terça-feira, 8 de setembro de 2015

MATARAM A COTOVIA de Harper Lee (Relogio d'Agua)

"É aquilo que fazemos do que temos, e não o que nos foi dado, que distingue uma pessoa de outra." Mandela , Nelson

O recente lançamento de “Go set a watchman”, de Harper Lee, cinco décadas depois de “To Kill a Mockingbird” de 1960, mais a ideia que tenho do filme de 1962 com Gregory Peck no papel de Atticus Finch, levou-me a querer ler o livro. Ainda bem que o fiz. Damos por vezes conta de que nos faltam coisas apenas depois de sabermos que elas existem. Não e possível relegar para segundo plano alguns factos importantes, a personagem literária de Atticus Finch aparece inúmeras vezes citada como uma das melhores do Seculo XX, literariamente falando. O papel desempenhado por Gregory Peck no filme acima citado valeu a esta personagem o título de ”Greatest american hero in American film” (American Film Institute, 2003). Há mais, este foi o único livro de Harper Lee ate ao presente ano de 2015, e eu tenho um carinho especial por livros sem irmãos. Também por autores de livros únicos. A trama passa-se em Maycomb (cidade imaginaria do Alabama, estado vizinho deste onde escrevo esta sugestão, e com a espantosa semelhança, ao menos fonética, com outra celebérrima terra imaginada, a Macondo de Garcia Marquez, o que não deve ser nem mais nem menos que coincidência). É uma história conhecida, não a vou nem recontar nem antecipar, os livros devem ser mais lidos e menos contados, julgo eu. A simplicidade da escrita, a narração na primeira pessoa de outra personagem de sempre, Scout Finch, uma menina de oito anos e o tema, ou os temas: a segregação racial, a justiça e a falta dela, a maldade e a redenção, fazem deste livro algo superior. Há pouca coisa que valha mais num livro do que o teste do tempo, e Atticus, Jem, Scout Finch e Boo Radley cuja sombra acompanha toda a obra até se fazer luz, ficam como provas indeléveis da magia da escrita. Com tudo isto, ganhei um pouco de medo de ler o tal fenómeno de vendas deste ano. Não faz mal, até ver é tudo lucro.
Boas Leituras,
Flórida, Setembro de 2015