domingo, 28 de dezembro de 2014

AMÁLGAMA de Rubem Fonseca (Sextante)

 
“Quando entrares na violência vai até ao fim; se não aguentas não entres.” Agostinho da Silva
 Do que a Editora Sextante vem publicando de Rubem Fonseca, tenho mantido atenção apertada e acho que ainda não me escapou um. Gosto particularmente da forma como Rubem Fonseca vê o mundo. Não usa muitos filtros. E tem um talento único para nos descrever as partes mais negra da alma humana. Podem os que não gostam afirmar que é um universo literário demasiado cru e violento. A mim no entanto, o que me importa é a forma como esse mundo nos é dado ver. E Rubem Fonseca é um mestre. Seja em forma de romance, ou, como é este o caso, numa “amálgama” de contos e pequenas histórias com diferentes formatos que nos dão a perfeita medida do que é um genial criador de histórias. Em trinta e quatro entradas, vamos ficando assustados, perplexos, aterrados, pensativos, mas sobretudo deslumbrados pelo poder criador deste magnifico escritor. O Brasil tem-nos dado alguns contistas de excelência, e ultimamente tenho estado a tentar conseguir ler mais deste género que é um dos meus prediletos. Mas por um motivo ou outro não consigo deixar de dar o primeiro lugar o pódio a Rubem Fonseca. Uma verdadeira legião de personagens que nos provocam e inquietam, fazem deste livro um verdadeiro festim. A forma como Rubem Fonseca nos oferece o raciocino mais desviado e malévolo com um registo de uma normalidade perturbadora, acompanha a quase totalidade destas histórias. Algumas são, como todos os grandes contos, pequenos romances. Como já aqui tive ocasião para afirmar. Rubem Fonseca será tudo menos consensual. Mas é dono de uma escrita poderosa, telúrica e que, no mínimo não deixará ninguém indiferente. Se já acompanham, peço desculpa pela redundância da sugestão. Senão, não hesitem. O homem escreve a sério.
 
Boas Festas e Boas Leituras!!!
 
Na Mesinha De Cabeceira:
 
MONTEDOR de José Rentes de Carvalho (Quetzal)
O LEGADO DE HUMBOLDT de Saul Bellow (Quetzal)
AMORES E SAUDADES DE UM PORTUGUÊS ARRELIADO de Miguel Esteves Cardoso (Porto Editora)
PANICO NO SCALA de Dino Buzzati (Cavalo de Ferro)
TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR de Flannery O´Connor
VITORIA de Joseph Conrad (Ulisseia)
OS FACTOS de Philip Roth (D.Quixote)
DJIBOUTI de Elmore Leonard (Teodolito)
ALGUMA ESPERANÇA e LEITE MATERNO de Edward St Aubin (Sextante)
O FILHO DE Philipp Meyer (Bertrand)
A CASA DA ARANHA de Paul Bowles (Quetzal)
A MULHER MAIS BONITA DA CIDADE de Charles Bukowski (Alfaguara)
TEATRO DE SABATH de Philip Roth (D. Quixote)
A HERANÇA de John Grisham (Bertrand)
STONER de John Williams (D. Quixote)
O TODO-MEU de Andrea Camilleri (Bertrand)
O TEOREMA KATHERINE de John Green (ASA)
CONTOS E NOVELAS I de Saul Bellow (Relógio d´Água)
AS LUZES DE SETEMBRO de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)
MAS É BONITO de Geoff Dyer (Quetzal)
LIBRA de Don DeLillo (Sextante)
RELATÓRIO DO INTERIOR de Paul Auster (ASA)
ALFABETOS de Claudio Magris (Quetzal)
MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier (Quetzal)
O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)
DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)
DANUBIO de Claudio Magris (Quetzal)
OS ANEIS DE SATURNO de W.G.Sebald (Quetzal)
 


MAUS de Art Spiegelman (Bertrand)


 
 
O Mal não pode vencer o Mal, só o Bem o pode fazer." Leon Tolstoi

De repente, e sem saber bem como, repetem-se leituras de novelas gráficas. Quase a seguir a “Logicomix”, já aqui sugerido, e por oferta de aniversário de um querido amigo, que é fã, do género em geral e desta obra em particular, assim aconteceu. É uma espécie de autobiografia do autor, na qual se incluem as memórias do seu pai durante a Segunda Guerra Mundial, mais particularmente com a perseguição aos judeus e o que veio a ficar conhecido como o Holocausto. A forma de retratar, os judeus como ratos, os polacos, como porcos, os alemães como gatos e os franceses como rãs, dá-nos um pouco a ideia de que Orwell teve alguma mão nisto, há alguma ligação invisível a “O Triunfo dos Porcos”. Mas é só pela utilização de animais como personagens, porque a história é toda ela humana, ou melhor dizendo desumana. Retrata com particular detalhe toda a espécie de exposição ao Mal a que o regime nazi submete as comunidades judaicas e todos os expediente utilizados por estas para garantir a mera sobrevivência num mundo de crueldade e ausência de perdão. É um bom livro. O formato ajudará a fazer passar a mensagem a outro tipo de leitores que se inclinam mais para este género. É um registo fortemente marcado pela vida do autor e da sua família, um relato de um passado que não devemos deixar esquecer nem aligeirar. Muito bom a todos os níveis, desde a conceção até ao ritmo e aos constantes regressos ao presente para nos dar a noção da diferença e do enorme privilégio que é viver numa realidade sem guerra e sem uma particular crueldade direcionada. É um retrato do Mal, do Mal que sabemos que existe, mas que muitas vezes fazemos de conta que não. Aconselho sem reservas. É um bom livro, com uma boa história, que apesar de parecer ter sido já contada muitas vezes, aqui tem uma leitura diferente e um olhar que merece a nossa atenção. Uma boa obra para nos ajudar às reflexões de final de ano. Para enquadrarmos aquilo que às vezes nos aflige e parece importante e que, quando comparado com a dimensão chocante destas histórias, nos dá a correta dimensão do somos e do tamanho dos nossos problemas.

 

Boas Festas e Boas Leituras!!!

 

Na Mesinha De Cabeceira:

 

MONTEDOR de José Rentes de Carvalho (Quetzal)

O LEGADO DE HUMBOLDT de Saul Bellow (Quetzal)

AMORES E SAUDADES DE UM PORTUGUÊS ARRELIADO de Miguel Esteves Cardoso (Porto Editora)

PANICO NO SCALA de Dino Buzzati (Cavalo de Ferro)

TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR de Flannery O´Connor

VITORIA de Joseph Conrad (Ulisseia)

OS FACTOS de Philip Roth (D.Quixote)

AMÁLGAMA de Rubem Fonseca (Sextante)

DJIBOUTI de Elmore Leonard (Teodolito)

ALGUMA ESPERANÇA e LEITE MATERNO de Edward St Aubin (Sextante)

O FILHO DE Philipp Meyer (Bertrand)

A CASA DA ARANHA de Paul Bowles (Quetzal)

A MULHER MAIS BONITA DA CIDADE de Charles Bukowski (Alfaguara)

TEATRO DE SABATH de Philip Roth (D. Quixote)

A HERANÇA de John Grisham (Bertrand)

STONER de John Williams (D. Quixote)

O TODO-MEU de Andrea Camilleri (Bertrand)

O TEOREMA KATHERINE de John Green (ASA)

CONTOS E NOVELAS I de Saul Bellow (Relógio d´Água)

AS LUZES DE SETEMBRO de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)

MAS É BONITO de Geoff Dyer (Quetzal)

LIBRA de Don DeLillo (Sextante)

RELATÓRIO DO INTERIOR de Paul Auster (ASA)

ALFABETOS de Claudio Magris (Quetzal)

MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier (Quetzal)

O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)

DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)

DANUBIO de Claudio Magris (Quetzal)

OS ANEIS DE SATURNO de W.G.Sebald (Quetzal)

 

 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Lançamento Livro NICOLINAS 30 ANOS 1984|2014 de Ricardo Gonçalves


O meu primeiro Livro :)
Não é um romance mas conta uma história que tenho tido o privilégio de viver por dentro.
Uma Tradição com mais de quatrocentos anos, a minha visão dos últimos trinta!
Estão convidados :)






quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A INCRIVEL VIAGEM DE UM FAQUIR QUE FIXOU FECHADO NUM ARMÁRIO IKEA de Romain Puértolas (Porto Editora)


"Em Portugal a emigração não é, como em toda a parte a transbordação de uma população que sobra; mas a fuga de uma população que sofre." Eça de Queirós

 

Há os chamados “feel good movies”, assim como também há os “feel good books”. Este é claramente um deles. Mais uma vez foi uma escolha por impulso. Achei piada ao título e gostei da capa. O inverso do “nunca julgues um livro pela capa”, dito que se aplica em geral às pessoas, e menos aos livros, como é evidente. Discutia ontem com uma amiga leitora as fases de motivação para ler. Há alturas em que se lê de tudo com menor esforço e outras em que, por acumulação de fatores externos damos por nós a procurar algo que esteja mais do lado do entretenimento do que da arte. Tem-me acontecido. Não me tenho apesar disso arrependido. Alguma ligeireza no registo e menos preocupação com a forma não invalida que se aprenda alguma coisa. Tenho-o dito, e repito com gosto, que o importante é ler, não é exatamente o quê nem quem. É um pouco como a vida, o que realmente importa é vivê-la, e não propriamente o cenário ou as personagens. Até porque, a vida ultrapassa largamente a ficção em quase todos os registos, é só elencar as personagens que se nos atravessam no caminho. Este livro, é garantia de um par de horas bem passadas na improvável e fantasiosa companhia de uma personagem muito bem conseguida. Um faquir Ajatashatru Larash Patel, que, tendo feito carreira a enganar toda a gente, vai encetar a mais improvável das viagens. O enredo tem suficiente nonsense para acabar a fazer todo o sentido. Para além de situações cómicas (nunca chega à gargalhada é certo, mas mantém o leitor com um sorriso, o que não é menos fácil), o périplo da personagem principal até ao desfecho num final auto referente, lembra-nos algo de muito próximo e simultaneamente esquecido. A emigração, e seja ela motivada pelo seja, numa forma de contar uma história que nos prende, o autor, Romain Puértolas, compele-nos a refletir sobre os imensos dramas que a emigração dos muito pobres encerra. O contraponto entre o sucesso fácil e de quase geração espontânea de Ajatashatru, de que temos notícias similares de forma quotidiana, compara com a dor dos que nunca atingem. Dos que procuram sempre uma solução longe para poderem viver onde desejam, perto do seus e com condições dignas. Encontra-se nesta alegoria bem-disposta muito material para reflexão. Aqui não se brinca com coisas sérias, dizem-se coisas sérias de forma menos triste, o que é um mundo de diferença. Vou ficar a pensar mais em tráfico humano, em exploração, desencanto, desilusão e em o que quer que seja que faça com que se tente a sorte longe de outra forma. É claro que esta história é um conto de fadas moderno. Um conto de faquires. Mas a transformação de alguém que ilude e se transforma, porque chega a essa mesma conclusão. Que o iludir os outros é no fundo viver uma mentira, mostra-nos de maneira leve e imaginativa que o nosso destino, que talvez não inclua viagens em armários, malas Louis Vuitton, balões de ar quente e navios de tráfico, só nos leva a um ponto: nós mesmos. Diverti-me, e isso já não é pouco. Vale pelo que conta, não pelo que pesa. Uma história engraçada a fazer reter o nome do autor para próximas aventuras.

 

Boa Semana e Boas Leituras!!!

 

Na Mesinha De Cabeceira:
 
MONTEDOR de José Rentes de Carvalho (Quetzal)
O LEGADO DE HUMBOLDT de Saul Bellow (Quetzal)
AMORES E SAUDADES DE UM PORTUGUÊS ARRELIADO de Miguel Esteves Cardoso (Porto Editora)
PANICO NO SCALA de Dino Buzzati (Cavalo de Ferro)
TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR de Flannery O´Connor
VITORIA de Joseph Conrad (Ulisseia)
OS FACTOS de Philip Roth (D.Quixote)
A SOMBRA DA ROTA DA SEDA de Colin Thubron (Bertrand)
AS LUZES DE SETEMBRO de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)
MAS É BONITO de Geoff Dyer (Quetzal)
VERDADE AO AMANHECER de Ernest Hemingway
MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier (Quetzal)
O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)
DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)
FUGAS de Alice Munro (Relógio D´Àgua)
DANUBIO de Claudio Magris (Quetzal)
OS ANEIS DE SATURNO de W.G.Sebald (Quetzal)
TELEFÉRICO DA PENHA (IMAGINÁRIO E REALIDADE) de Esser Jorge Silva (Edições Húmus)
LIBRA de Don DeLillo (Sextante Editora)
RELATÓRIO DO INTERIOR de Paul Auster (ASA)
ALFABETOS de Claudio Magris (Quetzal)
 

sábado, 8 de novembro de 2014

LOGICOMIX de Apostolos Doxiados e Christos H. Papadimitriou – Arte de Alecos Papdatos e Annie Di Donna (GRADIVA)


"Todas as verdades são fáceis de perceber depois de terem sido descobertas; o problema é descobri-las." Galileu



É a primeira vez que aqui se sugere a leitura de um livro do género “banda desenhada” ou, como se diz agora, numa adaptação do inglês, “novela gráfica”. A ideia que preside à feitura deste livro, a sua extraordinária qualidade gráfica e o profundo ritmo narrativo, só tem paralelo na sua missão. Tornar simples e inteligível, acessível ao leigo (o que é aqui claramente o caso), a batalha que na primeira metade do Séc. XX, matemáticos e filósofos combateram pela busca de de uma verdade lógica mais ou menos absoluta. Utilizando na maior parte da obra, uma palestra de Bertrand Russel como ponto de partida, e utilizando a sua própria história de vida como fio condutor, encontramos, de forma fiel e romanceada também encontros entre os maiores gigantes intelectuais que se debateram com a problemática da lógica no Século XX. Alfred Whitehead, Wittgenstein, John von Neumann, Alan Turing, Henri Poincaré, Giuseppe Peano, Leibniz, David Hilbert, Kurt Godel, Gottlob Frege, também incluindo clássicos como Euclides e Ésquilo, ainda Georg Cantor e George Boole, e recuando ainda até Aristóteles. De uma cadência e um colorido (de facto) especial e onde os próprios autores são retratados como parte do processo de criação do livro e personagens que o vão descodificando, aprendemos rudimentos de grandes formulações teóricas como os Algoritmos, Axiomas, o Calculo de Predicados, os “Fundamentos da Matemática”, o Intuicionismo, a Lógica (tema central a par da Verdade), o Paradoxo de Russell, os “Principia Mathematica”, a Prova, a Teoria da Incompletude, a Teoria dos Conjuntos, o “Tractatus Logico-Philosophicus” de Wittgenstein, acompanhamos o “Circulo de Viena” e várias das mais importantes manifestações individuais e coletivas do progresso do pensamento lógico. Há também, a correr ao lado da história principal um elemento escolhido pelos autores, que coloca, não poucas vezes o génio na fronteira da sanidade mental. O Génio no limite do Louco, tem aqui alguns exemplos dos custos pessoais que a busca pela Verdade e a batalha da Lógica provocaram. Um livro muito interessante. Com um tema talvez demasiado específico, mas que claramente cumpre o seu principal papel de nos despertar a curiosidade para aprofundar vida e obra de muitos dos homens que fundaram as bases onde hoje assenta grande parte da tecnologia moderna. E para abusar, é este livro, ele próprio um bom mapa ou algoritmo para potenciar essa sede de conhecimento. Gostei e recomendo.

:) Boa Semana e Boas Leituras!!!

Na Mesinha De Cabeceira:


MONTEDOR de José Rentes de Carvalho (Quetzal)
O LEGADO DE HUMBOLDT de Saul Bellow (Quetzal)
AMORES E SAUDADES DE UM PORTUGUÊS ARRELIADO de Miguel Esteves Cardoso (Porto Editora)
A INCRIVEL VIAGEM DE UM FAQUI QUE FIXOU FECHADO NUM ARMÁRIO IKEA de Romain Puértolas (Porto Editora)
PANICO NO SCALA de Dino Buzzati (Cavalo de Ferro)
TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR de Flannery O´Connor
VITORIA de Joseph Conrad (Ulisseia)
OS FACTOS de Philip Roth (D.Quixote)
A SOMBRA DA ROTA DA SEDA de Colin Thubron (Bertrand)
AS LUZES DE SETEMBRO de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)
MAS É BONITO de Geoff Dyer (Quetzal)
VERDADE AO AMANHECER de Ernest Hemingway
MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier (Quetzal)
O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)
DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)
FUGAS de Alice Munro (Relógio D´Àgua)
DANUBIO de Claudio Magris (Quetzal)
OS ANEIS DE SATURNO de W.G.Sebald (Quetzal)
TELEFÉRICO DA PENHA (IMAGINÁRIO E REALIDADE) de Esser Jorge Silva (Edições Húmus)
LIBRA de Don DeLillo (Sextante Editora)
RELATÓRIO DO INTERIOR de Paul Auster (ASA)
ALFABETOS de Claudio Magris (Quetzal)


domingo, 2 de novembro de 2014

Elementary Temporada 3

Mais uma das que estou a seguir. Bom primeiro episódio da terceira temporada. :) 
 

O ENTE QUERIDO de Evelyn Waugh (Edições Cotovia)


"É pela ironia que começa a liberdade." Victor Hugo
 
 
 

O nome de Evelyn Waugh encerra em si um engano e uma certeza. Terá sido o escritor mais facilmente tomado por mulher de sempre, e é também considerado um dos maiores nomes da literatura inglesa do Séc. XX. Para tal bastaria lembrar a, provavelmente sua mais conhecida obra “Bridshead Revisited”, cuja adaptação televisiva lhe deu reconhecimento mundial. É um daqueles autores cuja carreira e caracter o transformaram também numa figura polémica.  Conhecido por várias posições ultra conservadoras, por uma pulsão autodestrutiva em jovem (entrega-se ao álcool e tenta mesmo o suicídio) que o empurra para uma conversão ao catolicismo, é também conhecido pelo seu escrutínio absolutamente impiedoso da realidade do seu tempo. Um profundo cinismo perpassa toda a sua obra. E neste “O Ente Querido”isso reconhece-se, parágrafo após parágrafo. Numa abordagem plena de humor negro e ironia, faz um retrato das diferenças entre a Velha Inglaterra e o Novo Mundo através dos ritos fúnebres que as personagens deste romance ímpar encarnam. Há apesar do registo cáustico um humor desapaixonado sempre latente na leitura deste livro. Já aqui na “Estante” se falou de outras obras como “As desventuras do Senhor Pinfold”, e estou certo se continuará, porque é, de facto um autor que desvenda de forma superior os artifícios de classe e a organização social que o rodeou como poucos. A ler sem margem para dúvidas. Gosto do autor, gosto do estilo, gosto deste livro, Continuarei a mergulhar, sempre que puder em mais Waugh. Façam-no também, vão ver que não se arrependem.   

Boa Semana e Boas Leituras!!!

 

Na Mesinha De Cabeceira:

 

MONTEDOR de José Rentes de Carvalho (Quetzal)

O LEGADO DE HUMBOLDT de Saul Bellow (Quetzal)

AMORES E SAUDADES DE UM PORTUGUÊS ARRELIADO de Miguel Esteves Cardoso (Porto Editora)

A INCRIVEL VIAGEM DE UM FAQUIR QUE FIXOU FECHADO NUM ARMÁRIO IKEA de Romain Puértolas (Porto Editora)

PANICO NO SCALA de Dino Buzzati (Cavalo de Ferro)

TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR de Flannery O´Connor

VITORIA de Joseph Conrad (Ulisseia)

OS FACTOS de Philip Roth (D.Quixote)

A SOMBRA DA ROTA DA SEDA de Colin Thubron (Bertrand)

AS LUZES DE SETEMBRO de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)

MAS É BONITO de Geoff Dyer (Quetzal)

VERDADE AO AMANHECER de Ernest Hemingway

MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier (Quetzal)

O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)

DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)

FUGAS de Alice Munro (Relógio D´Àgua)

DANUBIO de Claudio Magris (Quetzal)

OS ANEIS DE SATURNO de W.G.Sebald (Quetzal)

TELEFÉRICO DA PENHA (IMAGINÁRIO E REALIDADE) de Esser Jorge Silva (Edições Húmus)

LIBRA de Don DeLillo (Sextante Editora)

RELATÓRIO DO INTERIOR de Paul Auster (ASA)

ALFABETOS de Claudio Magris (Quetzal)