quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

QUANDO O BRILHO CAI de Jay McInernay ( Edições ASA)

Corremos alegres para o precipício, quando pomos pela frente algo que nos impeça de o ver BLAISE PASCAL

Lembrei-me a propósito do livro da semana passada, de fazer uma espécie de série temática de sugestões. O tema presente e que se repetirá na próxima coluna também, é o de livros, que tenham por cenário a cidade de Nova Iorque. Este “Quando o Brilho Cai”, de Jay McInernay, é de 1984, e se o sugiro, é porque é, de facto, um romance invulgar. Quando é lançado, faz com que crítica especializada lance o nome de McInernay para o comando de uma nova vaga, ou nova geração de escritores norte-americanos com uma voz e registo próprios. É também o caso de Bret Easton Ellis, de quem já temos sugerido obras aqui (relembramos que “Menos que Zero”, de B.E.Ellis, é lançado em 1985), e há inclusivamente apropriação de personagens por um e outro destes autores, chegando B.E.Ellis, a incluir o próprio McInernay, numa cena do seu mais recente “Lunar Park”. Mas, pormenores à parte, este livro tem vários motivos de interesse. O mais importante, é, o de continuar actual, na essência do que descreve. Se bem que o cenário é temporalmente localizado, a Nova Iorque dos anos 80, a Nova Iorque dos excessos, da “cena yuppie”, das festas e da forma de viver de um determinado estrato social, o seu conteúdo permanece absolutamente reconhecível. O romance é, desde logo, pouco típico. É narrado na segunda pessoa, o que não é frequente: “Tu não és o tipo de pessoa, para estar neste sitío, a estas horas da madrugada...”, começa assim,em tradução livre, este magnifico “O Brilho cai”. A juntar a detalhes que o diferenciam de outros romances, neste o personagem não tem nome. É uma viagem ao quotidiano de um novaiorquino que, durante o dia trabalha como verificador de factos para uma revista de referência ( o que o autor também fez, tendo exercido essas funções na Harper´s Bazaar e na The New Yorker), enquanto à noite é um assíduo frequentador de festas e consumidor compulsivo de cocaina. É o retrato desta personagem, o talvez o retrato de Nova Iorque vista pelos seus olhos, que nos deixa este livro. A personagem principal, abandonada pela mulher (esta com direito a nome, Amanda) recusa-se a encarar esse facto e age como se a mulher ainda vivesse com ele, desenvolvendo até uma relação de obsessão por todos os objectos, que, em casa dele, a recordam. É mais um magnífico retrato de uma grande cidade, vista por um olhar particular e de um angulo de visão pouco frequente. É um excelente livro, de um excelente escritor. Não percam! Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

Peregrinação de Enmanuel Jhesus de Pedro Rosa Mendes (D. Quixote)



1 comentário:

Fanzine Episódio Cultural disse...

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