terça-feira, 26 de novembro de 2013

A QUESTÃO FINKLER de Howard Jacobson (Porto Editora)

“Lá onde a identidade individual se apaga não há punição nem recompensa” Ernst Junger

Este livro foi o vencedor do Man Booker Prize de 2010. Com respeito a prémios, fico muitas vezes a pensar na infinita e talvez relativa injustiça de se proceder a uma escolha entre muitas obras que todos os anos chegam aos leitores. Tem no entanto a vantagem, os prémios, de conceder ao respectivo titular uma exposição alargada e de dar à obra uma dimensão que de outra forma demoraria talvez muito mais, ou mesmo que nunca chegaria a obter. Quanto a saber se há ou não outros livros melhores, não tenho dúvidas que sim, até porque um prémio pressupõe uma escolha, que e sempre mais ou menos guiada por um conjunto de opiniões pessoais por parte de quem selecciona e atribui. Não estando este processo particularmente em causa, começo por dizer que este é um livro de fácil inclusão numa qualquer “shortlist”. Tem argumentos válidos para isso. A começar no factor que realmente importa, a qualidade da escrita. Howard Jacobson conta-nos com grande mestria uma história muito interessante. O tema, que mais do que a mera percepção do judaísmo por um não judeu que crê, ou quer, tornar-se num, é abordado, com recurso a três personagens nucleares muito bem construídas. Julian Treslove, o protagonista, Libor Sevcik e Sam Finkler, seus amigos, transformam uma questão de identidade, individual mas também colectiva, na grande “questão” deste livro. O ser ou não judeu, o sionismo, a percepção que os próprios (judeus) tem de si próprios enquanto indivíduos e enquanto povo é fornecida por vários ângulos e enquadramentos, com recurso muitas vezes à ironia, ao sarcasmo e a um humor vagamente britânico que nunca sai de cena. É sobretudo uma obra sobre identidade, individual, de grupo, religiosa, com todos os excessos e defeitos que a mesma pode comportar. Há quem diga que este autor é uma espécie de Philip Roth britânico. Parece-me que a temática centrada na forma de vida judaica é a única coisa que pode justificar a comparação. Gostei muito da forma com Jacobson escreve e nos conta esta história. Um autor a revisitar com toda a certeza.
Boa Semana e Boas Leituras!!!

Na Mesinha De Cabeceira:

MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier(Quetzal)
ARCO-IRIS DA GRAVIDADE  de Thomas Pynchon (Bertrand)
A CONSCIÊNCIA E O ROMANCE de David Lodge (ASA)
C de Tom McCarthy (Editorial Presença)
O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)
DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)
O HERÓI DISCRETO de Mário Vargas Llosa (Quetzal)
UMA COISA SUPOSTAMENTE DIVERTIDA QUE NUNCA MAIS VOU FAZER de David Foster Wallace (Quetzal)
HISTORIAS DE LOUCURA NORMAL de Charles Bukowski (Alfaguara)
ESTRADA PARA LOS ANGELES de John Fante (ALFAGUARA)
AS PRIMEIRAS COISAS de Bruno Vieira Amaral (Quetzal)