terça-feira, 10 de setembro de 2013

INFERNO de Dan Brown (Bertrand)

“Acredito que estou no Inferno, portanto estou nele” Arthur Rimbaud


Mais um regresso após a habitual pausa de Agosto. Como ainda nos mantemos neste Verão sufocante de calor e incêndios a desmentir com todas as letras as previsões boateiras que davam este estio como perdido, vamos a uma sugestão tipicamente estival. De Dan Brown penso que não será necessário adiantar muito, toda a gente que lê, conhece ou já ouviu falar no autor de “O Código Da Vinci”. No seio de uma imensa oferta de livros que visam um entretenimento mais ou menos inteligente, este autor destaca-se pela descoberta de uma fórmula de sucesso que tem vindo a reproduzir livro após livro. A personagem, Robert Langdon, que já se tornou uma marca comercial e cinematográfica volta a protagonizar mais esta aventura. Se Brown trouxe com assinalável sucesso para a ribalta os temas do hermetismo, esoterismo, dos cultos e seitas mais ou menos discretos com obras anteriores, já este livro é uma espécie de corrida para salvar o mundo de uma ameaça pandémica. A receita, apesar de reproduzir a fórmula de que acima falamos é sempre agradável em termos de leitura. É mais uma espécie de “caça ao tesouro” onde os personagens são guiados por pistas que remetem para locais e factos históricos existentes. Tenho dito que estes livros, que induzem mesmo a um certo tipo de turismo, fazem um bom papel como guias. Este, leva-nos a conhecer, para além da obra e do autor que presidem à trama, a Divina Comédia de Dante Alighieri, (da qual aqui falei à escassas semanas por coincidência), as cidades de Florença, Veneza e Istambul. Dan Brown imprime um ritmo acelerado ao que dele lemos, introduz na trama um sem número de truques e artifícios que levam o leitor a nunca deixar de querer saber mais sobre o que está, e sobretudo o que vai acontecer em seguida. Em suma, é um livro que não nos muda a vida mas que nos entretém muito bem. E, pode sempre acontecer, que numa das descrições de obras, monumentos ou locais do livro se venha a encontrar assunto que nos leve a aprofundar conhecimento. Julgo que há classificações para o género, não é no entanto assunto que me motive. É um livro escrito para o mercado global e, globalmente agrada. Cumpre a sua maior função que é oferecer algumas horas de divertimento. Nos livros como no resto, aplica-se bem o célebre “toujours perdrix”. Bom regresso ao trabalho ou boas férias mas sobretudo, muito Boas Leituras!

Boas Leituras e Boas Férias se for o caso!!!

Na Mesinha De Cabeceira:

MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier(Quetzal)
ARCO-IRIS DA GRAVIDADE  de Thomas Pynchon (Bertrand)
A CONSCIÊNCIA E O ROMANCE de David Lodge (ASA)
C de Tom McCarthy (Editorial Presença)
A QUESTÃO FINKLER de Howard Jacobson (Porto Editora)
O JOGO DO MUNDO de Julio Cortazar (Cavalo de Ferro)
AS AVENTURAS DE AUGIE MARCH de Saul Bellow (Quetzal)
PEYROTEO de João Nuno Coelho e Francisco Pinheiro (Ed. Afrontamento)
OS VELHOS DIABOS  de Kingley Amis (Quetzal)
OS ANÉIS DE SATURNO de W.G. Sebald (Quetzal)
DANÚBIO de Claudio Magris (Quetzal)

1 comentário:

Alex disse...

"É um livro escrito para o mercado global e, globalmente agrada." Concordo plenamente. Exigir mais de Dan Brown é ter expectativas irrealistas, não é?