quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ASSASSINATOS NA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS de Jô Soares (Editorial Presença)

Feliz reencontro com um autor de poucos livros publicados. Para inicio de conversa adiantamos já que sim, este é o Jô Soares humorista, o de “Viva o Gordo” e dono de um dos talk shows mais influentes e antigos da TV brasileira. Tinha já lido em tempos o seu primeiro romance, do qual aliás fiquei com excelente impressão, e que aproveito aqui para também sugerir: “O Xangô de Baker Street”, uma deliciosa aventura de Sherlock Holmes no Brasil, escrita com humor e inteligência. Uma boa homenagem a Sir Arthur Conan Doyle, sem dúvida. Resolvi entretanto ir em busca de mais dois livros de Jô Soares, e do primeiro aqui estou a dar conta. Este “Assassinatos na Academia Brasileira de Letras” é mais um excelente romance policial. Num estilo muito próprio ao qual não é nada alheia a veia humorística do autor e a sua particular boa disposição. O tema versa sobre a ascensão às cadeiras da Academia Brasileira de Letras e o que, de certa forma, todos os interessados estão na disposição de fazer para atingir. É uma obra que ironiza com mestria sobre a condição humana, sobretudo a vaidade. Os crimes e a estrutura do livro são muito bem conseguidos. Há uma galeria de personagens perfeitamente credível, e um herói muito bem conseguido. O Comissário Machado Machado, assim mesmo, Machado de nome e Machado de apelido, assim baptizado por seu pai em homenagem a Machado de Assis, autor que o nosso Comissário cita em abundância. Os crimes, a sua sequência, os locais onde ocorrem, e acima de tudo, a “colagem” ao livro que leva a personagem do senador Belizário Bezerra a ser aceite na Academia de Letras, cujo tema é precisamente o assassinato dos membros da Academia, “coze” toda a trama e dá-nos um livro muito bem conseguido. Muito bem escrito, com muito humor e inteligência. Um policial que não se consegue parar de ler, da primeira à última página. Recomendo vivamente! Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

A Amante Holandesa de J. Rentes de Carvalho (QUETZAL)

O Homem que matou Getúlio Vargas de Jô Soares (EDITORIAL PRESENÇA)

Deve-se deixar a vaidade aos que não tem outra coisa para exibir” HONORÉ DE BALZAC


1 comentário:

Bípede Falante disse...

Ricardo, um feliz natal para você :)
beijos