quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

ERNESTINA de J. Rentes de Carvalho (Quetzal)

Toda a mulher acaba por ficar igual à sua própria mãe.Essa é a sua tragédia. Nenhum homem fica igual à sua própria mãe. Essa é a sua tragédia.” OSCAR WILDE

Ele há coisas do demónio! Anda um cristão a pregar contra uma certa categoria de “autores portugueses vivos”, e esbarra-se com um, que além de português parece estar dez vezes mais vivo que os outros. J. Rentes de Carvalho, que me foi dado a conhecer pelo meu particular Amigo Fernando Lopes, é um autor de sucesso...na Holanda!!! Pasme-se! Pasmo eu, agora que li este livro, pela minha bruta ignorância, que temo não ande sózinha nas hostes dos leitores, mais ou menos compulsivos, como eu. Este Senhor (com maiúsculas merecidíssimas) é um Mestre. Há muito, muito tempo, que nada de comparável me acontecia com um livro e um autor. Então português...estamos conversados. Se tivermos por inclinação ler algumas das coisas que a “genialidade” auto-proclamada da meia dúzia do costume, encontramos neste “Ernestina” um contraste de qualidade tal que faz com que certas “novas vozes” se eclipsem por comparação. Fiz, como é normal uma pequena pesquisa sobre o autor e a sua obra, meramente para enquadrar a minha opinião, que não muda por saber mais ou menos sobre quem escreve. Tento cingir-me à opinião sobre a obra e não sobre a vida dos autores. Se bem que no panorama luso, a vida de determinados autores, se bem que chata e desinteressante, consegue ainda assim, dar 10 a zero ao que escrevem. J.Rentes de Carvalho, a quem tentam colar um rótulo regionalista (por, também, escrever sobre Tras-os-Montes suponho), rótulo esse do qual discordo em absoluto. Neste “Ernestina”, que é um livro autobiográfico sobre a história da familia do autor e de sua Mãe, Rentes de Carvalho, transforma aquilo que poderia ser um exercicio de memória para satisfação pessoal, num dos livros mais descritivos, coloridos e brilhantes que tenho lido. Mais do que a ruralidade do Alto Douro, das suas histórias e peculiaridades, ficou-me uma visão do Porto absolutamente ímpar. Por limitação de espaço aqui na coluna para o jornal, não me posso alongar muito mais, mas voltarei a este autor, que, para enorme e feliz surpresa minha, me fez recordar “A Cidade e as Serras”, com personagens e propósitos diferentes, mas, e isto é que é o espantoso, tão bem escrito e descrito, (sem comparações, descabidas para qualquer dos lados), como o faria Eça de Queirós. Resta-me aconselhar entusiasticamente todos, a lerem este autor e a descobrirem a dupla “Ernestina”, que, por acaso, fecha a história com chave de ouro. Um clássico. Absolutamente impossível de parar de ler. Onde andava eu que não sabia disto? Muito, muito Obrigado Fernando Lopes!!!Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

Peregrinação de Enmanuel Jhesus de Pedro Rosa Mendes (D. Quixote)

1 comentário:

Fernando Lopes disse...

Sabia que ias gostar! Tem momentos épicos com a descrição da viagem de comboio do Porto ao Pocinho!

Um abraço amigo