quarta-feira, 27 de junho de 2012

A PAIXÃO DO POVO (História do Futebol em Portugal) de João Nuno Coelho e Francisco Pinheiro (Edições Afrontamento)


“Tudo quanto sei com maior certeza sobre a moral e as obrigações dos homens devo-o ao futebol” Albert Camus


Vários fatores concorrem para a sugestão desta semana ser esta em particular. Em primeiríssimo lugar o facto de um dos autores ser um dos meus melhores amigos e a quem estou ligado por laços de várias naturezas. O João Nuno Coelho, sociólogo com obra extensa sobre o fenómeno futebolístico é também agora um Vimaranense, facto no qual julgo ter uma pequena parcela de responsabilidade, se me permitem a imodéstia. Tem várias obras publicadas sobre as quais aqui falarei em futuras oportunidades. Se é estranho que nunca aqui tenha referido esta obra excecional e que é por muitos considerada como uma espécie de “Bíblia do Futebol” em Portugal, isso tem uma explicação e um motivo. Esta coluna tem como regra (que admite exceções que o mereçam, como é claramente o caso) o falar de livros que tenho lido recentemente ou leituras mais ou menos antigas que entendo serem merecedoras de atenção e destaque. Este livro, que, em cerca de 700 páginas traça a história do Desporto Rei em Portugal, é um livro que se vai lendo e consultando à medida que se entende verificar factos ou pela curiosidade que este desporto desperta nos adeptos, nos quais me incluo sem qualquer reserva. É uma abordagem global e quase exaustiva de factos, números e episódios que constituem o trajeto deste desporto desde a sua fundação até à modernidade. A linguagem é acessível e versa muitos acontecimentos que nos ajudam a entender a formação e consolidação do futebol entre nós nos moldes em que o vivemos hoje em dia. É certo também que o momento atual, em que a Seleção Portuguesa se encontra a disputar o Campeonato da Europa 2012 ( e neste preciso momento em que se encontra qualificada para disputar as meias finais contra a Seleção de Espanha ) contribui significativamente para esta sugestão. É uma obra excecional a todos os títulos, mesmo o próprio livro enquanto objeto é extraordinariamente bem conseguido, e, tenho a certeza, merece bem, honras de destaque em qualquer estante que se preze. De quem goste de futebol, de livros, ou de ambos como felizmente é o meu caso. Fundamental e obrigatório, nada menos que isso é como me parece ser o facto de possuir esta obra. Para além do orgulho imenso em ter amigos que nos enriquecem assim. Todos os dias. Como informação final de interesse apenas pessoal o facto de nos termos conhecido, eu e o João Nuno, numa enorme e saudável discussão sobre futebol que nos trouxe até onde estamos hoje. Termino pedindo desculpa ao Francisco Pinheiro por não dar o relevo que ele merece na co autoria da obra, mas, no futebol e na vida as coisas são sempre um bocadinho assim. Temos de fazer escolhas. De qualquer modo um abraço e o meu e de muitos outros, obrigado pela obra. Força Portugal!!! Boa Semana e… Melhores Leituras! J
Na Mesinha De Cabeceira:
Kyoto de Yasunary Kawabata (Dom Quixote)
Rever Portugal de Jorge de Sena (Guimarães)

terça-feira, 26 de junho de 2012

JONATHAN STRANGE & O SR. NORRELL de Susanna Clarke (Casa das Letras)


“Só a fantasia permanece sempre jovem; o que nunca aconteceu nunca envelhece” Friedrich Schiller

Numa fase mais complicada para as minhas leituras atuais, que, valha a verdade estão a concorrer com um momento profissional muito preenchido, a única forma de continuar a minha microscópica batalha pela leitura é a de me socorrer de leituras mais antigas. É o caso deste livro singular que durante muito tempo me deixou uma impressão intensa. É um livro de 2004 e foi a primeira obra publicada por Susanna Clarke (de quem aliás não li mais nada para ser honesto). Mas esta obra é mesmo assim única, no sentido de lhe pertencer uma forma e um estilo muito próprio. A ideia de base do livro, que nos remete para o século XIX em Inglaterra é de que a magia sempre teria existido no Reino Unido, até que simplesmente se extinguiu por nela se ter deixado de acreditar. É aí que surgem em cena as personagens principais deste livro, Gilbert Norrel e Jonatan Strange que vão tentar recuperar a magia. Pode, em teoria parecer mais um enredo dos que agora enxameiam as livrarias que versam de universos místicos, mundos paralelos ou perdidos e novas mitologias revistas e aumentadas. Não é de todo a impressão que me deixou. É um livro intenso, bem localizado no tempo, com grandes personagens e que nos dá uma visão complexa sobre a Inglaterra dos século XIX, com as suas características identitárias próprias, buscando até na essência identificar uma certa “anglicidade” como base social. Identifica diferentes tipos de pessoas pelo seu enquadramento social mas mais até pela sua dispersão geográfica. Em resumo, é um livro que nos oferece um ambiente que envolve magia, mágicos, ambientes assombrados, mas que nos deixa sempre uma vontade real de continuar a ler. Recomendo sem qualquer hesitação, quer seja este o vosso ambiente de leitura ou não. Os bons livros não tem um rótulo único. E este é completamente de prescrição generalizada. Espero poder voltar dentro de um par de semanas a sugerir obras mais atuais, no entanto, e não é só para me justificar, este livro tanto poderia ser escrito há um século como na semana passada que não lhe retiraria qualquer virtude. Aproveitem. Boa Semana e… Melhores Leituras! J

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quarta-feira, 20 de junho de 2012

SANTA LIBERDADE de Miguel Bayón (Edições ASA)


“Só é digno da liberdade, como da vida, aquele que se empenha em conquistá-la” Goethe

Este livro já o li há algum tempo, (esta 1ª edição que possuo é de 2000) no entanto, nas voltas que dou habitualmente pela minha estante voltou-me às mãos e de imediato me pareceu uma injustiça ou pelo menos uma desatenção nunca aqui o ter sugerido. A história, aqui com H maiúsculo, é verdadeira, e para grande estranheza minha não é um episódio que a Democracia tenha celebrado e acarinhado como devia. Até o facto de o autor não ser português me gera uma certa surpresa também. Miguel Bayón é espanhol e toma este tema como seu, no que, também se deve dizer, nos presta a todos um belíssimo serviço. Na minha geração (os nascidos nos anos 60) o nome de Henrique Galvão ainda vai dizendo alguma coisa aos mais politizados, mas estou em crer que para as gerações que atualmente se sentam nos bancos das escolas em Portugal pouco ou nada significará. E é pena. É provavelmente uma daquelas personagens reais “larger than life”, um dos poucos portugueses com um percurso de vida recheado de suficientes episódios para o transformar num herói romântico. Provavelmente a história não lhe perdoará o ter participado no 28 de Maio de 1926 enquanto fervoroso apoiante de Salazar, facto que toda a sua posterior luta contra esse mesmo regime ( e sobretudo a forma como o fez ) o deveria ter posto num patamar superior. Mas isto são suposições minhas. Henrique Galvão e o aqui retratado de uma forma superior neste livro de Miguel Bayón, “Assalto ao Santa Maria”, seria sempre um dos momentos mais altos da vida de qualquer aventureiro e lutador pela liberdade. Do episódio histórico, dos preparativos até à tomada do paquete com mais de 1000 passageiros a bordo e do seu desvio, até ao desenlace, deixarei que o livro fale. Até porque o faz muito bem, num registo literário excelente. Mas há, e aqui o autor que me perdoe, factos que são maiores do que a sua descrição por melhor que seja, e este acto de loucura ou bravata, é o que mais me importa que não seja esquecido. E se a Miguel Bayón devemos mais este contributo, talvez não fosse mau que lhe pagássemos o devido preço lendo este magnifico livro construído sobre um emblema universal da luta pela liberdade. É o mínimo. Boa Semana e… Melhores Leituras! J
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quarta-feira, 6 de junho de 2012

O Caso da Noiva Atormentada de Erle Stanley Gardner (Edições ASA)


“Um júri é um grupo de pessoas escolhidas para decidir quem tem o melhor advogado.” Robert Frost

 “O Estranho Caso de Nunca Ter Escrito Nada Sobre Erle Stanley Gardner”, podia muito bem ser o titulo da sugestão de leitura desta semana. E é verdade, se por aqui tenho mantido que grande parte dos meus hábitos de leitura foram ganhos a devorar policiais na adolescência ( muito fruto da célebre Colecção vampiro, presente em grande parte das casas de familiares e amigos ), é de facto um “estranho caso” nunca aqui ter “chamado” o criador dessa figura mítica da literatura que é o advogado Perry Mason. Mais do que sugerir este livro em particular “O Caso da Noiva Atormentada” (devo referir que no original a noiva é curiosa e não atormentada “The Case of The Curious Bride”, o que em si também daria para gastar uma ou várias crónicas, com as aí sim “curiosas” traduções para português dos títulos de livros e filmes), mas avançando, o que mais importa aqui é de facto assinalar a obra e a sua repercussão. As obras de Erle Stanley Gardner, venderam-se aos milhões tornando-o um dos autores de maior sucesso comercial de sempre, especialmente depois da adaptação televisiva de “Perry Mason” com o inolvidável Raymond Burr no papel principal. Para as gerações mais novas que não apanharam esse clássico da TV e que por mera questão de terem nascido tarde de mais, espero que não percam a oportunidade de recuperar a leitura destes magníficos policiais. O registo destes policiais tem a particularidade de ter de certa forma inaugurado uma abordagem jurídica e legal dos casos o que também veio a dar um manancial de obras que foram “beber” ao modelo de Erle Stanley Gardner. Mas não há como o original. Perry Mason é uma figura também única no panorama das criações literárias mais conhecidas de sempre. Quanto a Erle Stanley Gardner foi um escritor de uma produção enorme e constante que publicou mais de 300 obras, sob vários pseudónimos como: A.A. Fair, Kyle Corning, Charles M. Green, Carleton Kendrake, Charles J. Kenny, Les Tillray, e Robert Parr. Não percam sobretudo a oportunidade de ler ( ou reler ) livros onde nomes que se tornaram famosos como Della Street e Paul Drake investigam e ajudam em tribunal o advogado Perry Mason não só a ganhar os casos dos seus clientes, mas sobretudo a resolver casos e crimes interessantes e muito bem imaginados. Aproveitem a chegada das férias. Boa Semana e… Melhores Leituras! J
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