sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Premio No(v)el

Adoro Bob Dylan. Um dos últimos grandes. Só não sei se o Nobel da Literatura lhe assenta. Fará sentido atribuir um Pritzker ao dono do IKEA ou um Grammy ao Garcia Marquez? Não sei. Apesar disso, nada tenho contra. O homem tem mais escrita na sua obra que alguns dos anteriores galardoados. E a polémica dos que merecem, mereceram e nunca o tiveram, também não me parece ter cabimento. É a natureza dos prémios o serem injustos e redutores. Pelo meu lado, e concedendo ao Senhor Robert Allen Zimmerman todo o mérito do Mundo, acho que esta nomeação não ajuda a Literatura em particular. Um dos méritos deste Prémio é o de por gente a ler obras que de outra forma não sairiam de uma certa obscuridade ou de uma circunscrição geográfica mais ou menos definida, ou consagrar obras e carreiras geniais. Não necessito nomear autores asiáticos, africanos, árabes, indianos ou mais genericamente não ocidentais aos quais nunca chegaríamos, ou pelo menos nos seria mais difícil, sem a visibilidade destes galardões. Também me excuso a elencar quantos daqueles que anualmente fazem parte da pequena bolsa de apostas para o prémio exerceriam essa função de promover as Letras melhor que Bob Dylan. Com este prémio nada disso vai acontecer. Haverá certamente um pequeno exército de editores e livreiros a lamentar eventuais perdas. Também não é isso que me move. Acho que faria muito mais sentido atribuir o Nobel a um destes paladinos das letras que o são editores, livreiros, tradutores e porque não um Nobel para quem promova a literacia ou a simples aprendizagem da leitura. Ou para ir mais longe e talvez entrar no mundo do surreal das escolhas, simplesmente dar o Nobel da Literatura a quem mais o merece, O Leitor em abstrato. Enfim, termino como comecei, adoro Bob Dylan. Mas dar a Bola de Ouro ao Rafael Nadal não se pressupõe. Talvez se tenha falado mais deste prémio neste dias do que em algumas décadas, apenas pela polémica. O que me parece é que é o que vai ficar. Muito falatório e poucas leituras. O que é pena.

Boas Leituras ou o que seja que vos faz Felizes :)
USA, Outubro de 2016 

Filmes das Ultimas Semanas








terça-feira, 8 de setembro de 2015

MATARAM A COTOVIA de Harper Lee (Relogio d'Agua)

"É aquilo que fazemos do que temos, e não o que nos foi dado, que distingue uma pessoa de outra." Mandela , Nelson

O recente lançamento de “Go set a watchman”, de Harper Lee, cinco décadas depois de “To Kill a Mockingbird” de 1960, mais a ideia que tenho do filme de 1962 com Gregory Peck no papel de Atticus Finch, levou-me a querer ler o livro. Ainda bem que o fiz. Damos por vezes conta de que nos faltam coisas apenas depois de sabermos que elas existem. Não e possível relegar para segundo plano alguns factos importantes, a personagem literária de Atticus Finch aparece inúmeras vezes citada como uma das melhores do Seculo XX, literariamente falando. O papel desempenhado por Gregory Peck no filme acima citado valeu a esta personagem o título de ”Greatest american hero in American film” (American Film Institute, 2003). Há mais, este foi o único livro de Harper Lee ate ao presente ano de 2015, e eu tenho um carinho especial por livros sem irmãos. Também por autores de livros únicos. A trama passa-se em Maycomb (cidade imaginaria do Alabama, estado vizinho deste onde escrevo esta sugestão, e com a espantosa semelhança, ao menos fonética, com outra celebérrima terra imaginada, a Macondo de Garcia Marquez, o que não deve ser nem mais nem menos que coincidência). É uma história conhecida, não a vou nem recontar nem antecipar, os livros devem ser mais lidos e menos contados, julgo eu. A simplicidade da escrita, a narração na primeira pessoa de outra personagem de sempre, Scout Finch, uma menina de oito anos e o tema, ou os temas: a segregação racial, a justiça e a falta dela, a maldade e a redenção, fazem deste livro algo superior. Há pouca coisa que valha mais num livro do que o teste do tempo, e Atticus, Jem, Scout Finch e Boo Radley cuja sombra acompanha toda a obra até se fazer luz, ficam como provas indeléveis da magia da escrita. Com tudo isto, ganhei um pouco de medo de ler o tal fenómeno de vendas deste ano. Não faz mal, até ver é tudo lucro.
Boas Leituras,
Flórida, Setembro de 2015

terça-feira, 14 de julho de 2015

Pó, Cinza e Recordações de J. Rentes de Carvalho (Quetzal)

"Aquele que não tem memória arranja uma de papel" Gabriel Garcia Márquez


Creio não ser de especial importancia que me repita aqui. José Rentes de Carvalho é para mim o melhor escritor português vivo. Tendo eu fundadas dúvidas que alguns dos que são publicados hoje em dia estejam de facto vivos. É que a diferença é tal, entre os que pretendem ser e os que são de facto, que chega a gerar um sentimento de pena genuina por algumas almas que se entretém ( a eles evidentemente ) a fazer chegar às estantes coisas "tipo arte". Coisas essas, cujo interesse e relevância estou certo, o Tempo, esse que é o critico em absoluto, as relegará para onde merecem, algures entre a nobre função de acender o lume ou outro tipo de reciclagem menos combustivel. Dito isto, passemos a outro patamar. Sabe quem tem tido o privilégio de acompanhar o blogue "Tempo Contado" do autor, o nível do que por ali tem vindo a ser publicado (infelizmente, e sublinho muito infelizmente, desde o dia 12 de Junho passado, que o autor informa o seu encerramento em definitivo, faço votos que os alegados motivos de força maior se dissipem e que possamos voltar todos a ter o prazer de ler José Rentes de Carvalho nesse genial formato). Este "Pó, Cinza e Recordações é o registo diário entre os meses de Maio de 1999 a Maio de 2000. O que quer dizer muito pouco, porque as reflexões, os episódios, a análise social e o escrutinio que Rentes de Carvalho detém sobre nós faz destes textos intemporais. É precisamente aqui que se regista a enorme diferença entre quem olha e descreve e quem vê e escreve. A visão que nos é oferecida sobre o mundo em geral e sobre uma certa maneira de ser português, reduzindo a pó, cinza e nada o acessório e mostrando o essencial, uma vez mais me convence que é ao génio que compete chegar à simplicidade. O humor, e uma forma de contar a vida e os outros que oscila entre o registo quase desapaixonado e a ira, dá-nos um livro que nos preenche. E, para quem gosta de ler, não há nada acima disso. Aguardo, como sempre que o Mestre nos vá dizendo coisas, por esta ou outras vias. Há uma espécie de fome que só se sacia com alimento desta natureza. Esperemos pois.
Boas Leituras :)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

O MUNDO DE FORA de Jorge Franco (Alfaguara)
TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR de Flannery O'Connor (Cavalo de Ferro)
ROMANCE ACIDENTAL de Martha Woodroof (ASA)
O PACIFICO DE LÉS-A-LÉS de Michael Palin (Bizâncio)
ORGULHO E PRECONCEITO de Jane Austen (Ed. Presença)
D. QUIXOTE DE LA MANCHA de Miguel de Cervantes - Versão de Aquilino Ribeiro (Bertrand)
A CONVERSA DE BOLZANO de Sandor Marai (D. Quixote)
VIAGEM AO FIM DA NOITE de Louis-Ferdinand Céline (Ulisseia)
MONTEDOR de José Rentes de Carvalho (Quetzal)
O LEGADO DE HUMBOLDT de Saul Bellow (Quetzal)
AMORES E SAUDADES DE UM PORTUGUÊS ARRELIADO de Miguel Esteves Cardoso (Porto Editora)
PANICO NO SCALA de Dino Buzzati (Cavalo de Ferro)
TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR de Flannery O´Connor
VITORIA de Joseph Conrad (Ulisseia)
OS FACTOS de Philip Roth (D.Quixote)
DJIBOUTI de Elmore Leonard (Teodolito)
ALGUMA ESPERANÇA e LEITE MATERNO de Edward St Aubin (Sextante)
O FILHO DE Philipp Meyer (Bertrand)
A CASA DA ARANHA de Paul Bowles (Quetzal)
TEATRO DE SABATH de Philip Roth (D. Quixote)
O TODO-MEU de Andrea Camilleri (Bertrand)
O TEOREMA KATHERINE de John Green (ASA)
CONTOS E NOVELAS I de Saul Bellow (Relógio d´Água)
AS LUZES DE SETEMBRO de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)
MAS É BONITO de Geoff Dyer (Quetzal)
LIBRA de Don DeLillo (Sextante)
RELATÓRIO DO INTERIOR de Paul Auster (ASA)
ALFABETOS de Claudio Magris (Quetzal)
MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier (Quetzal)
O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)
DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)

DANUBIO de Claudio Magris (Quetzal)

A Mulher Mais Bonita da Cidade de Charles Bukowski (Alfaguara)

Lido ao mesmo tempo que o "Música para Àgua Ardente" também de Bukowski. Tudo que disse, se pode aplicar neste também livro de contos. Dá-se até o estranho caso, de sendo dois livros de editoras diferentes, terem ambos repetido um mesmo conto. Descubram-no :)
Para opinão ver : http://estanteacidental.blogspot.pt/2015/07/musica-para-agua-ardente-de-charles.html


NA MESINHA DE CABECEIRA:

O MUNDO DE FORA de Jorge Franco (Alfaguara)
TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR de Flannery O'Connor (Cavalo de Ferro)
A MULHER MAIS BONITA DA CIDADE de Charles Bukowski (Alfaguara)
ROMANCE ACIDENTAL de Martha Woodroof (ASA)
OS SALTEADORES DO NILO de Steven Saylor (Bertrand)
O PACIFICO DE LÉS-A-LÉS de Michael Palin (Bizâncio)
ORGULHO E PRECONCEITO de Jane Austen (Ed. Presença)
D. QUIXOTE DE LA MANCHA de Miguel de Cervantes - Versão de Aquilino Ribeiro (Bertrand)
A CONVERSA DE BOLZANO de Sandor Marai (D. Quixote)
VIAGEM AO FIM DA NOITE de Louis-Ferdinand Céline (Ulisseia)
MONTEDOR de José Rentes de Carvalho (Quetzal)
O LEGADO DE HUMBOLDT de Saul Bellow (Quetzal)
AMORES E SAUDADES DE UM PORTUGUÊS ARRELIADO de Miguel Esteves Cardoso (Porto Editora)
PANICO NO SCALA de Dino Buzzati (Cavalo de Ferro)
TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR de Flannery O´Connor
VITORIA de Joseph Conrad (Ulisseia)
OS FACTOS de Philip Roth (D.Quixote)
DJIBOUTI de Elmore Leonard (Teodolito)
ALGUMA ESPERANÇA e LEITE MATERNO de Edward St Aubin (Sextante)
O FILHO DE Philipp Meyer (Bertrand)
A CASA DA ARANHA de Paul Bowles (Quetzal)
A MULHER MAIS BONITA DA CIDADE de Charles Bukowski (Alfaguara)
TEATRO DE SABATH de Philip Roth (D. Quixote)
O TODO-MEU de Andrea Camilleri (Bertrand)
O TEOREMA KATHERINE de John Green (ASA)
CONTOS E NOVELAS I de Saul Bellow (Relógio d´Água)
AS LUZES DE SETEMBRO de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)
MAS É BONITO de Geoff Dyer (Quetzal)
LIBRA de Don DeLillo (Sextante)
RELATÓRIO DO INTERIOR de Paul Auster (ASA)
ALFABETOS de Claudio Magris (Quetzal)
MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier (Quetzal)
O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)
DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)
DANUBIO de Claudio Magris (Quetzal)


O Outro Lado do Paraiso de Paul Theroux (Quetzal)

"Foges em companhia de ti próprio: é de alma que precisas de mudar, não de clima" Séneca



O primeiro livro de Paul Theroux que li. Já há algum tempo que sucessivas indicações, de amigos e da crítica me diziam ser este um autor excelente no registo de livros de viagens. Disso são exemplos "O Grande Bazar Ferroviário" ou "O Velho Expresso da Patagónia". Há esperas que valem a pena. Esta é uma viagem interior. Um relato de um regresso a um sitio onde outrora se foi feliz. O protagonista Ellis Hock, depois de um divórcio tardio e de se desfazer dos negócios que mantinha, regressa a Lower River no Malawi. É a história, contada de forma superior de uma vida que permanece pendurada numa memória de felicidade anterior. Numa outra terra, num outro tempo e com outras personagens, vamos acompanhando este percurso de perseguição de um sonho. Com tudo o que os sonhos tem. Magia, sedução, saudade, dor, alegria, encanto e desencanto, num rumo que, como a muitos de nós acontece, parece a determinadas alturas não ter alternativa. Um excelente escritor, uma boa história. Um livro que merece ser lido. Mais um autor ao qual tenciono regressar também sempre que me for possivel.
Boas Leituras :)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

O MUNDO DE FORA de Jorge Franco (Alfaguara)
TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR de Flannery O'Connor (Cavalo de Ferro)
ROMANCE ACIDENTAL de Martha Woodroof (ASA)
OS SALTEADORES DO NILO de Steven Saylor (Bertrand)
O PACIFICO DE LÉS-A-LÉS de Michael Palin (Bizâncio)
ORGULHO E PRECONCEITO de Jane Austen (Ed. Presença)
D. QUIXOTE DE LA MANCHA de Miguel de Cervantes - Versão de Aquilino Ribeiro (Bertrand)
A CONVERSA DE BOLZANO de Sandor Marai (D. Quixote)
VIAGEM AO FIM DA NOITE de Louis-Ferdinand Céline (Ulisseia)
MONTEDOR de José Rentes de Carvalho (Quetzal)
O LEGADO DE HUMBOLDT de Saul Bellow (Quetzal)
AMORES E SAUDADES DE UM PORTUGUÊS ARRELIADO de Miguel Esteves Cardoso (Porto Editora)
PANICO NO SCALA de Dino Buzzati (Cavalo de Ferro)
TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR de Flannery O´Connor
VITORIA de Joseph Conrad (Ulisseia)
OS FACTOS de Philip Roth (D.Quixote)
DJIBOUTI de Elmore Leonard (Teodolito)
ALGUMA ESPERANÇA e LEITE MATERNO de Edward St Aubin (Sextante)
O FILHO DE Philipp Meyer (Bertrand)
A CASA DA ARANHA de Paul Bowles (Quetzal)
A MULHER MAIS BONITA DA CIDADE de Charles Bukowski (Alfaguara)
TEATRO DE SABATH de Philip Roth (D. Quixote)
O TODO-MEU de Andrea Camilleri (Bertrand)
O TEOREMA KATHERINE de John Green (ASA)
CONTOS E NOVELAS I de Saul Bellow (Relógio d´Água)
AS LUZES DE SETEMBRO de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)
MAS É BONITO de Geoff Dyer (Quetzal)
LIBRA de Don DeLillo (Sextante)
RELATÓRIO DO INTERIOR de Paul Auster (ASA)
ALFABETOS de Claudio Magris (Quetzal)
MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier (Quetzal)
O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)
DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)
DANUBIO de Claudio Magris (Quetzal)



Os Salteadores do Nilo de Steven Saylor (Bertrand)

"Uma aventura vale na medida em que é perigosa" Agostinho da Silva


Para quem acompanha as aventuras de Gordiano "O Descobridor" desde o primeiro numero da série Roma Sub-Rosa de Steven Saylor, haverá pouco a dizer. Para os demais, é sempre uma leitura descontraida a destes policiais passados na Roma Antiga, a maior parte deles em cenários e a acompanhar episódios históricos mais ou menos conhecidos, mas sempre excelentemente documentados.
Gostei, como sempre gosto deste registo informal escrito em cima de um conhecimento profundo da História desta era em que Steven Saylor é muito mais do que um mero especialista. Livros e histórias sem pretensões literárias mas que nos deixam algum conhecimento de usos e costumes de outras gentes e épocas.
Perfeito para o calor ( a história é passada no Egipto em 88 a.C.).
Boas Leituras :)

O MUNDO DE FORA de Jorge Franco (Alfaguara)
TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR de Flannery O'Connor (Cavalo de Ferro)
A MULHER MAIS BONITA DA CIDADE de Charles Bukowski (Alfaguara)
ROMANCE ACIDENTAL de Martha Woodroof (ASA)
O PACIFICO DE LÉS-A-LÉS de Michael Palin (Bizâncio)
ORGULHO E PRECONCEITO de Jane Austen (Ed. Presença)
D. QUIXOTE DE LA MANCHA de Miguel de Cervantes - Versão de Aquilino Ribeiro (Bertrand)
A CONVERSA DE BOLZANO de Sandor Marai (D. Quixote)
VIAGEM AO FIM DA NOITE de Louis-Ferdinand Céline (Ulisseia)
MONTEDOR de José Rentes de Carvalho (Quetzal)
O LEGADO DE HUMBOLDT de Saul Bellow (Quetzal)
AMORES E SAUDADES DE UM PORTUGUÊS ARRELIADO de Miguel Esteves Cardoso (Porto Editora)
PANICO NO SCALA de Dino Buzzati (Cavalo de Ferro)
TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR de Flannery O´Connor
VITORIA de Joseph Conrad (Ulisseia)
OS FACTOS de Philip Roth (D.Quixote)
DJIBOUTI de Elmore Leonard (Teodolito)
ALGUMA ESPERANÇA e LEITE MATERNO de Edward St Aubin (Sextante)
O FILHO DE Philipp Meyer (Bertrand)
A CASA DA ARANHA de Paul Bowles (Quetzal)
A MULHER MAIS BONITA DA CIDADE de Charles Bukowski (Alfaguara)
TEATRO DE SABATH de Philip Roth (D. Quixote)
O TODO-MEU de Andrea Camilleri (Bertrand)
O TEOREMA KATHERINE de John Green (ASA)
CONTOS E NOVELAS I de Saul Bellow (Relógio d´Água)
AS LUZES DE SETEMBRO de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)
MAS É BONITO de Geoff Dyer (Quetzal)
LIBRA de Don DeLillo (Sextante)
RELATÓRIO DO INTERIOR de Paul Auster (ASA)
ALFABETOS de Claudio Magris (Quetzal)
MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier (Quetzal)
O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)
DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)
DANUBIO de Claudio Magris (Quetzal)





Entrada nova


The Trip (2010) The Trip to Italy (2014)

Sabe quem me conhece que, quando a vida se começa a tornar demasiado igual a si própria, uma das coisas que mais prazer me dá e que me devolve algum nível de sanidade, é viajar com destinos o menos definidos possiveis.
 Não sendo o caso desta série televisiva ("The Trip" 2010) e posterior filme ("The Trip To Italy" 2014), que leva Steve Coogan e Rob Brydon, numa viagem, primeiro pelo Norte de Inglaterra e depois a Itália, em missão confiada por um jornal britânico, a visitar alguns muito bons restaurantes. E não é igual, porque, sendo menos "road trip" no meu sentido de ir e ir vendo, tem dois ingredientes absolutamente espetaculares e que são do que mais me agrada, a explosiva mistura entre Amizade e Boa Mesa.
Assim, fica mais uma sugestão para se divertirem com este par estranho e cómico e ficarem, como eu, a aguardar oportunidade para fazer o mesmo, nestas ou noutras estradas.
Estradas e restaurantes não faltarão, o Steve Coogen desta próxima viagem também já há, portanto, falta quase nada: tempo e dinheiro.
:)

 The Trip to Italy (2014)
The Trip (2010)


NÚMERO ZERO de Umberto Eco (Gradiva)

"Não conspira quem nada ambiciona" Sófocles


Este é um livro que se reconheceria de Umberto Eco de muitas formas. Abandona aqui Eco uma temática que tem sido presente em algumas das suas obras, o hermetismo e o esoterismo, mas recupera um tema que é um dos seus grandes talentos, uma teoria da conspiração. Para além de uma muito interessante análise de uma forma de fazer imprensa, que se nos afigura apesar de absurda ser possível, neste relato da vida breve de um jornal que não sequer para ser publicado. É um manual de edição informativa controlada nos seus mais diversos aspetos e tem momentos de grande humor. Tudo isto é desenhado com boas personagens e uma pequena história de amor. No entanto, e a verdadeira história dentro de todas estas é uma genial e, como a isto já nos habituou Eco, uma teoria alternativa sobre o destino final do “Duce” às mãos das forças libertadoras italianas. É o romance de Umberto Eco mais fácil e rápido de ler que me passou pelas mãos. Entre uma tarde e uma noite foi-se. Gostei, e aconselho vivamente a quem por estas alturas procurar leituras de qualidade com um tempero estival. Não posso dizer que tenha por todas as obras que li de Umberto Eco a mesma estima, mas esta é fácil de promover.
Boas Leituras!

O MUNDO DE FORA de Jorge Franco (Alfaguara)
O OUTRO LADO DO PARAÍSO de Paul theroux (Quetzal)
TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR de Flannery O'Connor (Cavalo de Ferro)
A MULHER MAIS BONITA DA CIDADE de Charles Bukowski (Alfaguara)
ROMANCE ACIDENTAL de Martha Woodroof (ASA)
OS SALTEADORES DO NILO de Steven Saylor (Bertrand)
O PACIFICO DE LÉS-A-LÉS de Michael Palin (Bizâncio)
ORGULHO E PRECONCEITO de Jane Austen (Ed. Presença)
D. QUIXOTE DE LA MANCHA de Miguel de Cervantes - Versão de Aquilino Ribeiro (Bertrand)
A CONVERSA DE BOLZANO de Sandor Marai (D. Quixote)
VIAGEM AO FIM DA NOITE de Louis-Ferdinand Céline (Ulisseia)
MONTEDOR de José Rentes de Carvalho (Quetzal)
O LEGADO DE HUMBOLDT de Saul Bellow (Quetzal)
AMORES E SAUDADES DE UM PORTUGUÊS ARRELIADO de Miguel Esteves Cardoso (Porto Editora)
PANICO NO SCALA de Dino Buzzati (Cavalo de Ferro)
TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR de Flannery O´Connor
VITORIA de Joseph Conrad (Ulisseia)
OS FACTOS de Philip Roth (D.Quixote)
DJIBOUTI de Elmore Leonard (Teodolito)
ALGUMA ESPERANÇA e LEITE MATERNO de Edward St Aubin (Sextante)
O FILHO DE Philipp Meyer (Bertrand)
A CASA DA ARANHA de Paul Bowles (Quetzal)
A MULHER MAIS BONITA DA CIDADE de Charles Bukowski (Alfaguara)
TEATRO DE SABATH de Philip Roth (D. Quixote)
O TODO-MEU de Andrea Camilleri (Bertrand)
O TEOREMA KATHERINE de John Green (ASA)
CONTOS E NOVELAS I de Saul Bellow (Relógio d´Água)
AS LUZES DE SETEMBRO de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)
MAS É BONITO de Geoff Dyer (Quetzal)
LIBRA de Don DeLillo (Sextante)
RELATÓRIO DO INTERIOR de Paul Auster (ASA)
ALFABETOS de Claudio Magris (Quetzal)
MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier (Quetzal)
O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)
DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)
DANUBIO de Claudio Magris (Quetzal)

 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

MÚSICA PARA ÁGUA ARDENTE de Charles Bukowski (Antígona)

"A estrada do excesso conduz ao palácio da sabedoria" William Blake


Charles Bukowski tem vindo a tornar-se para mim uma das leituras mais frequentes nos últimos tempos. Como já por aqui tive ocasião de referir, não será o autor mais consensual, muito longe disso. O caráter excessivo quer do autor quer da obra são suscetíveis de chocar os leitores mais sensíveis. Ou pode mesmo não ser de todo o género de quem quer passar por umas horas de leitura sem ser consecutivamente provocado. Tudo isso é bastante provável. Se, no entanto, se conseguir ultrapassar alguma barreira que o pudor imponha, entra-se num universo literário absolutamente único. Este “Música para Agua Ardente”, é uma coletânea de short stories que ilustram bem o que é um tipo de escrita único e do qual não se consegue distinguir o que separa a realidade da ficção. O alter ego Henry Chinaski faz aqui também bastantes aparições, o que contribui para adensar a dúvida entre realidade vivida e ficcional. Não que seja o mais importante. Apesar de tudo, do excesso, da relativa demência de alguns destes contos, avulta o poder da escrita. De uma escrita absoluta, sem cedências de qualquer tipo. Bukowski observa-nos de um sitio onde poucos chegam, e essa visão, se é assustadora por vezes, é do mais próximo da verdade que é possível encontrar. Aconselhável a quem entre neste mundo literário com a moral em ponto morto. É brutal, cru, duro, gráfico e genial. Não se pode pedir muito mais.
Boas Leituras!

O MUNDO DE FORA de Jorge Franco (Alfaguara)
NUMERO ZERO de Umberto Eco (Gradiva)
O OUTRO LADO DO PARAÍSO de Paul theroux (Quetzal)
TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR de Flannery O'Connor (Cavalo de Ferro)
A MULHER MAIS BONITA DA CIDADE de Charles Bukowski (Alfaguara)
ROMANCE ACIDENTAL de Martha Woodroof (ASA)
OS SALTEADORES DO NILO de Steven Saylor (Bertrand)
O PACIFICO DE LÉS-A-LÉS de Michael Palin (Bizâncio)
ORGULHO E PRECONCEITO de Jane Austen (Ed. Presença)
D. QUIXOTE DE LA MANCHA de Miguel de Cervantes - Versão de Aquilino Ribeiro (Bertrand)
A CONVERSA DE BOLZANO de Sandor Marai (D. Quixote)
VIAGEM AO FIM DA NOITE de Louis-Ferdinand Céline (Ulisseia)
MONTEDOR de José Rentes de Carvalho (Quetzal)
O LEGADO DE HUMBOLDT de Saul Bellow (Quetzal)
AMORES E SAUDADES DE UM PORTUGUÊS ARRELIADO de Miguel Esteves Cardoso (Porto Editora)
PANICO NO SCALA de Dino Buzzati (Cavalo de Ferro)
TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR de Flannery O´Connor
VITORIA de Joseph Conrad (Ulisseia)
OS FACTOS de Philip Roth (D.Quixote)
DJIBOUTI de Elmore Leonard (Teodolito)
ALGUMA ESPERANÇA e LEITE MATERNO de Edward St Aubin (Sextante)
O FILHO DE Philipp Meyer (Bertrand)
A CASA DA ARANHA de Paul Bowles (Quetzal)
A MULHER MAIS BONITA DA CIDADE de Charles Bukowski (Alfaguara)
TEATRO DE SABATH de Philip Roth (D. Quixote)
O TODO-MEU de Andrea Camilleri (Bertrand)
O TEOREMA KATHERINE de John Green (ASA)
CONTOS E NOVELAS I de Saul Bellow (Relógio d´Água)
AS LUZES DE SETEMBRO de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)
MAS É BONITO de Geoff Dyer (Quetzal)
LIBRA de Don DeLillo (Sextante)
RELATÓRIO DO INTERIOR de Paul Auster (ASA)
ALFABETOS de Claudio Magris (Quetzal)
MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier (Quetzal)
O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)
DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)
DANUBIO de Claudio Magris (Quetzal)