terça-feira, 16 de novembro de 2010

A CIDADE E AS SERRAS de EÇA DE QUEIRÓZ (Livros do Brasil)

A Máquina não isola o Homem dos grandes problemas da Natureza, mas insere-o mais profundamente neles ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY

Esta semana, a minha proposta é um dos meus livros favoritos de sempre.Já o li, vai para uns vinte anos, mas ainda permanece em mim toda a história, e o sentido que lhe subjaz. Podia começar por dizer, que Eça de Queiróz é, e será para mim, o autor português que mais prazer me dá ler. Ainda não lhe encontrei uma obra que fosse menos boa. Não li tudo, é certo, mas do que li formei esta opinião. A forma como descreve personagens e ambientes, a inteligência com que identifica e caracteriza cada um dos intervenientes nos seus romances, a ironia e o humor com que pontua a narração, são no minimo brilhantes. Temos vários exemplos na sua obra de personagens que se tornaram “clássicos” e por isso mesmo intemporais. A escolha é abundante, desde o Conselheiro Acácio de “O Primo Basilio”, passando pelo Padre Amaro, até ao, para mim genial Jacinto de Tormes deste “A Cidade e as Serras”. A actualidade, que se atribui de forma geral ao que Eça escreveu, deve-se, na minha modestíssima opinião, à sua capacidade ímpar para identificar e retratar os vícios e as tentaçõeshumanas, mas também, e mais ainda, de identificar uma certa atitude muito portuguesa de encarar a vida. De regresso à sugestão de leitura desta semana, esta sim, absolutamente essencial para quem diz gostar de ler, e como não gosto muito de antecipar enredos, direi apenas que é uma romance que versa sobre a inutilidade de uma certa e excessiva abundância material. Jacinto de Tormes, que vive em Paris, no célebre 202 dos Campos Elíseos, (um dia em outra crónica falarei de endereços literários famosos), cercado do maior luxo e obcecado com tecnologias e engenhocas. Num processo de progressivo desencanto, exemplarmente contado pelo narrador, o amigo José Fernandes, troca essa vida de fausto por um regresso a Portugal, a Tormes, casa-mãe de sua familia, no Douro, onde vai reencontrar a vida numa forma mais simples. Este livro, conta a história de um caminho que se faz, rumo ao equlibrio entre o material e o espiritual na vida. Temos muito do Jacinto de Paris nas nossas vidas. Façamos pois essa viagem com ele, rumo a uma realidade mais simples, mas seguramente não menos Feliz. Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

Peregrinação de Enmanuel Jhesus de Pedro Rosa Mendes (D. Quixote)

As Loucuras de Brooklyn de Paul Auster (ASA)

1 comentário:

Bípede Falante disse...

Trouxe de herança a coleção do Eça que era do meu pai. Agora, agora no ano que vem, nas férias de janeiro, vou começar a lê-lo de verdade! :)