HAM ON RYE (PÃO COM FIAMBRE) de Charles Bukowski (Ulisseia) e THE CATCHER IN THE RYE (À ESPERA NO CENTEIO) de J.D. Salinger (Quetzal)
“A juventude
é a embriaguez sem vinho” Johann Goethe
Há já um par de meses, com a oferta do romance autobiográfico de
Bukowski por parte de um grande amigo que me aconteceu ler em simultâneo dois
romances icónicos sobre a juventude. O Mítico “Catcher on the Rye” e o “Ham on
Rye”, é assim esta uma crónica dupla sobre dois livros absolutamente essenciais.
Não sei se os acasos existem de facto. A verdade é que comecei a ler o
“The catcher in the Rye” de J.D.Salinger e este “Ham on Rye” de Bukowski ao
mesmo tempo. Terminei este primeiro. A sensação é brutal. A de estar encalhado
entre dois portentos literários. Um tinha-o como um clássico, o outro é um autor
de culto. Penso que se baralharmos os rótulos, ambos servem às duas obras. Mas
o melhor é sugerir um de cada vez. Charles Bukowski é ele próprio em personagem
em si mesmo. Um dos autores mais fascinantes do séc. XX. Um escritor intenso,
revoltado, inclemente, excessivo, brutal, um dos melhores arautos da decadência
individual e do artista enquanto marginal. Este “Ham on Rye” é uma memória
autobiográfica, com as limitações e balizas que a realidade tem neste tipo de
obras, onde ficamos a conhecer os primeiros anos de vida de Bukowski, pelo
olhar do seu alter-ego Henry Chinaski. Muito do que virá a ser o homem e a sua
obra se compreende neste percurso doloroso desde criança até ao final da
adolescência. Ao ler Bukowski e Salinger ao mesmo tempo pude apreciar, não só
dois estilos de escrita e duas visões absolutamente distintas sobre a mesma
realidade (neste caso a adolescência americana), mas duas realidades, ainda que
literárias completamente diversas. Desde os ambientes em que Henry Chinaski e
Holden Caulfield se movem e crescem, que são dois extremos sociais, o primeiro
criado numa família disfuncional e com óbvios problemas sociais, económicos e
afetivos até ao registo de classe alta de Salinger. Não consigo saber se a
opção pela leitura em conjunto potenciou o efeito que ambos os livros tiveram
em mim, mas a verdade é que acabei a leitura completamente fascinado por um e
outro.
Não valerá muito a pena deixar aqui todas as diferenças e inventar comparações,
o que merece sobretudo a pena e é um crime não fazer, é deixar passar ao lado
qualquer destas magníficas obras. Acrescento como sempre o faço a minha enorme
admiração pela escrita de Bukowski, que estará longe de ser consensual. Mas é
uma escolha minha e do que gosto, normalmente gosto muito. Quanto a Salinger de
quem não tinha nunca lido nada, a melhor coisa que posso afirmar é que já tenho
outro livro “Contos” pronto a entrar em linha de leitura.
Leiam…nem que seja para discordarem comigo.
Boa Semana e Boas Leituras!!!
Na Mesinha De Cabeceira:
MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier(Quetzal)
ARCO-IRIS DA GRAVIDADE de Thomas
Pynchon (Bertrand)
A CONSCIÊNCIA E O ROMANCE de David Lodge (ASA)
C de Tom McCarthy (Editorial Presença)
O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)
DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)
A RAPOSA AZUL de Sjon (Cavalo de Ferro)
À MESA COM KAFKA de Mark Crick (Casa das Letras)
LISBOA (A cidade vista de fora 1933-1974) de Neil Lochery (Editorial
Presença)
ESCREVO PARA AJUSTAR CONTAS COM A IMPERFEIÇÃO de Ricardo Guimarães (Modo
de Ler)
FUGAS de Alice Munro (Relógio D´Àgua)
DANUBIO de Claudio Magris (Quetzal)
OS ANEIS DE SATURNO de W.G.Sebald (Quetzal)
ADMIRAVEL MUNDO NOVO de Aldous Huxley (Antigona)
OS VELHOS DIABOS de Kingley Amis (Quetzal)
TELEFÉRICO DA PENHA (IMAGINÁRIO E REALIDADE) de Esser Jorge Silva (Edições
Húmus)
LIBRA de Don DeLillo (Sextante Editora)
CRÓNICAS DO AUTOCARRO de Manuel Jorge Marmelo (Ed. Autor by Oporto
Lobers)
RELATÓRIO DO INTERIOR de Paul Auster (ASA)
FESTA NO COVIL de Juan Pablo Villalobos (Ahab)
AMSTERDÃO de Ian McEwan (Gradiva)
ALFABETOS de Claudio Magris (Quetzal)
PARA ONDE VÃO OS GUARDA-CHUVAS de Afonso Cruz (Alfaguara)
O TANGO DA VELHA GUARDA de Arturo Pérez-Reverte (ASA)
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