sábado, 26 de outubro de 2013

O LIVREIRO de Mark Pryor (Clube do Autor)

“O livro é um animal vivo” Aristóteles

Prosseguindo nestas ultimas semanas num ritmo apreciável de leituras muito variadas, sugiro esta semana uma “refeição mais leve”. Este O Livreiro, é uma das escolhas que faço por vezes guiadas apenas pelo aspecto da capa e pela possibilidade de uma boa história. Venho a saber pelo próprio livro que se trata de um primeiro romance deste autor. E, há que o dizer, cumpre exemplarmente a tarefa a que se propõe. Entreter. O argumento, que é bastante cinematográfico, é bastante interessante, e comporta no seu essencial algo que sempre me fez inclinar para algumas obras. A peça central da trama é um livro. Neste caso serão até vários, mas o ambiente, sempre próximo aos bouquinistes que, em Paris nas margens do Sena, fazem esse interessantíssimo comércio livreiro, é bastante interessante, e se se pode pensar, revela também a faceta de bibliófilo do próprio autor. Não é certamente a obra que nos vai mudar a vida, mas é bem pensado, bem escrito, com o ritmo certo para nos fazer querer saber o que se passa a seguir, e tem um registo de policial que como se sabe é uma das minhas perdições na leitura. É o tipo de livro que, apesar de já por várias vezes me ter aqui debruçado sobre o quão equivoco pode ser o rótulo de “literatura de aeroporto”, que se presta a levar em viagem ou para umas horas de descontracção bem passadas. Tal como no resto da vida, se fizermos sempre refeições pesadas, tornamo-nos também pesados, por isso, e é a minha opinião apenas, se não intercalarmos os grandes festins literários com algo de mais ligeiro, corremos algum risco de enfartamento, e, sobretudo, de nos tornarmos estanques a muita coisa interessante que se vai fazendo. Repito, é um muito bom livro dentro desse registo mais linear, e de que muitas vezes tenho absoluta necessidade. É uma estreia competente e muito agradável de ler. Como em outros casos, quem conta bem uma história, fica automaticamente debaixo de alguma atenção, é o caso de Mark Pryor, a quem irei ficar atento de futuro.  Boa Semana e Boas Leituras!!!

Na Mesinha De Cabeceira:

MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier(Quetzal)
ARCO-IRIS DA GRAVIDADE  de Thomas Pynchon (Bertrand)
A CONSCIÊNCIA E O ROMANCE de David Lodge (ASA)
C de Tom McCarthy (Editorial Presença)
A QUESTÃO FINKLER de Howard Jacobson (Porto Editora)
O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)
DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)
A RAPOSA AZUL de Sjón (Cavalo de Ferro)
O HERÓI DISCRETO de Mário Vargas Llosa (Quetzal)

terça-feira, 8 de outubro de 2013

UNHA COM CARNE de Elmore Leonard (Teorema)

“Ladrão: nome vulgar para um individuo com sucesso em obter a propriedade dos outros” Ambrose Bierce

Ando em fase de novidades. Na passada semana John Fante, e esta na verdade, o meu primeiro Elmore Leonard. Provavelmente o impulso final para a leitura aconteceu com a infeliz noticia do seu falecimento no passado mês de Agosto. A sua longa e profícua carreira de escritor, com mais de quarenta romances e vários argumentos cinematográficos, a par de muitas e excelentes referências, quer da critica, quer de amigo, andavam a tornar esta leitura num adiar penoso para mim. É, para quem vem acompanhando estas pequenas indicações de leitura, bem sabido que uma das minhas principais e favoritas formas de entretenimento literário o policial, nas suas mais diversas vertentes. Desde o clássico, descubra o autor do crime, até aos thrillers de raiz mais diversa. Este “Unha Com Carne” é um desses thrillers, com uma história onde entram, ao que é apregoado na badana do livro, personagens de obras anteriores, onde avulta Jack Foley, um assaltante de bancos, que aqui se encontra a cumprir um pena de prisão de trinta anos. Como é hábito, não antecipo a história, não gosto de estragar o prazer de descobrir (ou mesmo de descobrir que se não gosta), mas tenho aqui que reconhecer, que tudo o que havia lido e ouvido sobre Elmore Leonard se confirma para melhor. É uma escrita que nos transporta para uma realidade palpável, lê-se como se poderia ver, em registo quase cinematográfico. Com um ritmo vertiginoso e sempre coerente, e, se me é possível dizê-lo, com uma das melhores formas de apresentação de diálogos que tenho encontrado. É possível, pelos diálogos das personagens, desenhar todo o cenário (físico e mental) que acompanha a obra. E, como em muitos dos autores que se foram tornando dos meus prediletos, há um registo irónico e por vezes niilista que perpassa a obra, que, a mim, me agrada imenso. Parece-me bem, que, a exemplo de alguns outros, terei que cavar mais fundo na obra deste Senhor. Gostei e recomendo. Como é o primeiro (certamente de muitos), não tenho ainda termo de comparação, mas não perde a obra pela demora, dentro em breve aqui voltarei, seguramente para, falar de mais Elmore Leonard. Boa Semana e Boas Leituras!!!

Na Mesinha De Cabeceira:

MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier(Quetzal)
ARCO-IRIS DA GRAVIDADE  de Thomas Pynchon (Bertrand)
A CONSCIÊNCIA E O ROMANCE de David Lodge (ASA)
C de Tom McCarthy (Editorial Presença)
A QUESTÃO FINKLER de Howard Jacobson (Porto Editora)
O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)
DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)
A RAPOSA AZUL de Sjón (Cavalo de Ferro)


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O PALÁCIO DA MEIA-NOITE de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)



“Fazer troça da Filosofia, é, na verdade, filosofar” Pascal


Há na escrita de Carlos Ruiz Zafón uma dimensão mágica, uma realidade alternativa que faz com que busquemos dentro de nós a fantasia que nos deixa entrever nos seus enredos e tramas. Este livro “O Palácio da Meia-Noite, de 1994, é o seu segundo romance e é, nas suas próprias palavras em nota de autor nesta edição da Planeta, um dos seus romances “juvenis”. Não sei se o rótulo é correto. Nem, com grande franqueza, tem isso grande interesse. O que a mim, salvo melhor opinião me faz correr atras de um livro ou de um autor não e a classificação (e na maior parte das vezes alguma critica especializada também), é sobretudo a continuidade. Mantenho, como a grande parte dos leitores, uma curiosidade grande em conhecer o máximo da obra dos escritores que por este ou aquele motivo me agradam. O percurso do leitor é normalmente o inverso daquele percorrido pelos autores, já que, na maior parte dos casos se começa pela obra que os tornou famosos e conhecidos, e, se o interesse se mantiver (e houver outras, bem entendido), se tenta regressar ao princípio da obra completa. Assim foi comigo neste caso, primeiro “A Sombra do Vento”, e depois tudo o resto a que consegui deitar mão. Este segundo romance, tal como “O Príncipe da Neblina”, desenha uma história com contornos sobrenaturais, e se no caso d´”O Príncipe” a narrativa assume mesmo o seu caracter fantástico e negro (uma espécie de conto em registo Stephen King) este de que hoje se fala é mesmo mais uma excelente história de aventuras. E das boas. Estou em crer que poderá ficar como uma belíssima referência para sedimentar o gosto pela leitura. É de facto uma história que parece destinada a um publico mais jovem (os protagonistas tem todos dezasseis anos), mas na minha experiencia, os romances, sejam eles mais ou menos evidentes na direção ou faixa etária que apontam em principio, ou são bons ou não. Este é. Passa-se nos anos 30 do Séc. XX em Calcutá e, com o defeito (eu que não gosto de ter ideias pré concebidas em relação ao que me proponho ler) de se saber uma das suas primeiras obras, conta bem a história, cria boas personagens, e tal como em obras futura Barcelona é ela própria uma personagem, também aqui a cidade se torna um ente vivo que respira e se debate perante o leitor. Não consigo ser imparcial, gosto da forma, do estilo, do ritmo, mas sobretudo da atmosfera que Zafón empresta ao que escreve. É mágico, se mais não fosse pelo facto de me ter desde há muito enfeitiçado. Aproveitem. Boa Semana e Boas Leituras!!!

Na Mesinha De Cabeceira:

MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier(Quetzal)
ARCO-IRIS DA GRAVIDADE  de Thomas Pynchon (Bertrand)
A CONSCIÊNCIA E O ROMANCE de David Lodge (ASA)
C de Tom McCarthy (Editorial Presença)
A QUESTÃO FINKLER de Howard Jacobson (Porto Editora)
O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)
DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)
A RAPOSA AZUL de Sjón (Cavalo de Ferro)
UNHA COM CARNE de Leonard Elmore (Teorema)