quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

2010 - Os Livros de que não falei.


No finalzinho de 2010, deixo aqui, tal como nos típicos jantares desta quadra, “os restos” para partilhar com os amigos.

Desde a primeira destas sugestões de leitura, que, no final da página há um conjunto de livros a que pomposamente chamo os da “mesinha de cabeceira”.

São aqueles que vou tendo para ler...

E, como tenho aqui repetido muitas vezes, apesar de ser um leitor compulsivo e de ler quase tudo, o facto é, que o quase também existe.

Há um certo número de livros que me passam pelas mãos, sejam oferecidos, comprados, recomendados ou emprestados cuja leitura não fui capaz de concluir.

Outros há ainda que li e não sugeri.

Há ainda outros, a maioria, que foram simplesmente ultrapassados pelo meu interesse noutros que entretanto me surgiram (alguns desses casos ocorreram quando li a trilogia Millennium de Stieg Larsson, por exemplo).

Assim, deixo aqui, para apreciação, e dividido entre o que li, o que não terminei, e os de que não gostei (mera opinião minha, que pode ser sempre rectificada se me derem incentivo bastante).

Digam coisas!

LIDOS e QUE NÃO APARECEM NA “ESTANTE”:

A CANDIDATA de Carlos Pereira Santos

O Castelo de Vidro de Jeannette Walls

COMEÇADOS E NÃO TERMINADOS

EU, ANIMAL de Indra Sinha

A VIAGEM DO ORIENTE de Le Corbusier

BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA de Pablo de Jevenois

CITAÇÕES E PENSAMENTOS DE FERNANDO PESSOA de Paulo Neves da Silva

NO CORAÇÃO DE ÁFRICA de William Boyd

O MONTE DOS VENDAVAIS de Emily Bronte

OS ANAGRAMAS DE VARSÓVIA de Richard Zimmler

INÉDITOS de Antoine de Saint Exupéry

ESCRÍTICA POP de Miguel Esteves Cardoso

NÃO GOSTEI E ABANDONEI A LEITURA

A CASA QUIETA de Rodrigo Guedes de Carvalho

PEREGRINAÇÃO DE ENMANUEL JHESUS de Pedro Rosa Mendes

A RAPARIGA QUE ROUBAVA LIVROS de Markus Zusak

EM LEITURA MAIS ATENTA E DEMORADA

EL INGENIOSO HIDALGO DON QUIXOTE DE LA MANCHA DE Miguel de Cervantes y Saavedra

AS BENEVOLENTES de Jonathan Litell


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A AMANTE HOLANDESA de J. Rentes de Carvalho (Quetzal)

Nas ligações do coração, como nas estações, os primeiros frios são os mais sensíveis BERNARD FONTENELLE

Cumprindo o que tinha prometido a mim próprio, aqui prossigo a minha descoberta particular do universo literário de J. Rentes de Carvalho. Este livro, “A Amante Holandesa”, não fez mais do que confirmar a impressão poderosa que me tinha deixado o primeiro que li, “Ernestina”. É um facto, J. Rentes de Carvalho é um escritor a sério. E digo isto alicerçado numa posição particular, de quem tem sempre, defeito meu decerto, preferido a literatura internacional ao que por cá se edita de autores nacionais. Irrita-me bastante a constante descoberta de “novos valores” e de “revelações”, que se vem a revelar, isso sim, grandes decepções para mim. É um pouco como se o futebol produzisse Eusébios e Maradonas em série, se é que me faço entender. Bem, retomando o tema e o autor, começo por dizer que, ao contrário de outras obras esta é-me dificil de classificar, ou encaixar numa das prateleiras mentais de que disponho para os livros. Uma hipótese será a de dizer que é um livro que vale por si. Não precisa de estar associado, a nenhuma obra nem a nenhum autor, para ser um grande livro. “A Amante Holandesa” é uma obra excepcional que nos revela o mundo interior de dois homens, dois amigos que se vão revelando, naquilo que são e sentem acerca da vida que tem, mas sobretudo da que não conseguiram ter. J. Rentes de Carvalho, pinta-nos as suas personagens juntamente com as paisagens e os sítios de onde elas nos falam. E se falam. Não é fácil encontrar alguém que nos conte histórias que vão para além de um bom enredo. Este livro tem-no, tem suficientes mudanças de direcção e surpresas para nos fazer por em causa o nosso próprio entendimento do que é cada um dos personagens, mas vai muito para além disso. Não nos revela sómente o que é cada um dos intervenientes, dá-nos o conjunto das suas angústias e frustrações, dá-nos a medida humana de cada uma das personagens, naquilo que revelam, mas sobretudo naquilo que escondem. É, como antes dizia, um livro que caí em nós e permanece. Deixa-nos uma sensação de profundidade, e paradoxalmente, um vazio muito grande quando termina. É mais um livro que vai para um lugar muito especial de entre todos que li. Estou absolutamente rendido ao talento de J. Rentes de Carvalho. Procurem e leiam, que estou absolutamente certo, que vão, como eu, recomendar. Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

Tempestade de William Boyd (Casa das Letras)

A Tapeçaria do Sinai de Edward Whittemore (Ulisseia)

O Homem que matou Getúlio Vargas de Jô Soares (EDITORIAL PRESENÇA)

Novas Entradas


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ASSASSINATOS NA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS de Jô Soares (Editorial Presença)

Feliz reencontro com um autor de poucos livros publicados. Para inicio de conversa adiantamos já que sim, este é o Jô Soares humorista, o de “Viva o Gordo” e dono de um dos talk shows mais influentes e antigos da TV brasileira. Tinha já lido em tempos o seu primeiro romance, do qual aliás fiquei com excelente impressão, e que aproveito aqui para também sugerir: “O Xangô de Baker Street”, uma deliciosa aventura de Sherlock Holmes no Brasil, escrita com humor e inteligência. Uma boa homenagem a Sir Arthur Conan Doyle, sem dúvida. Resolvi entretanto ir em busca de mais dois livros de Jô Soares, e do primeiro aqui estou a dar conta. Este “Assassinatos na Academia Brasileira de Letras” é mais um excelente romance policial. Num estilo muito próprio ao qual não é nada alheia a veia humorística do autor e a sua particular boa disposição. O tema versa sobre a ascensão às cadeiras da Academia Brasileira de Letras e o que, de certa forma, todos os interessados estão na disposição de fazer para atingir. É uma obra que ironiza com mestria sobre a condição humana, sobretudo a vaidade. Os crimes e a estrutura do livro são muito bem conseguidos. Há uma galeria de personagens perfeitamente credível, e um herói muito bem conseguido. O Comissário Machado Machado, assim mesmo, Machado de nome e Machado de apelido, assim baptizado por seu pai em homenagem a Machado de Assis, autor que o nosso Comissário cita em abundância. Os crimes, a sua sequência, os locais onde ocorrem, e acima de tudo, a “colagem” ao livro que leva a personagem do senador Belizário Bezerra a ser aceite na Academia de Letras, cujo tema é precisamente o assassinato dos membros da Academia, “coze” toda a trama e dá-nos um livro muito bem conseguido. Muito bem escrito, com muito humor e inteligência. Um policial que não se consegue parar de ler, da primeira à última página. Recomendo vivamente! Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

A Amante Holandesa de J. Rentes de Carvalho (QUETZAL)

O Homem que matou Getúlio Vargas de Jô Soares (EDITORIAL PRESENÇA)

Deve-se deixar a vaidade aos que não tem outra coisa para exibir” HONORÉ DE BALZAC


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Em leitura...



Andava há que tempos para ler isto, há algum tempo li "O Xangô de Baker Street" e adorei.
Estes estou a ler em simultâneo....

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

ERNESTINA de J. Rentes de Carvalho (Quetzal)

Toda a mulher acaba por ficar igual à sua própria mãe.Essa é a sua tragédia. Nenhum homem fica igual à sua própria mãe. Essa é a sua tragédia.” OSCAR WILDE

Ele há coisas do demónio! Anda um cristão a pregar contra uma certa categoria de “autores portugueses vivos”, e esbarra-se com um, que além de português parece estar dez vezes mais vivo que os outros. J. Rentes de Carvalho, que me foi dado a conhecer pelo meu particular Amigo Fernando Lopes, é um autor de sucesso...na Holanda!!! Pasme-se! Pasmo eu, agora que li este livro, pela minha bruta ignorância, que temo não ande sózinha nas hostes dos leitores, mais ou menos compulsivos, como eu. Este Senhor (com maiúsculas merecidíssimas) é um Mestre. Há muito, muito tempo, que nada de comparável me acontecia com um livro e um autor. Então português...estamos conversados. Se tivermos por inclinação ler algumas das coisas que a “genialidade” auto-proclamada da meia dúzia do costume, encontramos neste “Ernestina” um contraste de qualidade tal que faz com que certas “novas vozes” se eclipsem por comparação. Fiz, como é normal uma pequena pesquisa sobre o autor e a sua obra, meramente para enquadrar a minha opinião, que não muda por saber mais ou menos sobre quem escreve. Tento cingir-me à opinião sobre a obra e não sobre a vida dos autores. Se bem que no panorama luso, a vida de determinados autores, se bem que chata e desinteressante, consegue ainda assim, dar 10 a zero ao que escrevem. J.Rentes de Carvalho, a quem tentam colar um rótulo regionalista (por, também, escrever sobre Tras-os-Montes suponho), rótulo esse do qual discordo em absoluto. Neste “Ernestina”, que é um livro autobiográfico sobre a história da familia do autor e de sua Mãe, Rentes de Carvalho, transforma aquilo que poderia ser um exercicio de memória para satisfação pessoal, num dos livros mais descritivos, coloridos e brilhantes que tenho lido. Mais do que a ruralidade do Alto Douro, das suas histórias e peculiaridades, ficou-me uma visão do Porto absolutamente ímpar. Por limitação de espaço aqui na coluna para o jornal, não me posso alongar muito mais, mas voltarei a este autor, que, para enorme e feliz surpresa minha, me fez recordar “A Cidade e as Serras”, com personagens e propósitos diferentes, mas, e isto é que é o espantoso, tão bem escrito e descrito, (sem comparações, descabidas para qualquer dos lados), como o faria Eça de Queirós. Resta-me aconselhar entusiasticamente todos, a lerem este autor e a descobrirem a dupla “Ernestina”, que, por acaso, fecha a história com chave de ouro. Um clássico. Absolutamente impossível de parar de ler. Onde andava eu que não sabia disto? Muito, muito Obrigado Fernando Lopes!!!Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

Peregrinação de Enmanuel Jhesus de Pedro Rosa Mendes (D. Quixote)

domingo, 12 de dezembro de 2010

Ernestina de J. Rentes de Carvalho



Um autor "português vivo", descoberto (para mim) pelo grande Fernando Lopes, que pelo andar da leitura me vai fazer engolir tudo o que tenho dito sobre quem escreve em português...

Um autor que encarna o provérbio de não se ser profeta na sua terra...é "Big in The Netherlands."....

Á medida que vou lendo...vou ficando progressivamente envergonhado de não o conhecer há mais tempo...não por obrigação, mas pela falta que me fazem escritores a sério..

Obrigado Fernando pela apresentação e pelo empréstimo deste "Ernestina"....

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Trailer El secreto de sus ojos


Um dos melhores filmes de que me recordo.
Óscar de Melhor Filme Estrangeiro 2009
Para mim "O Melhor Filme de 2009"

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

5ª AVENIDA de Candace Bushnell ( Oficina do Livro)

Ninguém sobe tão alto como quem não sabe para onde vai CROMWELL

Continuamos pois, de acordo com o proposto na semana passada, a utilizar como pano de fundo para estas sugestões, a cidade de Nova Iorque. E, para alterar um pouco o registo de leitura, proponho um livro de Candace Bushnell. Esta autora, que dispensará mais apresentações que não sejam o de ser a autora de “Sexo e a Cidade” (coluna que a própria escrevia no “The New York Observer” e que deu origem a um best seller, à série televisiva com o mesmo nome e ainda a dois filmes de grande êxito comercial). Já tive oportunidade de ler outras obras da autora, e, se os ambientes e o tom, andam invariavelmente à volta do mesmo: mulheres jovens e euas ambições e frustrações em ambientes cosmopolitas e sofisticados, não é menos verdade que esta autora o faz melhor que ninguém. Como diz um autor que muito prezo, escrever simples é o mais dificil. E estes livros, são, para além de entretenimento garantido, de uma percepção de um determinado universo feminino a toda a prova. Este “5ª Avenida”, tem como marco central da história, um edificio em Manhattan, Nova Iorque. É um edificio especial, um endereço cobiçado e um simbolo de status. Nesta morada cohabita o dinheiro velho, com as grandes fortunas de arrivistas e novos-ricos. É da leitura que cinco mulheres fazem desse quotidiano novaiorquino em que o glamour e as pequenas e grandes ambições se cruzam, que a história se serve para nos oferecer mais um conjunto cruzado de vivências que, acima de tudo nos divertem e entretém. Já por várias vezes aqui defendi, que a chamada “literatura de aeroporto” não existe, pelo menos para mim. O melhor principio para julgar um livro é pelo que ele nos deixa depois de o terminarmos. Se, como neste caso, nos deixar uma sensação agradável, de termos entrado a convite de uma ou um escritor, num universo que normalmente nos estaria vedado, como é o deste “5ª Avenida”, e dele sairmos com satisfação, está mais que cumprido o seu papel enquanto livro, que é o de contar uma boa história. Este é assim, conta várias histórias, juntas pelo edifício do nº 1 da Quinta Avenida e fá-lo de forma excelente. A literatura não tem de ser densa, chata, difícil e por vezes impenetrável, para podermos dizer sem pudor que gostamos. Eu gostei, e por isso recomendo, até porque o ler, para mim, não é um dever, é um Prazer! Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

Peregrinação de Enmanuel Jhesus de Pedro Rosa Mendes (D. Quixote)


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

QUANDO O BRILHO CAI de Jay McInernay ( Edições ASA)

Corremos alegres para o precipício, quando pomos pela frente algo que nos impeça de o ver BLAISE PASCAL

Lembrei-me a propósito do livro da semana passada, de fazer uma espécie de série temática de sugestões. O tema presente e que se repetirá na próxima coluna também, é o de livros, que tenham por cenário a cidade de Nova Iorque. Este “Quando o Brilho Cai”, de Jay McInernay, é de 1984, e se o sugiro, é porque é, de facto, um romance invulgar. Quando é lançado, faz com que crítica especializada lance o nome de McInernay para o comando de uma nova vaga, ou nova geração de escritores norte-americanos com uma voz e registo próprios. É também o caso de Bret Easton Ellis, de quem já temos sugerido obras aqui (relembramos que “Menos que Zero”, de B.E.Ellis, é lançado em 1985), e há inclusivamente apropriação de personagens por um e outro destes autores, chegando B.E.Ellis, a incluir o próprio McInernay, numa cena do seu mais recente “Lunar Park”. Mas, pormenores à parte, este livro tem vários motivos de interesse. O mais importante, é, o de continuar actual, na essência do que descreve. Se bem que o cenário é temporalmente localizado, a Nova Iorque dos anos 80, a Nova Iorque dos excessos, da “cena yuppie”, das festas e da forma de viver de um determinado estrato social, o seu conteúdo permanece absolutamente reconhecível. O romance é, desde logo, pouco típico. É narrado na segunda pessoa, o que não é frequente: “Tu não és o tipo de pessoa, para estar neste sitío, a estas horas da madrugada...”, começa assim,em tradução livre, este magnifico “O Brilho cai”. A juntar a detalhes que o diferenciam de outros romances, neste o personagem não tem nome. É uma viagem ao quotidiano de um novaiorquino que, durante o dia trabalha como verificador de factos para uma revista de referência ( o que o autor também fez, tendo exercido essas funções na Harper´s Bazaar e na The New Yorker), enquanto à noite é um assíduo frequentador de festas e consumidor compulsivo de cocaina. É o retrato desta personagem, o talvez o retrato de Nova Iorque vista pelos seus olhos, que nos deixa este livro. A personagem principal, abandonada pela mulher (esta com direito a nome, Amanda) recusa-se a encarar esse facto e age como se a mulher ainda vivesse com ele, desenvolvendo até uma relação de obsessão por todos os objectos, que, em casa dele, a recordam. É mais um magnífico retrato de uma grande cidade, vista por um olhar particular e de um angulo de visão pouco frequente. É um excelente livro, de um excelente escritor. Não percam! Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

Peregrinação de Enmanuel Jhesus de Pedro Rosa Mendes (D. Quixote)



terça-feira, 23 de novembro de 2010

AS LOUCURAS DE BROOKLYN de Paul Auster (ASA)

Toda a gente está mais ou menos louca em algum aspecto” RUDYARD KIPLING

Ao ler este livro, este delicioso retrato de uma certa América conteporânea que confluí em Brooklyn, descobri um outro Paul Auster. Confesso que a ultima obra que tinha lido, “Viagens no Scriptorium”, não me tinha agradado muito. Há como em muitos dos grande autores de hoje, uma certa tendência para, por vezes cederem a experimentalismos literários que nem sempre dão bom resultado. Opinião minha, pessoal e intransmissível, neste caso. Mas este “As Loucuras de Brooklyn” é um romance, com um a história recheada de outtas tantas, nem por isso menores. Mas é sobretudo a vida na sua plenitude que nos é oferecida aqui. Há uma personagem central, Nathan, que regressa a Brooklyn depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro. É uma vida a prazo. Como todas certamente, mas esta possivelmente com um termo mais anunciado. E é no quotidiano de Nathan, dos seus reencontros com a vida nos seus mais infímos e gloriosos pormenores que também nós nos reencontramos com a alegria de ler Paul Auster. Tenho para mim, que a simplicidade é o mais dificil de atingir, na literatura como em muitas outras coisas. Aqui está espelhado o génio das coisas simples. É uma jornada passada numa época definida da história da América, antes da eleição de George Bush, marcada pelos acontecimentos da recontagem de votos da Florida, e que vai até antes do 11 de Setembro e do ataque às Torres Gemeas. Há a construcção de uma galeria de personagens que se podem com facilidade reconhecer, o sobrinho Tom, o patrão de Tom, Harry, a familia de Nathan e uma série de figurantes que tornam completa a história. Paul Auster transforma Brooklyn num cadinho onde se misturam toas as idiossincracias da América que julgamos conhecer. É um livro excelente. Uma história suave e com muita esperança dentro. Tem momentos muito bons, a ideia da obra que nathan se propõe complilar, o conceito introduzido por Harry do “Hotel Existência”, a própria trajectória de Tom, de possivel eminencia académica à queda para motorista de taxi, passando por vendedor de livros usados até a um final inesperado. Enfim, um pouco de tudo, misturado com um pouco de todos, numa jornada rumo aquilo que de facto podemos esperar de nós e dos outros. Um feliz regresso a um autor que me andava a “fugir”. Obrigado à Xana, minha Querida Amiga, que teve a gentileza de me o oferecer.Boas Leituras!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A CIDADE E AS SERRAS de EÇA DE QUEIRÓZ (Livros do Brasil)

A Máquina não isola o Homem dos grandes problemas da Natureza, mas insere-o mais profundamente neles ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY

Esta semana, a minha proposta é um dos meus livros favoritos de sempre.Já o li, vai para uns vinte anos, mas ainda permanece em mim toda a história, e o sentido que lhe subjaz. Podia começar por dizer, que Eça de Queiróz é, e será para mim, o autor português que mais prazer me dá ler. Ainda não lhe encontrei uma obra que fosse menos boa. Não li tudo, é certo, mas do que li formei esta opinião. A forma como descreve personagens e ambientes, a inteligência com que identifica e caracteriza cada um dos intervenientes nos seus romances, a ironia e o humor com que pontua a narração, são no minimo brilhantes. Temos vários exemplos na sua obra de personagens que se tornaram “clássicos” e por isso mesmo intemporais. A escolha é abundante, desde o Conselheiro Acácio de “O Primo Basilio”, passando pelo Padre Amaro, até ao, para mim genial Jacinto de Tormes deste “A Cidade e as Serras”. A actualidade, que se atribui de forma geral ao que Eça escreveu, deve-se, na minha modestíssima opinião, à sua capacidade ímpar para identificar e retratar os vícios e as tentaçõeshumanas, mas também, e mais ainda, de identificar uma certa atitude muito portuguesa de encarar a vida. De regresso à sugestão de leitura desta semana, esta sim, absolutamente essencial para quem diz gostar de ler, e como não gosto muito de antecipar enredos, direi apenas que é uma romance que versa sobre a inutilidade de uma certa e excessiva abundância material. Jacinto de Tormes, que vive em Paris, no célebre 202 dos Campos Elíseos, (um dia em outra crónica falarei de endereços literários famosos), cercado do maior luxo e obcecado com tecnologias e engenhocas. Num processo de progressivo desencanto, exemplarmente contado pelo narrador, o amigo José Fernandes, troca essa vida de fausto por um regresso a Portugal, a Tormes, casa-mãe de sua familia, no Douro, onde vai reencontrar a vida numa forma mais simples. Este livro, conta a história de um caminho que se faz, rumo ao equlibrio entre o material e o espiritual na vida. Temos muito do Jacinto de Paris nas nossas vidas. Façamos pois essa viagem com ele, rumo a uma realidade mais simples, mas seguramente não menos Feliz. Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

Peregrinação de Enmanuel Jhesus de Pedro Rosa Mendes (D. Quixote)

As Loucuras de Brooklyn de Paul Auster (ASA)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O NOME DA ROSA de UMBERTO ECO (DIFEL)

Temei os profetas e aqueles que estão dispostos a morrer pela verdade, pois, em geral, farão morrer muitos outros juntamente com eles, frequentemente antes deles, por vezes no lugar deles UMBERTO ECO

Dei por mim absolutamente surpreso por nunca ter proposto nada de Umberto Eco. Encontro explicação no facto deste autor não ter muitos romances publicados, e o ultimo já levar uns anos (“A Misteriosa Chama da Rainha Loana”). Mas a verdade, é que se retirarmos esse derradeiro, publicado em 2004, já os li todos. Foi e é para mim o referêncial do que é a verdadeira escrita inteligente, erudita e nem por isso menos acessivel. Para começar, e porque este “O Nome da Rosa” nem sempre é convenientemente lembrado como leitura, pelo facto de já se terem passado 30 anos da sua primeira publicação, é bom que se chame gente que, porventura por ser mais nova, ou simplesmente porque nunca lhe sugeriram nem o livro nem o autor, o procurem. Sei também, que todos os livros que foram passados ao cinema sofrem desse complexo de comparação. Existe também o debate, se é melhor ler os livros e depois ver os filmes,( o que, no meu caso origina em 90% das vezes que, o filme me desiluda) ou o inverso, que se torna (na minha opinião também), menos bom para o livro porque já lhe conhecemos a estória. Bem: Adiante. A qualidade deste livro, é absoluta e completamente independente do visionamento do filme. É uma obra fenomenal. Um romance histórico, com um enredo policial fabuloso. Eco faz deste romance (que é o livro que o projecta internacionalmente como romancista) uma homenagem a Arthur Conan Doyle e às suas personagens Sherlock Holmes e Watson. Os detectives d´”O Nome da Rosa” são, Guilherme de Baskerville (referencia óbvia ao “Cão dos Baskerville” de Conan Doyle) e Adso de Melk (que é o narrador e simultaneamente um anagrama de Watson, que como se sabe também era o narrador das aventuras de Sherlock Holmes). Há ainda uma personagem que homenageia Jorge Luis Borges (Jorge de Burgos, também ele cego) e, a somar, há um enredo que encerra uma busca por uma obra de Aristóteles sobre a natureza do Riso, que colidiria com os principios da Igreja Católica Medieval. Crimes aparentemente inexplicáveis , uma bibiloteca fantástica, personagens fabulosas e uma descrição da Idade Média e dos seus ambientes ao alcance de muito poucos. Muito para além do que nos oferece a mera perspectiva da versão filmada, este livro é daqueles que a não ter sido lido constitui uma perda que não se deseja a ninguém. Ao resto da obra, regressarei em breve, para falar do magnifico “Pendulo de Foucault”, a “fonte” de todo um manancial de obras, que versam o hermético e o esotérico, e que se vulgarizaram entretanto. Imprescindível! Boas leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

Peregrinação de Enmanuel Jhesus de Pedro Rosa Mendes (D. Quixote)

As Loucuras de Brooklyn de Paul Auster (ASA)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

VÍCIO INTRÍNSECO de Thomas Pynchon (Bertrand)

“O que o povo chama vício é eterno; o que chama virtude é apenas moda” BERNARD SHAW

Acabado que está este “Vício Intrínseco” de Thomas Pynchon, há algo que me confunde. Este foi e é, o único livro que li deste autor. E é, no minímo incaracterístico, que, um autor, que vinha à partida integrado na “shortlist” para o Nobel deste ano, de entre o contingente de habituais favoritos norte-americanos, saía com um romance deste quilate. Para me fazer explicar melhor, este romance será um policial, com uma particularidade que o atravessa. Introduz-nos um personagem Larry (Doc) Sportello, um detective privado, que, tem por principal característica passar a vida debaixo do efeito de narcóticos ( e alista é longa). O romance que poderá ser descrito como um policial, com um enredo intrincadíssimo,e uma fluidez assinalável. É muito divertido e Pynchon demonstra grande inteligência e sobretudo poder criativo. Mas o que me causa um pouco de estranheza é mesmo a temática. Pynchon inventa aqui um aspirante a Sam Spade ou a Philip Marlowe, mas mergulha-o de tal forma num universo alternativo ( a “cena” hippie e surfista californiana dos final dos anos 60) que a trama se torna num verdadeiro turbilhão de “pistas” e direcções, nem sempre bem atadas no final. Dá de facto a ideia de um romance policial alternativo, com uma paisagem bem urdida de referências à cultura pop e ao submundo de uma Los Angeles que vive entre a praia, o surf e um catalogo de substâncias fumáveis e inaláveis mais ou menos inesgotável. Para quem espera uma escrita “Nobelizável”, em tudo que o termo encerra de alguma sobranceria e quiçá, pretensa intectualidade, pode não ser uma boa surpresa. Para quem, como eu, gosta de ler novos autores e formas de escrita singulares, este “Vicío Intrinseco” é obra de um Ás. Se somarmos a um guião de circulos nem sempre concêntricos, de crimes e pseudo-crimes, a descrição dos ambientes, a criação de personagens ímpares e muitos momentos de humor, damos conta que encontramos um autor que vale a pena seguir. É um livro dificilmente classificável, quer em género, quer na avaliação de gosto. Penso que deve situar-se um pouco na fronteira do amor/ódio, ou se gosta, e muito, como foi o meu caso, ou se deve detestar em absoluto. De todas as formas aconselho vivamente. Não penso parar por aqui a minha “descida” ou “subida”, (o futuro o dirá), a mais um universo privado de um escritor que congrega à partida um grande numero de seguidores e elogios pouco habituais por parte da crítica especializada.Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

Peregrinação de Enmanuel Jhesus de Pedro Rosa Mendes (D. Quixote)

Vício Intrínseco de Thomas Pynchon

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

MARINA de Carlos Ruíz Záfon (Planeta)

“As nossas tragédias são sempre de uma profunda banalidade para os outros” OSCAR WILDE

Conforme prometi, comecei a “dar caça” aos titulos de Carlos Ruíz Zafón. Este “Marina”, agora editado entre nós pela Planeta, é no entanto, anterior cronológicamente na obra do autor ao seu grande sucesso, e objecto de sugestão aqui na “Estante”há apenas três edições atrás. O autor destaca este livro como o seu favorito, e bem sei, que de entre os “filhos” alguns haverá que por um motivo ou outro ou numa altura ou outra nos são ou parecem mais chegados. A minha opinião não vai no sentido de estabelecer se “Marina” é melhor que a Sombra do Vento” ou de outra das obras do autor. Vai mais no sentido da confirmação. Uma confirmação positiva de um grande nome no panorama literário contemporâneo. “Marina” confirma tudo que tinha lido e sentido com a “Sombra do Vento”. Há sempre estórias dentro de estórias, e neste, há três estórias de amor e morte, e sobretudo a estórias de Óscar e Marina, que se divide em dois andamentos, a sua própria estória e a “aventura” que nos vão desvendando com a investigação que desenvolvem ambos. Voltamos a uma Barcelona de fantasia, a personagens e cenários, macabros, góticos, tétricos e fantasmagóricos por vezes. Com as habituais descrições de ruas, becos, edificios fantásticos e uma descida à cidade sobre a cidade. Há um vilão que é também uma vitima ( o que reocorre em A Sombra do Vento), e há sobretudo um cenário de génio, há também uma espécie de “génio do mal” em versão gótica, um pequeno exercito de criaturas semi-humanas, mutantes perversos resultado de um exercicio de “médico louco”, mas há sobretudo um fio condutor absolutamente electrizante que percorre toda a obra. Há sobre toda a obra um timbre indissociável deste autor, que desce às mais negras profundezes da alma humana com a mesma facilidade com que exalta as virtudes e a pureza do género. É magistral. Dá-nos imagens de amores profundos e paixões absolutas, umas negras e trágicas, outras de uma inocência e suavidade tal que impressiona. Dá-nos também misturas de sensibilidade e horror, do macabro com o terno e oferece-nos um final arrepiantemente triste, mas profundamente humano.Carlos Ruíz Zafón, é um daqueles autores, e é o maior elogio que um leitor pode fazer, que nos deixa absolutamente vazio ao terminar os seus romances. Vazio, no sentido de nos ter roubado algo de intangível, ou se quisermos ser mais concretos, de nos ter roubado com o fim do livro o prazer de o continuar a ler. É raro. Aconselho vivamente. Boas leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

Vício Intrínseco de Thomas Pynchon (Bertrand)

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

Peregrinação de Enmanuel Jhesus de Pedro Rosa Mendes (d. Quixote)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O POVO DE GUIMARÃES SUSPENDE EDIÇÃO EM PAPEL

Estante 50 - Crónica de Uma Morte Anunciada de Gabriel Garcia Marquéz (D. Quixote)

“Se a morte fosse um bem, os deuses não seriam imortais” Safo

Peço antes de mais perdão pela troca do livro de que falarei esta semana. Penso no entanto que se justifica a alteração do titulo a sugerir, devido aos factos que certamente encontrarão explicados em outras análises feitas nesta edição do Jornal. Este pequeno/grande livro é uma obra-prima. Para ser sincero e focado no que realmente importante, a estória em si, não é fabulosa, é até uma estória simples. O que espanta é o conceito, e sobretudo tudo que lhe anda associado. A frase de abertura é um clássico (como aliás em quase todos os melhores livros de Gabriel Garcia Marquez, as frases de abertura são absolutamente marcantes) e todo o livro nos remete, atravez de Santiago Nassar, seu interprete e personagem maior, para a inevitabilidade da morte. Poderiamos aqui, como aliás seria fácil e até lógico a este respeito, fazer uma analogia entre as poucas horas de vida de Santiago, que está jurado de morte e finitude da vida em geral. Mas entendo que não é esse o meu papel nestas pequenas sugestões de leitura. O que se pretende aqui é estender um pouco o meu entusiasmo pessoal por algumas obras e autores e procurar, de uma forma mais ou menos descontraída partilhá-lo. Este livro, que é uma novela curta, por comparação com as obras de maior fôlego de Garcia Marquéz, sempre me pareceu, e essa sensação ainda se mantem, um excelente inicio para uma viagem à obra do autor. Isto para quem, por infelicidade ou simplesmente ter optado por outros caminhos literários, não conheça, o que, pelo menos para mim, é o maior expoente da corrente a que se convencionou chamar de “realismo mágico” e que brota sobretudo das mãos de autores sul-americanos. É uma sugestão que considero prioritária e, se me permitem, indispensável. Termino esta minha 50ª Sugestão de Leitura aqui no Povo de Guimarães, numa data em que a publicação deste semanário vai ser suspensa para se encontrar forma sustentada de manter no futuro, este titulo da Imprensa local e regional. Faço votos de sucesso a todos os que de uma outra forma se encontram ligados à resolução deste problema, para que se empenhem o máximo em não deixar terminar um projecto que ao longo de mais de três décadas me habituei a dar como adquirido no panorama da já se si riquissima (não em meios mas em pessoas) Imprensa Vimaranense. Aguardemos pois melhores notícias. No entretanto, Até Sempre e Boas leituras!

PARA A SEMANA: Continuaremos a ler...

Na Mesinha De Cabeceira:

Vício Intrínseco de Thomas Pynchon (Bertrand)

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

Peregrinação de Enmanuel Jhesus de Pedro Rosa Mendes (d. Quixote)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Quartos Imperiais de Bret Easton Ellis (Teorema)

“Estimamos pouco aquilo que obtemos com demasiada facilidade” Thomas Paine

Este livro que hoje se sugere, é a continuação de “Menos que Zero”, o romance de estreia de Bret Easton Ellis, e que o tornou num dos nomes mais sólidos entre os romancistas norte-americanos do ultimo quartel do Séc.XX. Sobre “Menos que Zero” já aqui se falou em crónica anterior desta “Estante”. Esta continuação tem uma particularidade que a torna invulgar. É escrita decorridos vinte e cinco anos da vida de todos os implicados, autor e personagens do livro. O registo é o mesmo. A desilução, o ambiente distópico, niilista, o profundo egoismo das personagens e as situações levadas sempre ao extremo. Se em “Menos que Zero” esse registo é absolutamente inovador e causa choque, neste “Quartos Imperiais”, esse efeito já não surge. Por razões óbvias. Já estamos à espera que Ellis nos faça experimentar cenários e personagens extremas. Não é contudo pelo elemento choque que este livro deve ser lido. Deve ser lido, antes de mais por quem leu e gostou de “menos que Zero” ou de quaisquer uma das demais obras de Bret Easton Ellis, porque é uma continuação, muito bem engendrada, diga-se, da vida desregrada e com um sentido que nos escapa, da galeria de figuras anteriormente criadas. Se “Menos que Zero” foi um retrato de uns anos oitenta focalizado na absoluta ausência de valores e de expectativas para estas personagens, o presente como se pode constatar, não melhora em nada a impressão inicial. Bret Easton Ellis, é um grande e magistral autor, que, como já o disse anteriormente, não o será para todos. Os seus livros são tudo menos consensuais. Mas é bom ver um romance que após um quarto de século, dá um espantoso sinal de vida, ao voltar a apresentar-nos uma realidade que vemos, normalmente, muito pela superficie. Não é, de perto nem de longe como o primeiro romance, mas vale a pena encontrar as diferenças, ou as semelhanças, entre o grupo de adolescentes sem futuro que Ellis retratou nos anos oitenta e os adultos sem presente que retrata hoje. Se não o tiverem feito já, leiam o “Menos que Zero” antes deste “Quartos Imperiais”.Vale a pena. Boas leituras!

PARA A SEMANA: MARINA de CARLOS RUIZ ZAFÓN (PLANETA)

Na Mesinha De Cabeceira:

El Ingenioso Hidalgo Don Quixote De La Mancha De Miguel De Cervantes Y Saavedra

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

Peregrinação de Enmanuel Jhesus de Pedro Rosa Mendes (d. Quixote)

A Casa Quieta de Rodrigo Guedes de Carvalho

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

And the Nobel goes to.....

Mario Vargas Llosa


A Sombra Do Vento De Carlos Ruiz Zafón (Dom Quixote)

“O escritor original não é aquele que não imita ninguém, mas sim aquele que ninguém pode imitar” François Chateaubriand

Partilho esta sugestão ainda na ressaca desta leitura . Há já algum tempo, e bastantes mais livros que não tinha gostado tanto de uma obra. Sei que provavelmente virá a destempo esta sugestão. Quero crer que serei um dos ultimos a descobrir Carlos Ruiz Zafón e este “A Sombra do Vento”. Seria justo que assim fosse. É absolutamente magistral. Uma estória excelente, escrita de forma superior. Um tratado de amor e ódios, todo ele tecido sobre a estória de um outro livro. Uma galeria de personagens absoluta e inesquecível. Um livro que não se consegue parar de ler, que o diga a ultima noite quase em branco em que o terminei. Com aquela sensação, que infelizmente poucos livros nos dão, de que gostariamos de ver a estória continuar, pelo imenso prazer que nos deu. É um livro que se termina com pena. Que se tenta “fazer render” e esticar nas horas, mas que nos arrasta com ele para uma viagem vertiginosa. Um livro que mistura géneros (ou será simplesmente um género em si!) É, para mim, uma descoberta, uma muito, muito boa revelação, de um autor já conhecia de nome e por referências de amigos. Faz-me feliz pensar que há novos autores com esta qualidade. Entra directamente para os meus favoritos. Há muito tempo que tal não acontecia. Como em muitas coisas na vida, quando nos sentimos confortáveis dentro daquilo que conhecemos, por vezes, deixamos de procurar coisas novas. Isso acontece-me muito fruto da minha predilecção por um grupo restrito de autores, dos quais sempre espero com ansiedade o próximo livro. Mas a ficção, tal como a vida, ultrapassa-nos sem nos pedir licença. Assim, mais do que sugerir, se pudesse, fazia deste livro leitura obrigatória. Para ilustrar o que é um livro dentro de um livro, o que são personagens reais, o que é a geografia das relações e sobretudo como se conta uma boa estória. Está aqui tudo. O derradeiro elogio, será mesmo o de repetir que é um livro que se termina com pena. Que se gostava que pudesse continuar. Não sendo possivel isso, partirei em busca de outras obras deste autor, das quais vos darei conta a seu tempo. Boas Leituras!

PARA A SEMANA: QUARTOS IMPERIAIS de Bret Easton Ellis (Teorema)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

EL INGENIOSO HIDALGO DON QUIXOTE DE LA MANCHA DE MIGUEL DE CERVANTES Y SAAVEDRA

AS BENEVOLENTES DE JONATHAN LITELL (D. QUIXOTE)

PEREGRINAÇÃO DE ENMANUEL JHESUS DE PEDRO ROSA MENDES (D. QUIXOTE)

A CASA QUIETA DE RODRIGO GUEDES DE CARVALHO

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Pelo Correio


Um grande, enorme abraço, ao meu querido Amigo Miguel Carvalho, que me enviou por correio este livro do Alfredo Mendes,(a quem aproveito para saudar também.)
Depois do livro sobre o " Café Piolho", este sobre os falares "à moda do Porto".

Muito Muito Obrigado!!!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Entradas Frescas


Este foi oferecido pelo Grande Fernando Lopes ;)


Este foi o meu amor que me ofereceu...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Nobel de Literatura será anunciado a 7 de Outubro

O Prémio Nobel da Literatura será anunciado na próxima quinta-feira, 7 de Outubro, às 13h00 em Estocolmo (12h00 em Portugal Continental), anunciou a Academia Sueca.

Let´s see....

a máquina de fazer espanhóis de valter hugo mãe (objectiva)

“só damos pelo envelhecimento dos outros” andre malraux

pensei escrever a crónica desta semana integralmente em minúsculas. por razões óbvias. é a marca registada deste autor. antes de entrar no livro propriamente dito, permitam-me algumas considerações prévias. como em muitas coisas na vida, o excesso de proximidade mata o respeito e muitas vezes a admiração. tem sido assim a minha relação de leitura com a maior parte daqueles a quem englobo na categoria de “autores portugueses vivos”. muitas vezes, senão a maior parte, acabamos por ler e ouvir estes autores a dissertarem sobre a sua obra com uma certa sobranceria e a serem corporativamente glorificados uns pelos outros. não desminto que essa impressão, era a que tinha deste autor. ouvi e li algumas entrevistas dele e li também suficiente criticas sobre a obra. o ambiente literário indígena, muito por causa disto, faz-me “pele de galinha” e põe-me em modo automático de rejeição. sei que é um preconceito parvo (como quase todos os preconceitos). a somar a isso há ainda alguns artificios de estilo, como escrever em minúsculas (ou sem pontuação) que me cheiram logo não a arte mas a marketing. de todas as formas, este vinha recomendado e emprestado por um grande amigo e compadre leitor, pelo que, “fui ver como era para contar como foi”. assim, tendo partilhado esta minha visão que enferma destes defeitos, tenho-vos a dizer que gostei. e gostei bastante. e, se a personagem do autor me causava alguma dúvida, e reporto-me a tudo que acima disse, também tenho que ser justo e dizer que valter hugo mãe (que, para utilizar a piada mais óbvia é hugo por parte da mãe, e mãe por parte do pai J) é um escritor com maiúsculas. este livro merece ser lido e mais do que isso mereceu ser escrito. é um retrato íntimo da velhice, das grandes perdas e pequenas vitórias que lhe estão associadas. não é lamechas, não é falsamente erudito, não é pretencioso, e sobretudo fala-nos de um caminho que pode ser o nosso. é bom ter surpresas assim. e acima de tudo, como vou aprendendo aos poucos, não se deve “negar à partida uma ciência que se desconhece”. este senhor tem livros dentro dele. e mais do que fazer espanhóis, fez um bom livro, (e aproveitando uma ideia do próprio livro,) é uma obra “com metafísica”. leiam e digam coisas. boas leituras!

para a semana: a sombra do vento de carlos ruiz zafón (dom quixote)

na mesinha de cabeceira:

el ingenioso hidalgo don quixote de la mancha de miguel de cervantes y saavedra

as benevolentes de jonathan litell (d. quixote)

peregrinação de enmanuel jhesus de pedro rosa mendes (d. quixote)

a casa quieta de rodrigo guedes de carvalho

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Esta Semana...

AS VIAGENS DE GULLIVER de Jonathan Swift (Civilização)

Viajar é nascer e morrer a todo o instante” Victor Hugo

Viajo a uma sugestão de leitura que dita essencial para qualquer estante que se preza. As Viagens de Gulliver de Jonathan Swift (que tem um titulo bastante mais sugestivo e interessante no original, mas que aqui rouba espaço à crónica. Erradamente confundido com um titulo infantil ou juvenil (não sei se será por isso que está no Plano Nacional de Leitura para o 6º Ano de Escolaridade, concordando que lá esteja se conseguir transmitir o verdadeiro significado e alcance da obra, o que não me parece assim tão fácil). Falo por mim, li este magnifico livro quando tinha quinze ou dezasseis anos e voltei a lê-lo após umas boas duas décadas. O que de lá se retira é completamente diferente. É um livro que cresce connosco, e ao qual vamos removendo camadas sobre camadas de ironia e sarcasmo, para lhe ver o sentido real. O mais provável será, se considerarmos este um livro infanto-juvenil, que não lhe retiremos mais do que o primeiro capitulo, o mais conhecido e aproveitado, a viagem a Lilliput, mas seria uma enorme perda não conhecer as outras fantásticas aventuras de Lemuel Gulliver. Logo de seguida temos Brobdingnag, a antítese de Lilliput, também excelente. Temos as viagens seguintes a sítios mais ou menos impronunciáveis, o episodio da ilha voadora, um dos melhores, e para abreviar porque há algumas viagens mais, todas elas deliciosas, fico-me pela minha favorita que é à terra dos Houyhnhnms, uma parábola em que os cavalos se comportam como homens civilizados e os homens (aqui os Yahoo) como uma raça verdadeiramente inferior. A juntar a todos estes motivos, podemos ressaltar um que não é de somenos, o humor, às vezes negro, que Jonathan Swift consegue emprestar à maior parte da obra. Não é uma sugestão que encerre em si uma novidade, mas é um livro que sempre que se lê se encontram novos motivos de interesse. Se não leram, não percam. Se já leram, tentem uma outra vez e darão por vós a ver as mesmas situações de forma diferente. Garanto que vão gostar. Boas Leituras!

PARA A SEMANA:

NA MESINHA DE CABECEIRA:

EL INGENIOSO HIDALGO DON QUIXOTE DE LA MANCHA de Miguel de Cervantes y Saavedra

AS BENEVOLENTES de Jonathan Litell (D. Quixote)

PEREGRINAÇÃO DE ENMANUEL JHESUS de Pedro Rosa Mendes (D. Quixote)

a máquina de fazer espanhóis de valter hugo mae (objectiva)

A CASA QUIETA de Rodrigo Guedes de Carvalho



sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O COMPLEXO DE PORTNOY de Philip Roth (D. Quixote)

“A Sociedade, a familia e o Homem expiam incessantemente a culpa do Homem, da Familia e da Sociedade " Camilo Castelo Branco

Acerca de Philip Roth poderiamos encher várias colunas. Um dos maiores escritores contemporâneos e um dos expoentes máximos da literatura norte- americana do Séc. XX e já deste corrente XXI. Podemos destacar, entre outras obras, «Goodbye, Columbus»(1959), o seu primeiro grande sucesso, o presente «O complexo de Portnoy» (1969), «Pastoral Americana» (1997), «Casei com um comunista» (1998) e «A Mancha humana» (2000), estes ultimos que constituem a sua “trilog1a americana” e que datam da década de 90. Este “O Complexo de Portnoy” é um portento de humor, muitas vezes gráfico demais nas descrições, directo e escabroso, aborda dois temas de forma indissociavel, o sexo e a culpa. Num registo que nos remete para um filme de Woody Allen (é a melhor analogia que posso encontrar, e há de facto muito em comum na obra des dois geniais autores) este relato na primeira pessoa de Alexander Portnoy sobre a sua vida numa familia e comunidade judaica é absolutamente impagável. As obsessões, a compulsão, e as manias de Portnoy, transformam-no, de facto, numa das mais geniais criações literárias de sempre enquanto personagem. Este relato íntimo, num registo confessional, já que é feita ao psicanalista de Portnoy, o Dr. Spielvogel, em que se abordam todas as vissicitudes da vida em familia de Portnoy, com destaque para a omnipresença da figura da mãe e do ambiente familiar que o oprime. Mas sobretudo o sexo, aqui retratado enquanto mania, fazem deste livro algo de absolutamente genial e imperdível. Assim como no titulo do primeiro Capitulo do Livro, também se pode dizer da personagem central que é “A personagem mais inesquecivel que já conheci”. Apesar de decorridas quatro décadas desde a primeira publicação este é daqueles livros realmente intemporais. Para ler. Obrigatóriamente! Boas Leituras!

PARA A SEMANA: AS VIAGENS DE GULLIVER de Jonathan Swift (Civilização)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

EL INGENIOSO HIDALGO DON QUIXOTE DE LA MANCHA de Miguel de Cervantes y Saavedra

AS BENEVOLENTES de Jonathan Litell (D. Quixote)

PEREGRINAÇÃO DE ENMANUEL JHESUS de Pedro Rosa Mendes (D. Quixote)

A MÁQUINA DE FAZER ESPANHÓIS de valter hugo mae (Objectiva)

A CASA QUIETA de Rodrigo Guedes de carvalho


terça-feira, 14 de setembro de 2010

Do meu vizinho...

Mais um "trocado" com o meu vizinho e grande Amigo Rui Vasco.
Estou a encher a "Estante" com "autores portugueses vivos".
Vamos a ver se sobrevivo.....

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A FLORESTA DOS ESPIRITOS de Jean Christophe Grangé (Guerra & Paz)

“O Mal é a ausência do homem no homem" Eugenio de Andrade

Regresso a um dos mais lidos e melhores autores de suspense europeus. Jean Christophe Grangé. Este “A Floresta dos Espíritos” é mais uma confirmação da mestria deste autor em criar e desenvolver enredos sombrios e inquietantes. Volto também a aconselhar a leitura de toda a sua obra, provavelmente o mais conhecido será “Os Crimes dos Rios de Púrpura”, mas todos os seus livros o consagram como um mestre do macabro. O Mal, nas suas mais diversas manifestações é uma constante na obra deste autor, que desce às profundezas da alma humana para retirar descrições e cenários criminais absolutamente dantescos. Neste livro a protagonista (mais uma vez uma mulher, a exemplo de outras obras) é uma juíza, Jeanne Korowa, que por um meio de uma vigilância ilegal se torna conhecedora de factos perturbadores, que lhe dão a identidade do criminoso que aterroriza Paris com os seus crimes brutais. A estória é a de uma perseguição a uma certa ideia de Mal, e desenrola-se até um final surpreendente através da América do Sul. Num registo que faz lembrar uma outra das suas obras, e talvez a minha favorita “O Voo das Cegonhas”, Jean Cristophe Grangé, faz-nos embarcar numa jornada de acção ininterrupta, num enredo onde a floresta dos espíritos nos remete para uma realidade onde o Mal pode ser uma característica genética ancestral. É na busca dessa hipotética raiz da capacidade de infligir dor e medo, que o autor nos acompanha, na visão de uma jovem juíza decidida, por contraponto com a sua vida quotidiana, a emprestar um sentido de missão à investigação que empreende. Os livros de J.C. Grangé são sempre uma aposta certa, com um ritmo de acção acelerado e uma escrita que nos deixa quase hipnotizados e “agarrados” da primeira à última página. Sei que há um último romance dele que ainda não foi editado entre nós: “Miserere”, o qual, por tudo o que aqui tenho dito, aguardo com ansiedade. Para quem gosta de leituras fortes e de enredos com imaginação, mas sobretudo todos, como eu, que gostam acima de tudo que um livro os faça viajar. Estes certamente que o fazem. Boas Leituras!

PARA A SEMANA: O COMPLEXO DE PORTNOY de Philip Roth (D. Quixote)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

EL INGENIOSO HIDALGO DON QUIXOTE DE LA MANCHA de Miguel de Cervantes y Saavedra

AS BENEVOLENTES de Jonathan Litell (D. Quixote)

O COMPLEXO DE PORTNOY de Philip Roth (D. Quixote)

PEREGRINAÇÃO DE ENMANUEL JHESUS de Pedro Rosa Mendes (D. Quixote)

A MÁQUINA DE FAZER ESPANHÓIS de valter hugo mae (Objectiva)