mais alto se coloca a fasquia maior é o tombo, literalmente. Assim, tento pautar-me por um entusiasmo saudável que me garanta que não tenha muitos dissabores, pelo menos nas leituras, que é o que aqui importa. José Rentes de Carvalho, é um dos poucos nomes que realmente me entusiasma no panorama literário a que vou tendo acesso, e se falarmos de autores portugueses vivos, a coisa anda dividida por dois, um é o Rentes de Carvalho, o outro poderá ser um livro qualquer de qualquer autor desde que venha a gostar, o que tem sido cada vez mais dificil. Culpa minha decerto, que gosto de ler por prazer e não por moda ou mesmo por martírio, essa patologia de aflição na leitura que cada vez mais encontro à minha volta, em que grupos mais ou menos especializados (serão seitas?) se dedicam a incensar alguns escritores mais ou menos... (ia acrescentar qualquer coisa, mas de súbito, pareceu-me bem o mais ou menos). Nesta sugestão de leitura estou um pouco rebarbativo, provavelmente o efeito de regresso de férias, mas também há boas novas. Este “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia”, conjunto de contos (ou short stories, para quem prefira anglicismos), está perfeitamente ao nível do que se espera do grande José Rentes de Carvalho. Não me canso de ler este formidável escrutinador do mundo e da vida. Num compromisso que cabe ao leitor avaliar, entre a verdade factual e a verdade literária (se é que há distinção de facto...) temos e lemos uma sucessão de episódios que remetem para algo de incomum: o reconhecimento. Reconhecemos como absolutamente credível, possível e intrínsecamente humano qualquer dos enredos destes contos. Mestre Rentes tece uma tela em que a teia é a Verdade e a trama um talento excepcional para contar histórias. É muito dificil pedir mais e melhor. Deixem pois que estes “lindos braços” vos encaminhem para o mundo de Rentes de Carvalho, que de tão simultaneamente cosmopolita, minhoto e duriense, se torna naquilo que nunca deixou de ser, o nosso mundo também. Tenho para mim que há diversas categorias de grandes escritores, a minha preferida é a dos “contadores de histórias”. Sem aprofundar o conceito, acho que é a mais antiga e nobre linhagem no que respeita aos maiores de entre os que escrevem. E se há quem mereça figurar nesta categoria é indubitavelmente José Rentes de Carvalho a quem devemos enquanto portugueses resgatar da relativa obscuridade à qual o votamos durante décadas. Culpa nossa, lucro neerlandês. Termino com a satisfação de poder sugerir uma leitura de um autor português que é excelente cá, lá e pelo caminho. Boas Leituras (e Férias se for o caso...)!

Na Mesinha De Cabeceira:

A Casa Verde de Mario Vargas Llosa (Dom Quixote)

Suite Francesa de Irene Nemirovsky (Dom Quixote)

Quando Nistzsche Chorou de Irvin D. Yalom (Ed. Fio da Navalha)

O Cemitério de Praga de Umberto Eco (Gradiva)

No Coração Desta Terra de J.M. Coetzee (Dom Quixote)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Novo Livro do Ricardo Alexandre


Boa Compadre!
Datas das Apresentações:
13 de Setembro, 18.30, Fnac Chiado (Lisboa)
16 de Setembro, 21:30h, Fnac NorteShopping (Matosinhos);
22 de Setembro, 21h, Almedina Estádio Cidade de Coimbra;
27 de Setembro, 21h, Fnac Braga

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A Estante vai de férias...eu não...


Durante duas semanas, coincidindo com a interrupção habitual na publicação do "Povo de Guimarães" durante o mês de Agosto, não publicarei as habituais sugestões de leitura.
Voltarei para actualizações de compras e leituras.

Em contraponto com as férias da "Estante", e em claro desatino com o clima, comecei hoje a trabalhar em novas funções na estrutura da Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012.

Boas Férias e Excelentes Leituras!!!

MANHATTAN TRANSFER de John dos Passos (Ed. Presença)

"A realidade é apenas uma ilusão, ainda que muito persistente.” de ALBERT EINSTEIN

Neste Agosto atípicamente outonal, lembrei-me de partilhar uma sugestão de leitura de um grande autor com raízes portuguesas. John (Roderigo) dos Passos é um dos nomes mais influentes da literatura norte-americana do Séc. XX. É mais um daqueles casos em que a vida pessoal do autor ultrapassa muitas vezes a ficção. Dos Passos, é um dos nomes da “Lost Generation” epiteto que aparece no “O Sol Nasce Sempre” de Hemingway e que faz referência a um grupo de autores contemporâneos da “I Grande Guerra”, como F. Scott Fitzgerald, T.S. Eliot e Erich Maria Remarque para citar os que conheço. Filho de um advogado emigrando da ilha da Madeira, teve uma educação privilegiada que o levou a viajar desde tenra idade até à formatura por Harvard. Fez um percurso de vida que podemos, de certa forma, colar ao de Hemingway de quem foi amigo e companheiro, como ele conduziu ambulancias na I Grande Guerra em Paris e em Italia, acompanhou-o na Guerra Civil Espanhola em 1937 onde se afastou doutrináriamente dos ideais daquele e acompanhou a II Guerra Mundial como jornalista e correspondente de guerra. O romance “Manhattan Transfer” publicado em 1925, surge uma obra inovadora ao nivel do estilo literário e percursora na forma, introduz na escrita a visão dos protagonistas do mundo atraves dos seus processos mentais individuais. E este grande romance retrata Nova Iorque e a vida na América pelos olhos de vários protagonistas que não se cruzam com a caracteristica à altura desconhecida de dar um caracter “cinematográfico” ou filmico à acção. A sua obra mais conhecida será a trilogia “U.S.A.” que inclui os romances “O Paralelo 42” de 1930, “1919” de 1932 e “The Big Money” de 1936. Nesta época em que assistimos a uma fúria de publicação sem precedentes por parte de editores e livreiros e onde se descobrem “génios” a cada esquina, é bom regressar a um valor seguro, de um tempo em que a qualidade intrínseca das obras era claramente superior ao “spin” do marketing livreiro. É uma obra de referência que enriquece quem quer que goste de ler. Recomendo vivamente! Boas Leituras (e Férias se for o caso...)!

Na Mesinha De Cabeceira:

A Casa Verde de Mario Vargas Llosa (Dom Quixote)

Suite Francesa de Irene Nemirovsky (Dom Quixote)

Quando Nistzsche Chorou de Irvin D. Yalom (Ed. Fio da Navalha)

O Relatório Chapman de Irving Wallace (Ed. Livros do Brasil)

No Coração Desta Terra de J.M. Coetzee (Dom Quixote)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

TRÊS (ou mais...) SUGESTÕES PARA O MÊS DE AGOSTO

"A ociosidade é a mãe da filosofia” de THOMAS HOBBES

Esta semana, a propósito das sempre merecidas e tão esperadas férias, vou fazer uma pausa nas recomendações sobre o que tenho lido, e apontar para o que está na lista de compras. Como é uma altura do ano em que se compram livros para levar de viagem e movimentá-los ao longo de praias e esplanadas várias, parece-me fazer bem em recomendar aquilo que seriam as minhas escolhas para a temporada de descanso. Já por mais de uma vez, aqui partilhei o meu sentimento relativamente às chamadas leituras de férias, e há várias abordagens possiveis. Uns, gostam de nesta altura dedicar a leitura a coisas que no resto do ano não tem disponibilidade de tempo ou mental para “atacar”, assim é comigo, e é coincidentemente neste periodo que normalmente leio livros que exigem um pouco mais disponibilidade. Um exemplo de que me lembro é o fabuloso “D. Quixote”, obra que exige o seu tempo, mas que recompensa absolutamente. Se estiverem neste grupo, óbviamente o caminho a tomar será um qualquer clássico da literatura, as biografias ou livros de história, e aqui, francamente não me atrevo a sugerir, dado que este grupo normalmente tem as suas próprias prioridades. No caso de optarem por ler algo mais ligeiro, mais de “moda” ou que esteja mais presente nos escaparates, independentemente da profundidade dos temas, o que não tem mal nenhum, é modalidade que também pratico nesta altura, então aqui vão as minhas sugestões: Para inicio, e até porque já recebi pedidos de indicação de obras e autores para esta altura por parte de amigos, aconselho a quem não o fez ainda uma entrada na obra de Philip Roth, que tenho lido e que acho francamente excelente, um qualquer titulo servirá. Tenho poucos lidos desta recente preferência literária mas estou certo que peguem na obra e no autor por qualquer titulo não se vão arrepender. Se este foi um conselho genérico vou a outros mais concretos e definidos, e que estão definitivamente à minha espera, mais dia menos dia. “O Cemitério de Praga” de Umberto Eco, “A Intermitência” de Andrea Camilleri, “Os lindos braços da Júlia da Farmácia” do inigualável José Rentes de Carvalho e “As Teorias Selvagens” de Pola Olaixarac. Pelos autores num caso, e por recomendação de terceiros no ultimo, são estes os livros que se encontram a aguardar por mim, (ou com mais rigor, eu por eles). Na esperança de que possa ter ajudado, (e o bom tempo regresse de vez...), os meus votos de Boas Leituras (e Férias se for o caso...)!

Na Mesinha De Cabeceira:

A Casa Verde de Mario Vargas Llosa (Dom Quixote)

Suite Francesa de Irene Nemirovsky (Dom Quixote)

Quando Nistzsche Chorou de Irvin D. Yalom (Ed. Fio da Navalha)

O Relatório Chapman de Irving Wallace (Ed. Livros do Brasil)