quarta-feira, 30 de junho de 2010

Quem me ajuda?



Quem sabe quando teremos estes dois livros traduzidos e publicados em Portugal? Agradeço informações.

terça-feira, 22 de junho de 2010

AS VELAS ARDEM ATÉ AO FIM de Sándor Márai (D. Quixote)

“A Amizade é uma alma com dois corpos.” ARISTÓTELES

Já aqui falei de Sándor Márai a propósito de “A Mulher Certa”, no entanto regresso a este excelente e tão injustiçado autor, a propósito do primeiro livro que li dele. Sem mais, posso afirmar de entrada, que é um dos mais belos hinos à Amizade que li até À data. Escrito como sempre, sem concessões de ordem nenhuma à facilidade. É um romance invulgar que trata um dos temas mais universalmente aborados de sempre, a Amizade, no seu conceito mais verdadeiro e profundo. A sua primeira publicação é de 1942, no entanto, não há qualquer analogia com o estado de Guerra em que a Europa se encontrava na altura. A estória contida no livro passa-se no inicio do Séc. XX, no ocaso do Império Austro-Húngaro e descreve-o também. Dois Amigos, Henrik e Konrad, reencontram-se passados 41 anos sobre um facto trágico que marca o fim (ou não) da enorme Amizade que mantinham. 41 anos depois, Henrik, um aristocrata, recebe Konrad no seu Palácio para, descrevendo o que se passou, poder ter algumas respostas. Há uma longa e deliciosa descrição do Passado dos dois enquanto Amigos, desde o momento em que se conhecem, à consolidação de Uma Amizade que se pretendia absoluta, até um desfecho trágico em que intervém Krisztina, mulher de Henrik, que determina a derrocada da relação entre ambos e o longo exilio de Konrad. É um livro em que a Amizade, embora em conceito, quase se torna tangível. Podemos viajar dentro de tudo aquilo que a constrói. A Lealdade, a Honra, mas também com conceitos de época, onde entra a Honra e a Tradição. E a cartografia da perda, que aqui é dupla para os dois, que perdem a Amizade e a mulher amada, é algo que vale por si só. Sándor Márai, cujo percurso de vida levou a que a sua obra só muito tardiamente fosse (re)conhecida, é um Mestre. Cria personagens e ambientes absolutos, com um rigor de escrita e uma profundidade de ideias muito dificeis de alcançar. Este livro é obrigatório em qualquer estante que se preze. Nada menos. Boas Leituras!

PARA A SEMANA: A FOGUEIRA DAS VAIDADES de TOM WOLFE (D. Quixote)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

Continuam:

A VOZ DO VIOLINO de Andrea Camilleri (DIFEL)

ESCRÍTICA POP de Miguel Esteves Cardoso (Assírio & Alvim)

CICATRIZES DE MULHER de Sofia Branco (Publico)

INÉDITOS de Antoine de Saint Exupéry (Casa das Letras)

CRÓNICA DO PÁSSARO DE CORDA de Haruki Murakami (Casa das Letras)

OS ANAGRAMAS DE VARSÓVIA de Richard Zimmler


quinta-feira, 17 de junho de 2010

CADERNO AFEGÃO de Alexandra Lucas Coelho (Tinta da China)

“Damo-nos bem com a discórdia, damo-nos bem com alertas, damo-nos bem com sangue. Mas nunca nos demos bem com um dono.” Velho Afegão citado por MOUNTSTUART ELPHINSTONE


Com um agradecimento especial ao Miguel Carvalho que foi quem me ofereceu.

Excelente! O livro de viagem por definição. Escrito por uma viajante, mais do que por uma jornalista, leva-nos a um Afeganistão cujo significado está muito para além das noticias dos jornais e televisões. Tratado com uma proximidade e uma humanidade deficil de reproduzir. Este Caderno dá-nos uma imagem actual,vivida e nítida daquele que é um dos teatros de operações militares mais distantes e complexos do pós 11 de Setembro. As diferentes tribos, os rituais, a arquitectura, a paisagem, os cheiros e especialmente o retrato de todos que vivem neste Afeganistão retratado, compõe um quadro tridimensional, que nos fornece uma ideia muito mais concreta do que é esta nação.Ficamos a saber o que é o “pakol”, o “patou”, o “shalwar kamiz”, a “taquiyah” ou podemos ir a algumas “chaikanas”, entre tadjiques, pashtun (os talibans são-no). Viajamos por sítios que compõe alguns telejornais e relatos de vidas distantes, Kandahar, Jalalabad, Herat (com uma descrição que dá vontade de nos metermos num avião em seguida), Cabul, Mazar-i-Sharif ou Bamiyan. Convivemos com mujahedin, e ouvimos falar dari, pashto ou uzbeque e ficamos asaber que há burqas de outras cores que não só o azul. Não me parece que se possa considerar este livro como uma obra jornalistica apenas, apesar de algumas partes se enquadrarem nesse registo, a forma de (d)escrever de Alexandra Lucas Coelho, torna os sujeitos da escrita em realidades concretas e palpáveis. Sem nunca pretender tirar conclusões sobre a bondade dos pontos de vista, sem nunca indicar culpados nem inocentes, é atravez do seu olhar observador e atento que se nos oferece a possibilidade, de sermos nós próprios a chegar a conclusões. É boa politica, penso eu. Neste tipo de obras caí-se com facilidade em considerações de ordem moral, ou pior, em obras de cariz panfletário. Aqui não. De modo nenhum. A visão da complexidade da estrutura social do Afeganistão, é- nos oferecida do individual para o geral, a partir de pessoas concretas, individualmente consideradas e postas, bem postas diria, em contexto. Boas Leituras!

PARA A SEMANA: AS VELAS ARDEM ATÉ AO FIM de Sandor Marai (D. Quixote)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

Continuam:

A VOZ DO VIOLINO de Andrea Camilleri (DIFEL)

ESCRÍTICA POP de Miguel Esteves Cardoso (Assírio & Alvim)

CICATRIZES DE MULHER de Sofia Branco (Publico)

INÉDITOS de Antoine de Saint Exupéry (Casa das Letras)

CRÓNICA DO PÁSSARO DE CORDA de Haruki Murakami (Casa das Letras)

OS ANAGRAMAS DE VARSÓVIA de Richard Zimmler


terça-feira, 15 de junho de 2010

sexta-feira, 11 de junho de 2010

PENSAMENTOS SECRETOS de David Lodge (Edições ASA)

"Os meus pensamentos são a minha perdição” Diderot

Volto a sugerir aqui uma obra de David Lodge, desta vez com uma temática e uma construcção, que, tendo na essência um universo e uma atmosfera muito ligadas ao autor, o mundo academico e as suas teias sociais, muda substancialmente na forma. O fio condutor do romance é a relação entre dois professores universitários, Ralph Messenger e Helen Reed. Ele estuda a consciência humana, ela é uma romancista convidada a dar aulas na mesma Universidade. O que torna este livro absolutamente imperdível é a forma como é escrito. Temos por um lado Ralph, que, a propósito do seu trabalho grava os seus pensamentos, e é desta forma, em discurso directo que o vamos conhecendo. Helen, por seu lado, mantém um diário onde regista todo o seu dia-a-dia. A estes dois registos soma-se um narrador. Resulta. E de tal forma que é um livro que muito dificilmente se consegue parar antes do final. Todos os ingredientes habituais no livros de David Lodge aqui estão, o humor, a ironia, uma certa tensão sexual entre as personagens, mas sobretudo a forma como todos os grandes temas são abordados. David Lodge, consegue ao longo de toda a sua obra, e aqui já temos por vezes, falado dela, abordar de forma interessante e construtiva temas profundos e sérios. Há passagens de um brilhantismo enorme, e do todo do livro, que é excelente, permito-me destacar uma parte que é genial. Helen Reed como romancista e professora convidada, pede aos seus alunos para à volta de um tema comum tentarem, em registo de escrita criativa copiar o “estilo” de alguns romancistas conhecidos. O resultado é absolutamente impagável. Atentem no aluno que escreve um texto “à Irvine Welsh”, como exemplo. É um excelente livro, que independentemente de já não ser recente é sempre actual na essência, como todos os bons livros. Como já repararam é um dos meus autores de culto. E a ideia de aqui escrever é essa, recomendar e partilhar autores e livros de que gosto. Nada Mais. Boas Leituras!

PARA A SEMANA: CADERNO AFEGÃO de Alexandra Lucas Coelho (Tinta da China)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

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ESCRÍTICA POP de Miguel Esteves Cardoso (Assírio & Alvim)

CICATRIZES DE MULHER de Sofia Branco (Publico)

INÉDITOS de Antoine de Saint Exupéry (Casa das Letras)

CRÓNICA DO PÁSSARO DE CORDA de Haruki Murakami (Casa das Letras)

OS ANAGRAMAS DE VARSÓVIA de Richard Zimmler

sexta-feira, 4 de junho de 2010

CEM ANOS DE SOLIDÃO de Gabriel García Márquez (D. Quixote)

“Todo o Inferno está contido nesta única palavra: solidão”Victor Hugo
Para fazer uma breve pausa nas muitas novidades que o mercado livreiro nos vai fazendo chegar, vou regressar aos “meus” clássicos. Há dúvidas sobre quem primeiro terá utilizado o termo “realismo mágico”. Ora não há duvida nenhuma, para mim, de quem é o seu expoente máximo como autor. Gabriel Garcia Marquez. Penso que é, nesta coluna, impossivel escrever muito sobre Garcia Marquez. E de certa forma, é também um atrevimento, vir sugerir um livro que qualquer pessoa que se pretenda amante de livros já deve ter lido. Adianto desde já, que os “Cem Anos de Solidão” foram para mim, na altura em que o li, a descoberta de um dos mais espantosos livros de sempre. E isso permanece até hoje. A aldeia de Macondo, o genial Melquíades, os Buendia. A magistral frase de abertura “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento,o coronel Aureliano Buendia havia de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo.”A novidade, para mim, de entrar num mundo onde o imaginário se alarga até a fronteiras que antes não conhecia. É um livro mágico. É uma obra fundamental. Primordial. Já aqui, na “Estante” aconselhei obras de Garcia Marquez. Esta é de entre todas a que mais me marcou. Assinala um caminho novo na literatura e faz-nos crer que há de facto sitios e realidades mágicas. A saga da familia Buendía, a praga que sobre eles se abate, os condena e a todos atinge durante cem anos. A galeria de personagens é absolutamente ímpar. E a leitura é profundamente cativante. Não é dificil aconselhar a leitura de Garcia Marquez. E, se for o caso de por qualquer motivo nunca tiverem lido nada deste grande escritor, é talvez por aqui que devem começar. Uma vez entrados neste mundo, é dificil voltar a sair, acreditem. Entretanto, aproveito para deixar como sugestão uma visita à 80ª Feira do Livro do Porto, este ano a decorrer nos Aliados de 1 a 20 de Junho. Tenciono passar por lá e aproveitar para tentar descobrir mais algumas leituras para partilhar aqui. Boas Leituras!

PARA A SEMANA: PENSAMENTOS SECRETOS de David Lodge (Edições ASA)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

Entra: CICATRIZES DE MULHER de Sofia Branco (Publico)

Continuam:

CADERNO AFEGÃO de Alexandra Lucas Coelho (Tinta da China)

ESCRÍTICA POP de Miguel Esteves Cardoso (Assírio & Alvim)

INÉDITOS de Antoine de Saint Exupéry (Casa das Letras)

CRÓNICA DO PÁSSARO DE CORDA de Haruki Murakami (Casa das Letras)

OS ANAGRAMAS DE VARSÓVIA de Richard Zimmler