terça-feira, 20 de setembro de 2011

JOÃO AGUARDELA “Esta Vida de Marinheiro” de Ricardo Alexandre (Quidnovi)


"A tragédia da morte consiste em que ela transforma a vida em destino” ANDRÉ MALRAUX
De vez em quando, ao prazer de ler junta-se algo extra, uma motivação que acresce. É sempre o caso quando alguém que nos é próximo é quem escreve o livro que lemos. Há no momento que antecede a escrita e que a justifica, algo de fundamentalmente humano. Por vezes a raiva, o medo, a necessidade de partilha, o protesto, a vontade de dividir sentimentos, enfim um mundo de sentimentos e emoções, que se procuram fazer entender por quem lê. Provavelmente o Amor e a Amizade são das causas mais aproveitadas para catalizar essas emoções ou necessidades. Sendo que a Amizade é, para mim, uma forma superior de Amor, (pelo menos parece ser um virus mais resistente à acção do tempo e dos outros) e é um dos meus temas favoritos. E não é uma questão meramente individual, algumas das coisas mais sublimes que já li tem a marca indelével da Amizade. É o caso deste livro. É uma empresa que, seguramente, não desejo a ninguém, biografar um amigo que partiu. E nestas páginas, em todas elas, se nota que a emoção não foge, não se esconde. De todos os testemunhos, de todos os episódios que se contam do João Aguardela há um sentimento que perpassa comum, a Saudade e o vazio que ele deixa em todos que com ele se cruzaram nos dias da sua vida. Eu, como todos os que somos produto de uma geração que atravessou todas as paisagens que povoam este livro, os inesquecíveis anos 80, reconheço todo o mundo que aqui nos é contado. Os sitios, as músicas e as bandas. Mas o João Aguardela que conhecia começava e acabava no final das respectivas músicas. Não tinha noção do contributo gigantesco que deu para o avanço da música moderna portuguesa. Essa justiça que faltava fazer está toda nestas páginas.  O Ricardo Alexandre é um Grande Amigo, creio que, como às vezes digo em registo de conversa de café, que para se ser amigo tem de se possuir esse gene. Ele tem-no, a prova maior está neste supremo acto de Saudade e Amizade. Se há certezas, poucas, na vida, esta é uma delas, os nossos Amigos vivem para sempre, por nós e através de nós. Sem muito mais palavras, é um livro excelente. Para todos! Por todos os motivos! Não deixem que vos passe ao lado! Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

A Casa Verde de Mario Vargas Llosa (Dom Quixote)
Suite Francesa de Irene Nemirovsky (Dom Quixote)
O Cemitério de Praga de Umberto Eco (Gradiva)
No Coração Desta Terra de J.M. Coetzee (Dom Quixote)
Homem na Escuridão de Paul Auster (ASA)

1 comentário:

Dalaila disse...

Amei como retrataste o livro o autor é um hino a amizade. És digno das amizades. E do meu amor