segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A TROCA de David Lodge (Edições ASA)

“Nada é permanente, salvo a mudança” Heráclito



Volto uma vez mais a David Lodge, e desta vez por um motivo a mais do que o meu óbvio fascinio pelos livros que escreve. Esta coluna, aliás, foi inaugurada com uma sugestão de leitura de “A Vida em Surdina”, o seu ultimo romance. Regresso à sua obra porque, em primeiro lugar este livro “A Troca” é um prodígio de humor e um ensaio quase perfeito sobre um certo meio académico. Reportado à época em que é escrito, evidentemente. Mas onde se mantem muito daquilo que é distintivo do meio. Mas, e para não ir já ao livro propriamente dito, o que me sugeriu aqui voltar, foi, no meio de leituras soltas me ter apercebido que há uma trilogia, da qual “A Troca” é o primeiro livro. Ora para mim havia apenas dois livros, este e “O Mundo é Pequeno”, incidentalmente o primeiro do autor que li. Ao que parece, e é certo, que assim seja, há uma terceira parte que no original se chama “Nice Work”, ou “Bom Trabalho”, na tradução portuguesa. Seria excelente poder também sugeri-lo, só falta um pequeno pormenor, não o encontro editado entre nós. Ressalvo aqui que a minha busca se reporta ao catálogo da editora portuguesa e a uma busca mais ou menos extensiva na “rede”. É algo que realmente me surpreendeu, e, peço a quem souber, se de facto exitir edição portuguesa que me contradiga. Sim, porque a edição no original já vem a caminho. Não vá a coisa confirmar-se. Assim, aproveitando o facto de desconhecer este trilivro desta trilogia, o que devo confessar, me irrita um bocado, porque até esta data tinha a mania de ter lido tudo o que David Lodge tinha publicado em português , (sei que é um bocado presunçoso dito assim, mas peço que me perdoem, sou mesmo adepto das obras deste senhor). Acrescento que, se de facto o “Nice Work” não estiver de facto editado entre nós, eu pelo meu lado, e quem a mim se quiser juntar, vou pedir encarecidamente à editora que o faça. Se alguém, de entre os que partilham esta “coisa” por livros, tiver “friend in high places”, por favor, que utilize as influências, meta cunhas e quiçá corrompa um bocadinho. Valia a pena e, isso sim era um “Nice Work”! J Quanto ao romance “A Troca”, propriamente dito, retrata a vida de dois professores universitários, um norte- americano e um inglês, respectivamente Philip Swallow e Morris Zapp, que ao abrigo de um programa de intercâmbio trocam de Universidades, a de Rummidge (inspirada em Birmingham) e Plotinus no “inventado” State of Euphoria (inspirada em Berkeley, California). Este livro como poderão ver (ler), é um tratado sobre as idiossincrasias de dois nativos deslocados da sua tribo, e vai aprofundando o nível de ambientação de cada um, à respectiva nova realidade. Só posso acrescentar que é absolutamente genial e imperdível. Mais, é passado (e escrito) num periodo histórico muito particular, meados dos anos setenta, o que só ajuda a criar ambientes de um certo delirio, como constatarão. Faço esta sugestão, que, como sempre, na minha pessoalíssima opinião, é absolutamente a não perder. Aproveitem e Boas Leituras! J

PARA A SEMANA: A SUL DA FRONTEIRA, A OESTE DO SOL de Haruki Murakami (Casa das Letras)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

Continuam:

NO CORAÇÃO DE ÁFRICA de William Boyd (Casa das Letras)

CITAÇÕES E PENSAMENTOS DE FERNANDO PESSOA de Paulo Neves da Silva (Casa das Letras)

INÉDITOS de Antoine de Saint Exupéry (Casa das Letras)

BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA de Pablo de Jevenois (Esquilo)

O MONTE DOS VENDAVAIS de Emily Bronte

A ESTIRPE de Chuck Hogan e Guillermo del Toro

OS ANAGRAMAS DE VARSÓVIA de Richard Zimmler



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Entrada para a Estante....

A MULHER CERTA de Sándor Márai

“Não amamos a mulher por aquilo que diz, mas escutamo-la se a amamos” André Maurois

É o segundo livro que leio de Sándor Márai, o primeiro prometia a descoberta de um grande escritor, “As Velas Ardem Até ao Fim”, um reencontro de dois amigos, verdadeiros amigos, separados há quarenta anos e com um conflito por resolver, para resumir, uma obra-prima.A promessa de descoberta deste enorme escritor está cada vez mais cumprida, nesta segunda obra “A Mulher Certa”. Penso, e talvez a maior parte dos leitores compulsivos como eu, que há dois ou três aspectos fundamentais que distinguem que sabe de facto contar uma estória, a descrição dos ambientes, o enredo, mas fundamentalmente a caracterização das personagens. Sandor Marai é um mestre das personagens. Este livro, ou melhor este conjunto de estórias que se conjuga em livro, já que se trata de uma obra escrita em vários andamentos, começa por ser escrita como dois monólogos aos quais o autor acrescenta uma terceira parte e ainda um epilogo, este já escrito em 1980, se virmos que a primeira parte foi publicada em 1941 e uma das partes acrescentada em 1949, estamos perante uma obra que demorou praticamente 40 anos a ficar inteira, concluida. Não se trata contudo de uma tetralogia, não obstante as quatro partes distintas, é mais, se assim o entendermos, um conjunto de contos que fazem sentido entre si.

Sándor Márai, disseca e vai ao mais profundo das relações humanas, explora todas as vertentes e cambiantes daquilo que vemos uns nos outros e na forma como nos entregamos ou não. É um purista da linguagem, não encontramos um paragrafo a mais ou a menos, não sentimos que a obra fica aquém do que promete, muito pelo contrário. A temática do amor, da falta dele, da eminente mortalidade das personagens, os conflitos interiores cuja descrição destaco pela excêlencia, fazem deste autor e da sua obra uma verdadeira homenagem ao respeito pela verdadeira literatura. Este autor hungaro, tem uma vastíssima produção literária, cujo auge se situa nos anos 40 do século XX, e só não é mais conhecido, porque, tendo sido sempre um critico inconformado do regime comunista hungaro, viu as suas obras serem proibidas e ostracizadas por este, facto esse que o terá marcado até à morte por suicidio.

Que posso eu dizer, senão reconhecer após ter lido estes dois romances, que não seja, que se vê a consistência literária e moral deste autor. Que, e para mim não é indiferente a distinção, é um Escritor, na verdadeira acepção da palavra. Continuarei a procurar regressar ao que escreveu, porque mais do que escrever formalmente bem, é preciso conhecer as coisas de que se fala. E Sándor Márai conhecia-nos bem a todos. Boas Leituras!

PARA A SEMANA: A TROCA de David Lodge (Edições ASA)

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A ESSÊNCIA DO MAL de Sebastian Faulks - ao estilo de Ian Fleming (Civilização Editora)

“Desde Stettin no Baltico até Trieste no Adriatico, uma Cortina de Ferro desceu sobre o Continente.” Winston Churchill (1946)

A pedido da familia de Ian Fleming, no passado dia 28 de Maio de 2008 (centenário do nascimento do autor de James Bond), foi lançado por Sebastian Faulks, este romance, que sequencialmente seria o décimo quinto das aventuras do mais famoso espião britânico, Bond, James Bond - 007. Sebastian Faulks é um dos autores mais lidos da Grã Bretanha, e, para mais fácil reconhecimento, é entre outro sucessos, autor do romance “Charlotte Gray” recentemente protagonizado no cinema por Cate Blanchett. Para ser absolutamente franco, de Ian Fleming li apenas o Dr. No (em Portugal “O Agente Secreto”) e apesar de já por várias vezes ter tentado encontrar outros titulos da saga Bond em português, só consegui localizar o Casino Royale e o Vive e deixa Morrer. Reportando-me à memória desse Dr. No, este Bond de Faulks parece menos “duro”. Mas é uma belíssima homenagem a essa personagem eterna e ao seu autor, tem ritmo, tem os habituais personagens da epopeia Bond, “M”, “Moneypenny”, “Felix Leiter” etc, etc, etc. Tem também as indispensáveis “bond girls”, neste caso gémeas, e um enredo com o caracteristico mega-vilão “Julius Gorner”, e que, também aqui, como em outros anteriores tem uma deformação fisica marcante. É um Bond na “essência”. Diferente do Bond dos filmes, o que aliás, sempre foi. Se me permitem aqui uma pequena “achega” cinéfila, e correndo o risco de os muitos fãs não concordarem comigo, pessoalmente considero os filmes com o Daniel Craig, os mais fieis ao espirito Bond, pelo menos na forma mais crua como os romances são escritos. Voltando ao livro “Devil May Care”, no original, Bond está aqui no seu melhor estilo, com muita acçao, ritmo, viagens, e o glamour de sempre, a sofisticaçao versus violência foi sempre uma das imagens de marca deste super espião com “licença para matar”. Há também a manutenção na integra das caracteristicas de Bond, os “innuendos” sexuais a arte de galantear e a frieza de emoções. Por ultimo, Faulks optou por situar a acção no principio dos anos sessenta, cronológicamente a seguir ao ultimo livro de Ian Fleming “Octopussy & The Living Daylights”, uma colectanea de contos, portanto no auge da Guerra Fria. Os cenários internacionais, levam-nos a Teerão no tempo do Xá e é aí, que, pessoalmente faço uma descoberta espantosa, há no romance um veiculo gigantesco, meio barco, meio avião. Que, de facto existe. O Ekranoplan , aconselho uma pequena pesquisa sobre este assunto, fiquei de facto fascinado com esse meio de transporte também conhecido como “o Monstro do Mar Cáspio”. Enfim, um livro para os fãs de Bond, os aficionados da literatura de espionagem e de Ian Fleming, sem excluir Faulks, evidentemente que toma bem conta da encomenda que lhe foi entregue. Até para a semana e .... Leituras. Boas Leituras! J

PARA A SEMANA: A MULHER CERTA de Sándor Márai (D. Quixote)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

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NO CORAÇÃO DE ÁFRICA de William Boyd (Casa das Letras)

A MULHER CERTA de Sándor Márai (D. Quixote)

CITAÇÕES E PENSAMENTOS DE FERNANDO PESSOA de Paulo Neves da Silva (Casa das Letras)

BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA de Pablo de Jevenois (Esquilo)

O MONTE DOS VENDAVAIS de Emily Bronte

A ESTIRPE de Chuck Hogan e Guillermo del Toro

OS ANAGRAMAS DE VARSÓVIA de Richard Zimmler