terça-feira, 11 de março de 2014

O TANGO DA VELHA GUARDA de Arturo Pérez-Reverte (ASA)


“A dança é uma tentativa muito rude de penetrar no ritmo da vida” Bernard Shaw


Arturo Pérez-Reverte é um velho frequentador da minha estante. Será talvez um dos escritores de língua espanhola mais traduzidos e vendidos no Mundo. E não é por acaso. Uma longa experiência como jornalista e correspondente de guerra forneceu-lhe a base de uma escrita sólida, credível e estruturada. Sempre senhor de histórias e enredos excecionais, como é o caso de alguns dos seus títulos que já por aqui sugerimos. A esse respeito voltamos a incluir nesta nova sugestão, o reforço da última que foi “O Assédio”. Um grande escritor tem também (e não o tem todos evidentemente) a capacidade de se reinventar na escrita e nos temas que aborda. Pérez-Reverte, a cada obra que cria também o faz. Já li de tudo um pouco. Policiais de grande nível, romances históricos excelentes, relatos mais ou menos autobiográficos, e agora, uma viagem ao século XX pontuada por uma história de amor improvável mas sobretudo intemporal. Mais uma vez temos diante de nós grandes personagens, Max Costa, um herói clássico, a quintessência do malandro de alta sociedade. Mecha Inzunza, uma femme fatale que a vida aproxima e afasta de Max ao longo dos dias. Romance pontuado pela criação de um tango, o do título, também o livro é simultaneamente trágico e arrebatador. De uma viagem transatlântica até Buenos Aires, onde a trama se adivinha, passando pela Riviera Francesa dos anos 30 onde a intriga internacional que antecede a Segunda Grande Guerra é algo de muito presente e palpável, até Sorrento dos anos 60, este par vai de encontro em desencontro construindo uma história excecionalmente bem pensada e melhor contada. Quem gosta de se perder nos livros, nas vidas e nos caminhos que outros generosamente criam para nós, encontra aqui uma belíssima oportunidade para o fazer em algumas horas de leitura absolutamente viciante. Uma boa história bem contada continua a ser o ingrediente fundamental para fazer um bom livro. O resto, no que diz respeito a quem escreve, pode ser muito bom, arte até, mas é definitivamente com livros destes que se ganha o prazer de ler. Aconselho sem o mínimo temor.  J
Boa Semana e Boas Leituras!
Na Mesinha De Cabeceira:
A MANCHA HUMANA de Philip Roth (D. Quixote)
CONTOS de Thomas Mann (Bertrand)
NOVE HISTÓRIAS de J.D.Salinger (Quetzal)
A MULHER QUE DECIDIU PASSAR UM ANO NA CAMA de Sue Towsend (Ed. Presença)
MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier(Quetzal)
ARCO-IRIS DA GRAVIDADE  de Thomas Pynchon (Bertrand)
A CONSCIÊNCIA E O ROMANCE de David Lodge (ASA)
C de Tom McCarthy (Editorial Presença)
O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)
DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)
A RAPOSA AZUL de Sjon (Cavalo de Ferro)
À MESA COM KAFKA de Mark Crick (Casa das Letras)
LISBOA (A cidade vista de fora 1933-1974) de Neil Lochery (Editorial Presença)
ESCREVO PARA AJUSTAR CONTAS COM A IMPERFEIÇÃO de Ricardo Guimarães (Modo de Ler)
FUGAS de Alice Munro (Relógio D´Àgua)
DANUBIO de Claudio Magris (Quetzal)
OS ANEIS DE SATURNO de W.G.Sebald (Quetzal)
ADMIRAVEL MUNDO NOVO de Aldous Huxley (Antigona)
TELEFÉRICO DA PENHA (IMAGINÁRIO E REALIDADE) de Esser Jorge Silva (Edições Húmus)
LIBRA de Don DeLillo (Sextante Editora)
CRÓNICAS DO AUTOCARRO de Manuel Jorge Marmelo (Ed. Autor by Oporto Lobers)
RELATÓRIO DO INTERIOR de Paul Auster (ASA)
FESTA NO COVIL de Juan Pablo Villalobos (Ahab)
AMSTERDÃO de Ian McEwan (Gradiva)
ALFABETOS de Claudio Magris (Quetzal)
PARA ONDE VÃO OS GUARDA-CHUVAS de Afonso Cruz (Alfaguara)


sábado, 1 de março de 2014

HAM ON RYE (PÃO COM FIAMBRE) de Charles Bukowski (Ulisseia) e THE CATCHER IN THE RYE (À ESPERA NO CENTEIO) de J.D. Salinger (Quetzal)


“A juventude é a embriaguez sem vinho” Johann Goethe


 

Há já um par de meses, com a oferta do romance autobiográfico de Bukowski por parte de um grande amigo que me aconteceu ler em simultâneo dois romances icónicos sobre a juventude. O Mítico “Catcher on the Rye” e o “Ham on Rye”, é assim esta uma crónica dupla sobre dois livros absolutamente essenciais.

Não sei se os acasos existem de facto. A verdade é que comecei a ler o “The catcher in the Rye” de J.D.Salinger e este “Ham on Rye” de Bukowski ao mesmo tempo. Terminei este primeiro. A sensação é brutal. A de estar encalhado entre dois portentos literários. Um tinha-o como um clássico, o outro é um autor de culto. Penso que se baralharmos os rótulos, ambos servem às duas obras. Mas o melhor é sugerir um de cada vez. Charles Bukowski é ele próprio em personagem em si mesmo. Um dos autores mais fascinantes do séc. XX. Um escritor intenso, revoltado, inclemente, excessivo, brutal, um dos melhores arautos da decadência individual e do artista enquanto marginal. Este “Ham on Rye” é uma memória autobiográfica, com as limitações e balizas que a realidade tem neste tipo de obras, onde ficamos a conhecer os primeiros anos de vida de Bukowski, pelo olhar do seu alter-ego Henry Chinaski. Muito do que virá a ser o homem e a sua obra se compreende neste percurso doloroso desde criança até ao final da adolescência. Ao ler Bukowski e Salinger ao mesmo tempo pude apreciar, não só dois estilos de escrita e duas visões absolutamente distintas sobre a mesma realidade (neste caso a adolescência americana), mas duas realidades, ainda que literárias completamente diversas. Desde os ambientes em que Henry Chinaski e Holden Caulfield se movem e crescem, que são dois extremos sociais, o primeiro criado numa família disfuncional e com óbvios problemas sociais, económicos e afetivos até ao registo de classe alta de Salinger. Não consigo saber se a opção pela leitura em conjunto potenciou o efeito que ambos os livros tiveram em mim, mas a verdade é que acabei a leitura completamente fascinado por um e outro.

Não valerá muito a pena deixar aqui todas as diferenças e inventar comparações, o que merece sobretudo a pena e é um crime não fazer, é deixar passar ao lado qualquer destas magníficas obras. Acrescento como sempre o faço a minha enorme admiração pela escrita de Bukowski, que estará longe de ser consensual. Mas é uma escolha minha e do que gosto, normalmente gosto muito. Quanto a Salinger de quem não tinha nunca lido nada, a melhor coisa que posso afirmar é que já tenho outro livro “Contos” pronto a entrar em linha de leitura.

Leiam…nem que seja para discordarem comigo.

Boa Semana e Boas Leituras!!!

Na Mesinha De Cabeceira:

MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier(Quetzal)

ARCO-IRIS DA GRAVIDADE  de Thomas Pynchon (Bertrand)

A CONSCIÊNCIA E O ROMANCE de David Lodge (ASA)

C de Tom McCarthy (Editorial Presença)

O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)

DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)

A RAPOSA AZUL de Sjon (Cavalo de Ferro)

À MESA COM KAFKA de Mark Crick (Casa das Letras)

LISBOA (A cidade vista de fora 1933-1974) de Neil Lochery (Editorial Presença)

ESCREVO PARA AJUSTAR CONTAS COM A IMPERFEIÇÃO de Ricardo Guimarães (Modo de Ler)

FUGAS de Alice Munro (Relógio D´Àgua)

DANUBIO de Claudio Magris (Quetzal)

OS ANEIS DE SATURNO de W.G.Sebald (Quetzal)

ADMIRAVEL MUNDO NOVO de Aldous Huxley (Antigona)

OS VELHOS DIABOS de Kingley Amis (Quetzal)

TELEFÉRICO DA PENHA (IMAGINÁRIO E REALIDADE) de Esser Jorge Silva (Edições Húmus)

LIBRA de Don DeLillo (Sextante Editora)

CRÓNICAS DO AUTOCARRO de Manuel Jorge Marmelo (Ed. Autor by Oporto Lobers)

RELATÓRIO DO INTERIOR de Paul Auster (ASA)

FESTA NO COVIL de Juan Pablo Villalobos (Ahab)

AMSTERDÃO de Ian McEwan (Gradiva)

ALFABETOS de Claudio Magris (Quetzal)

PARA ONDE VÃO OS GUARDA-CHUVAS de Afonso Cruz (Alfaguara)

O TANGO DA VELHA GUARDA de Arturo Pérez-Reverte (ASA)