domingo, 2 de novembro de 2014

O ENTE QUERIDO de Evelyn Waugh (Edições Cotovia)


"É pela ironia que começa a liberdade." Victor Hugo
 
 
 

O nome de Evelyn Waugh encerra em si um engano e uma certeza. Terá sido o escritor mais facilmente tomado por mulher de sempre, e é também considerado um dos maiores nomes da literatura inglesa do Séc. XX. Para tal bastaria lembrar a, provavelmente sua mais conhecida obra “Bridshead Revisited”, cuja adaptação televisiva lhe deu reconhecimento mundial. É um daqueles autores cuja carreira e caracter o transformaram também numa figura polémica.  Conhecido por várias posições ultra conservadoras, por uma pulsão autodestrutiva em jovem (entrega-se ao álcool e tenta mesmo o suicídio) que o empurra para uma conversão ao catolicismo, é também conhecido pelo seu escrutínio absolutamente impiedoso da realidade do seu tempo. Um profundo cinismo perpassa toda a sua obra. E neste “O Ente Querido”isso reconhece-se, parágrafo após parágrafo. Numa abordagem plena de humor negro e ironia, faz um retrato das diferenças entre a Velha Inglaterra e o Novo Mundo através dos ritos fúnebres que as personagens deste romance ímpar encarnam. Há apesar do registo cáustico um humor desapaixonado sempre latente na leitura deste livro. Já aqui na “Estante” se falou de outras obras como “As desventuras do Senhor Pinfold”, e estou certo se continuará, porque é, de facto um autor que desvenda de forma superior os artifícios de classe e a organização social que o rodeou como poucos. A ler sem margem para dúvidas. Gosto do autor, gosto do estilo, gosto deste livro, Continuarei a mergulhar, sempre que puder em mais Waugh. Façam-no também, vão ver que não se arrependem.   

Boa Semana e Boas Leituras!!!

 

Na Mesinha De Cabeceira:

 

MONTEDOR de José Rentes de Carvalho (Quetzal)

O LEGADO DE HUMBOLDT de Saul Bellow (Quetzal)

AMORES E SAUDADES DE UM PORTUGUÊS ARRELIADO de Miguel Esteves Cardoso (Porto Editora)

A INCRIVEL VIAGEM DE UM FAQUIR QUE FIXOU FECHADO NUM ARMÁRIO IKEA de Romain Puértolas (Porto Editora)

PANICO NO SCALA de Dino Buzzati (Cavalo de Ferro)

TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR de Flannery O´Connor

VITORIA de Joseph Conrad (Ulisseia)

OS FACTOS de Philip Roth (D.Quixote)

A SOMBRA DA ROTA DA SEDA de Colin Thubron (Bertrand)

AS LUZES DE SETEMBRO de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)

MAS É BONITO de Geoff Dyer (Quetzal)

VERDADE AO AMANHECER de Ernest Hemingway

MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier (Quetzal)

O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)

DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)

FUGAS de Alice Munro (Relógio D´Àgua)

DANUBIO de Claudio Magris (Quetzal)

OS ANEIS DE SATURNO de W.G.Sebald (Quetzal)

TELEFÉRICO DA PENHA (IMAGINÁRIO E REALIDADE) de Esser Jorge Silva (Edições Húmus)

LIBRA de Don DeLillo (Sextante Editora)

RELATÓRIO DO INTERIOR de Paul Auster (ASA)

ALFABETOS de Claudio Magris (Quetzal)

 

 

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