sexta-feira, 30 de maio de 2014

A MULHER QUE DECIDIU PASSAR UM ANO NA CAMA de Sue Towsend (Ed. Presença)

“A desistência é uma revelação. “ Clarice Lispector

Sue Towsend morreu a 10 de Abril deste ano. É um daqueles casos em que sentimos pena de var alguém partir. No final dos anos 80 foi transmitida na televisão portuguesa a série “O Diário de Adrian Mole”, baseado no seu primeiro e ainda hoje maior sucesso. Só depois li o livro, li esse e todos os outros da série Adrian Mole até ao fim. Se há algo que de facto me importa num autor é a autenticidade. Quer no estilo quer na forma de nos descrever a vida por seu intermédio. Sue Towsend foi (e será sempre para mim) uma extraordinária escritora que interpretou com uma graça impar, primeiro os complicados anos da adolescência dessa personagem singular que é Adrian Mole e o seu percurso pela vida. Li ainda outras coisas de Sue Towsend como “A Rainha e Eu” que também aconselho. Este “A mulher que decidiu passar um ano na cama” é mais uma prova do afinado sentido da vida da autora. Eva, decide, no dia em que os filhos saem de casa para a universidade passar um ano na cama. Esta atitude, é depois analisada pela própria, pela família, pelos amigos e pela sociedade. As reações a esta atitude são as mais variadas, mas sempre contadas com um humor e uma sensibilidade muito próprias da autora. Dá-nos um quadro muito nítido de uma família não muito funcional, com um colorido especial. É um retrato de uma das formas de desistência que podemos ter perante uma vida que não nos agrada. Haverá outras certamente. Esta apenas tem mais piada. Não nego. Sou e serei fã desta senhora cujos livros sempre me fizeram sentir melhor!

Boa Semana e Boas Leituras!!!

Na Mesinha De Cabeceira:
GOODBYE COLUMBUS de Philip Roth (D. Quixote)
VERDADE AO AMANHECER de Ernest Hemingway
ILHAS NA CORRENTE de Hemingway (Ed. Livros do Brasil)
MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier (Quetzal)
ARCO-IRIS DA GRAVIDADE  de Thomas Pynchon (Bertrand)
A CONSCIÊNCIA E O ROMANCE de David Lodge (ASA)
C de Tom McCarthy (Editorial Presença)
O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)
DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)
A RAPOSA AZUL de Sjon (Cavalo de Ferro)
FUGAS de Alice Munro (Relógio D´Àgua)
DANUBIO de Claudio Magris (Quetzal)
OS ANEIS DE SATURNO de W.G.Sebald (Quetzal)
TELEFÉRICO DA PENHA (IMAGINÁRIO E REALIDADE) de Esser Jorge Silva (Edições Húmus)
LIBRA de Don DeLillo (Sextante Editora)
RELATÓRIO DO INTERIOR de Paul Auster (ASA)
AMSTERDÃO de Ian McEwan (Gradiva)
ALFABETOS de Claudio Magris (Quetzal)
PARA ONDE VÃO OS GUARDA-CHUVAS de Afonso Cruz (Alfaguara)




terça-feira, 27 de maio de 2014

A CASA NEGRA de Peter May (Marcador)

“O assassinato é sempre um erro. Nunca devemos fazer nada de que se não possa conversar depois de jantar. “ Oscar Wilde


Entre escritas de ordem vária e acontecimentos diversos (alguns deles a merecer um livro), a verdade é que a minha compulsão pela leitura tem sofrido algo. Nestas alturas, por motivos que parecerão óbvios a uns e estranhos a outros, quase sempre opto por escolher ler algo de autores que não conheça previamente. Quase sempre também, volto a um reduto que me é familiar e confortável, o policial. Este “A Casa Negra” de Peter May é uma boa surpresa. Quem entrar na obra à espera de um típico policial, vai ter alguma dificuldade em classificar imediatamente o registo desta história. É sobretudo um romance de personagens. Com a coincidência inteiramente pessoal de estar a trocar mensagens com um amigo que se encontrava na Escócia nesses dia (o cenário do livro é a Ilha de Lewis na Escócia), pude tomar contacto com um tipo de escrita de que gostei muito. Não há, como agora parece ser tendência, crimes abundantes, o mais macabros e tenebrosos possíveis, há uma morte, que parece replicar uma anterior ocorrida meses atras em Edimburgo onde Fin Macleod, a personagem central vivia e tinha investigado. A descrição das personagens, o seu crescimento ao longo da história e o perfeito casamento com a vida sombria da ilha, desembocam num final muito bom. A descrição da vida e da sua infância na ilha são um livro dentro do livro. Não é por acaso que em algumas traduções este livro se chama “A Ilha dos Caçadores de Pássaros”. Os últimos capítulos sim, são policial puro. Com suspense, e antecipação de um mal que se sente sempre presente, Peter May constrói uma história da qual se retira muito prazer em ler. Para quem gosta do género, aconselho sem reservas, até porque ao que parece se preparam mais um par de histórias para completar uma trilogia. Para quem, e há quem o faça, não goste de policiais por principio, posso sempre dizer que se a história é de facto policial, a escrita é de um género particular: o bom.
Boa Semana e Boas Leituras!!!

Na Mesinha De Cabeceira:
GOODBYE COLUMBUS de Philip Roth (D. Quixote)
VERDADE AO AMANHECER de Ernest Hemingway
ILHAS NA CORRENTE de Hemingway (Ed. Livros do Brasil)
MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier (Quetzal)
ARCO-IRIS DA GRAVIDADE  de Thomas Pynchon (Bertrand)
A CONSCIÊNCIA E O ROMANCE de David Lodge (ASA)
C de Tom McCarthy (Editorial Presença)
O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)
DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)
A RAPOSA AZUL de Sjon (Cavalo de Ferro)
FUGAS de Alice Munro (Relógio D´Àgua)
DANUBIO de Claudio Magris (Quetzal)
OS ANEIS DE SATURNO de W.G.Sebald (Quetzal)
TELEFÉRICO DA PENHA (IMAGINÁRIO E REALIDADE) de Esser Jorge Silva (Edições Húmus)
LIBRA de Don DeLillo (Sextante Editora)
RELATÓRIO DO INTERIOR de Paul Auster (ASA)
AMSTERDÃO de Ian McEwan (Gradiva)
ALFABETOS de Claudio Magris (Quetzal)
PARA ONDE VÃO OS GUARDA-CHUVAS de Afonso Cruz (Alfaguara)