quarta-feira, 22 de setembro de 2010

AS VIAGENS DE GULLIVER de Jonathan Swift (Civilização)

Viajar é nascer e morrer a todo o instante” Victor Hugo

Viajo a uma sugestão de leitura que dita essencial para qualquer estante que se preza. As Viagens de Gulliver de Jonathan Swift (que tem um titulo bastante mais sugestivo e interessante no original, mas que aqui rouba espaço à crónica. Erradamente confundido com um titulo infantil ou juvenil (não sei se será por isso que está no Plano Nacional de Leitura para o 6º Ano de Escolaridade, concordando que lá esteja se conseguir transmitir o verdadeiro significado e alcance da obra, o que não me parece assim tão fácil). Falo por mim, li este magnifico livro quando tinha quinze ou dezasseis anos e voltei a lê-lo após umas boas duas décadas. O que de lá se retira é completamente diferente. É um livro que cresce connosco, e ao qual vamos removendo camadas sobre camadas de ironia e sarcasmo, para lhe ver o sentido real. O mais provável será, se considerarmos este um livro infanto-juvenil, que não lhe retiremos mais do que o primeiro capitulo, o mais conhecido e aproveitado, a viagem a Lilliput, mas seria uma enorme perda não conhecer as outras fantásticas aventuras de Lemuel Gulliver. Logo de seguida temos Brobdingnag, a antítese de Lilliput, também excelente. Temos as viagens seguintes a sítios mais ou menos impronunciáveis, o episodio da ilha voadora, um dos melhores, e para abreviar porque há algumas viagens mais, todas elas deliciosas, fico-me pela minha favorita que é à terra dos Houyhnhnms, uma parábola em que os cavalos se comportam como homens civilizados e os homens (aqui os Yahoo) como uma raça verdadeiramente inferior. A juntar a todos estes motivos, podemos ressaltar um que não é de somenos, o humor, às vezes negro, que Jonathan Swift consegue emprestar à maior parte da obra. Não é uma sugestão que encerre em si uma novidade, mas é um livro que sempre que se lê se encontram novos motivos de interesse. Se não leram, não percam. Se já leram, tentem uma outra vez e darão por vós a ver as mesmas situações de forma diferente. Garanto que vão gostar. Boas Leituras!

PARA A SEMANA:

NA MESINHA DE CABECEIRA:

EL INGENIOSO HIDALGO DON QUIXOTE DE LA MANCHA de Miguel de Cervantes y Saavedra

AS BENEVOLENTES de Jonathan Litell (D. Quixote)

PEREGRINAÇÃO DE ENMANUEL JHESUS de Pedro Rosa Mendes (D. Quixote)

a máquina de fazer espanhóis de valter hugo mae (objectiva)

A CASA QUIETA de Rodrigo Guedes de Carvalho



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