quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Quartos Imperiais de Bret Easton Ellis (Teorema)

“Estimamos pouco aquilo que obtemos com demasiada facilidade” Thomas Paine

Este livro que hoje se sugere, é a continuação de “Menos que Zero”, o romance de estreia de Bret Easton Ellis, e que o tornou num dos nomes mais sólidos entre os romancistas norte-americanos do ultimo quartel do Séc.XX. Sobre “Menos que Zero” já aqui se falou em crónica anterior desta “Estante”. Esta continuação tem uma particularidade que a torna invulgar. É escrita decorridos vinte e cinco anos da vida de todos os implicados, autor e personagens do livro. O registo é o mesmo. A desilução, o ambiente distópico, niilista, o profundo egoismo das personagens e as situações levadas sempre ao extremo. Se em “Menos que Zero” esse registo é absolutamente inovador e causa choque, neste “Quartos Imperiais”, esse efeito já não surge. Por razões óbvias. Já estamos à espera que Ellis nos faça experimentar cenários e personagens extremas. Não é contudo pelo elemento choque que este livro deve ser lido. Deve ser lido, antes de mais por quem leu e gostou de “menos que Zero” ou de quaisquer uma das demais obras de Bret Easton Ellis, porque é uma continuação, muito bem engendrada, diga-se, da vida desregrada e com um sentido que nos escapa, da galeria de figuras anteriormente criadas. Se “Menos que Zero” foi um retrato de uns anos oitenta focalizado na absoluta ausência de valores e de expectativas para estas personagens, o presente como se pode constatar, não melhora em nada a impressão inicial. Bret Easton Ellis, é um grande e magistral autor, que, como já o disse anteriormente, não o será para todos. Os seus livros são tudo menos consensuais. Mas é bom ver um romance que após um quarto de século, dá um espantoso sinal de vida, ao voltar a apresentar-nos uma realidade que vemos, normalmente, muito pela superficie. Não é, de perto nem de longe como o primeiro romance, mas vale a pena encontrar as diferenças, ou as semelhanças, entre o grupo de adolescentes sem futuro que Ellis retratou nos anos oitenta e os adultos sem presente que retrata hoje. Se não o tiverem feito já, leiam o “Menos que Zero” antes deste “Quartos Imperiais”.Vale a pena. Boas leituras!

PARA A SEMANA: MARINA de CARLOS RUIZ ZAFÓN (PLANETA)

Na Mesinha De Cabeceira:

El Ingenioso Hidalgo Don Quixote De La Mancha De Miguel De Cervantes Y Saavedra

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

Peregrinação de Enmanuel Jhesus de Pedro Rosa Mendes (d. Quixote)

A Casa Quieta de Rodrigo Guedes de Carvalho

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