quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A Sombra Do Vento De Carlos Ruiz Zafón (Dom Quixote)

“O escritor original não é aquele que não imita ninguém, mas sim aquele que ninguém pode imitar” François Chateaubriand

Partilho esta sugestão ainda na ressaca desta leitura . Há já algum tempo, e bastantes mais livros que não tinha gostado tanto de uma obra. Sei que provavelmente virá a destempo esta sugestão. Quero crer que serei um dos ultimos a descobrir Carlos Ruiz Zafón e este “A Sombra do Vento”. Seria justo que assim fosse. É absolutamente magistral. Uma estória excelente, escrita de forma superior. Um tratado de amor e ódios, todo ele tecido sobre a estória de um outro livro. Uma galeria de personagens absoluta e inesquecível. Um livro que não se consegue parar de ler, que o diga a ultima noite quase em branco em que o terminei. Com aquela sensação, que infelizmente poucos livros nos dão, de que gostariamos de ver a estória continuar, pelo imenso prazer que nos deu. É um livro que se termina com pena. Que se tenta “fazer render” e esticar nas horas, mas que nos arrasta com ele para uma viagem vertiginosa. Um livro que mistura géneros (ou será simplesmente um género em si!) É, para mim, uma descoberta, uma muito, muito boa revelação, de um autor já conhecia de nome e por referências de amigos. Faz-me feliz pensar que há novos autores com esta qualidade. Entra directamente para os meus favoritos. Há muito tempo que tal não acontecia. Como em muitas coisas na vida, quando nos sentimos confortáveis dentro daquilo que conhecemos, por vezes, deixamos de procurar coisas novas. Isso acontece-me muito fruto da minha predilecção por um grupo restrito de autores, dos quais sempre espero com ansiedade o próximo livro. Mas a ficção, tal como a vida, ultrapassa-nos sem nos pedir licença. Assim, mais do que sugerir, se pudesse, fazia deste livro leitura obrigatória. Para ilustrar o que é um livro dentro de um livro, o que são personagens reais, o que é a geografia das relações e sobretudo como se conta uma boa estória. Está aqui tudo. O derradeiro elogio, será mesmo o de repetir que é um livro que se termina com pena. Que se gostava que pudesse continuar. Não sendo possivel isso, partirei em busca de outras obras deste autor, das quais vos darei conta a seu tempo. Boas Leituras!

PARA A SEMANA: QUARTOS IMPERIAIS de Bret Easton Ellis (Teorema)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

EL INGENIOSO HIDALGO DON QUIXOTE DE LA MANCHA DE MIGUEL DE CERVANTES Y SAAVEDRA

AS BENEVOLENTES DE JONATHAN LITELL (D. QUIXOTE)

PEREGRINAÇÃO DE ENMANUEL JHESUS DE PEDRO ROSA MENDES (D. QUIXOTE)

A CASA QUIETA DE RODRIGO GUEDES DE CARVALHO

4 comentários:

Manuel disse...

Carlos Zafón é um dos meus autores favoritos, com uma escrita inconfundível.
A Sombra do Vento é a sua melhor obra, cheia de beleza, suspense, emoção.
E além disso recria o ambiente de Barcelona de uma forma tão realista e intensa que nos faz desejar conhecer cada um dos locais onde decorre o romance.
Além disso os seus personagens têm uma riqueza e uma intensidade só possíveis em Zafón

Ricardo disse...

Caro Manuel,

Obrigado pelo comentário. Como pode ler acima, não podia estar mais de acordo consigo. Abraço

Dalaila disse...

pois é meu amor, eu também o devorei, quando o comprei, e gostei muito da forma como o viste e o sentiste por dentro. fez-me sentir vontade de ler mais algum livro deste autor. Obrigada por este momento de leitura, porque adoro ler-te também

Margarida disse...

Não sou uma leitora viciada, mas gosto de ler. Gosto de sentir. As palavras que dedicaste a este livro despertaram a minha curiosidade. Já o adquiri... Agora é só sentir. Obrigada por partilhares as tuas impressões.