terça-feira, 27 de março de 2012

Nova entrada


Oferta da minha Querida Amiga Xana, que deve ter adivinhado que andava à espera de pretexto para ler alguma coisa de Saul Bellow.
 :)

terça-feira, 20 de março de 2012

A CIDADE DOS PRODÍGIOS de Eduardo Mendoza (Sextante Editora)


O tempo é o único bem totalmente irrecuperável. Recupera-se uma posição, um exército e até um país, mas o tempo perdido, jamais.”
Napoleão Bonaparte
Mais um espantoso romance de Eduardo Mendoza. Dou por mim a repetir agradecimentos a quem me fornece pistas de leitura, e neste caso a introdução à obra deste autor foi a “A assombrosa viagem de Pompónio Flato”, que é de facto, uma assombrosa obra, um portento de humor e de desconstrução histórica. Este “A Cidade dos Prodígios” é construído num registo diferente, e tem como protagonista uma personagem invulgar, a própria cidade de Barcelona, com todas as suas crises e etapas de crescimento. Da primeira à segunda Exposição Universal de Barcelona, o percurso do crescimento da cidade, com todas as suas vicissitudes, políticas, económicas e sociais é acompanhado pelo lado humano pela personagem que nos acompanha ao longo do percurso e que o vai pontuando. Onofre Bouvila, um rapaz oriundo da Catalunha profunda e que chega a Barcelona sem nada. A vida e o trajeto de Bouvila, vai-se colar à transformação da cidade num percurso paralelo, muitas vezes coincidente no que diz respeito à forma como ambos crescem. A vida da cidade, desde o final do Séc. XIX até meados do Séc. XX, a forma como se desenvolve, com recurso a uma forma engenhosa de contar todas as “alavancagens” politicas, todas as formas de corrupção e de fazer com que Barcelona se transforme, é acompanhada pela ascensão de Onofre Bouvila até ao topo como um dos seus mais influentes cidadãos. Bouvila, cujo ascensão económica até se tornar um dos mais ricos, senão o mais rico, cidadão barcelonês, toma como meio de comparação uma desmedida ânsia de crescimento. É um romance muito agradável de ler, que nos dá, numa perspetiva abrangente um caminho comum, rumo à glória de ambos. Eduardo Mendoza consegue com uma escrita fluida e inteligente, nunca nos fazer perder o ritmo da leitura. E sabemos todos, os que gostam de ler, o quanto é importante num livro, essa característica. O ritmo a que a trama se desenvolve. A forma de (d)escrever e de construir as personagens e um sempre presente sentido da História, fazem deste livro uma homenagem muito particular à cidade de Barcelona. É sem a mais pequena hesitação que recomendo. E como já o disse relativamente ao autor, claramente não tenciono ficar por este par de obras. Eduardo Mendoza é, neste momento um dos meus autores favoritos. Aproveitem… e Boas Leituras! J

Na Mesinha De Cabeceira:
Kyoto de Yasunary Kawabata (Dom Quixote)
Contos Completos 1947-1992 de Gabriel Garcia Márquez (D. Quixote)
Rever Portugal de Jorge de Sena (Guimarães)
Uma Mentira Mil Vezes Repetida de Manuel Jorge Marmelo (Quetzal)
O Ano do Dilúvio de Margaret Atwood (Bertrand)


segunda-feira, 19 de março de 2012

Novas Entradas



O HOMEM QUE GOSTAVA DE CÃES de Leonardo Padura (Porto Editora)


"O Cão é a virtude que, não podendo fazer-se homem, se fez animal” Victor Hugo
 
Leonardo Padura é um autor que já há muito conhecia. Não neste registo de biografia romanceada mas no registo de autor de romances policiais. E dos bons, se me é permitido acrescentar. Li há cerca de uma dúzia de anos um dos romances que ele escreveu e onde pontifica o tenente Mário Conde, personagem que entrou directa para as minhas preferidas no género, “Morte em Havana”, livro que recomendo desde já, mesmo antes de sugerir o que hoje aqui se pretende. Voltando à sugestão semanal, é um grande livro “O Homem que gostava de cães” título assumidamente “repescado” de um conto de Raymond Chandler, dá-nos pela perspectiva de duas testemunhas indirectas, o retrato de Liev Davidovitch Bronstein, que passou à galeria de figuras históricas como Trótski, nos anos do seu exílio e consequente assassinato. Vemos também em paralelo, a vida do seu verdugo Ramón Mercader. Ao longo desta dualidade entre dois personagens em rota de colisão consigo próprios e com a História do Séc. XX, Leonardo Padura dá-nos numa tela de grande formato uma visão muito própria da implementação e crescimento do comunismo soviético pela mão sobretudo de Josef Estaline. É um livro que não nega as opiniões do autor sobre o assunto, a forma como desenha o carácter das personagens é bastante clara a esse respeito. Não assume uma visão distanciada e asséptica do fenómeno, pelo contrário, interpreta-o, na sua visão de autor através das personagens e tem uma postura claramente critica do processo. Não me cumpre a mim, mero leitor e neste menos ainda no papel de quem sugere leituras, tomar partido, até porque a opinião neste caso pode sempre ser enformada de preconceito ideológico. O que sim vale a pena, é que seja cada um de nós a fazê-lo depois de ler este livro, que para além do conteúdo histórico e do valor informativo, é sobretudo muito muito bem escrito. São 614 páginas (excetuando a Nota Final do autor) que se devoram. Tinha, redutoramente catalogado, na minha categorização mental Leonardo Padura como um fantástico autor de policiais. Agora passou para outro compartimento onde a minha visão sobre o que escreve não está tão espartilhada. Mais uma vez, é com enorme gosto que agradeço esta sugestão de leitura ( e o empréstimo do livro… ) ao meu bom Amigo Miguel Bastos que tem sido e continuará certamente a ser uma das fontes das minhas melhores leituras. Não percam. Boa Semana e  Boas Leituras! J

Na Mesinha De Cabeceira:
Kyoto de Yasunary Kawabata (Dom Quixote)
Rever Portugal de Jorge de Sena (Guimarães)
Uma Mentira Mil Vezes Repetida de Manuel Jorge Marmelo (Quetzal)
O Ano do Dilúvio de Margaret Atwood (Bertrand)