segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O MEU PIPI (diário) de (Autor Desconhecido até à data) (Oficina do Livro)

"É muito mais honesto estar nu do que usar roupas transparentes." Erasmus


O Meu Pipi é, para quem conhece, uma das glórias do início da febre dos blogues. Data de início deste século e fez furor durante uns tempos. É, na minha modestíssima opinião um dos melhores hinos à javardice alguma vez tentados em língua portuguesa. A ombrear com os grandes clássicos do avacalhanço e da semi-pornografia. Reli a coisa passados estes anos. Esta edição que me emprestaram é de 2003 e é a 11ª primeira, o que quer dizer, mais coisa, menos coisa que há mais de dez anos, “O meu Pipi” já andaria na casa das cinco dezenas de milhares de exemplares vendidos. Como se costuma dizer, se foi por engano, foi um belo engano. Não acho. É um tipo de escrita particular, para um universo também ele particular. Não é, repito enfaticamente, não é o tipo de escrita e menos ainda o tipo de conteúdos que possa ser para toda a gente. Para muitos (e verdade seja dita, até para mim em algumas passagens) a coisa passa todos os limites. Está para além, da moral, da decência, do mais básico respeito pelo ser humano e pelo sexo. E nisso é muito bom. Sou claramente um fã da coisa. É uma sucessão de entradas de um diário em que se versa o sexo pelo lado mais absolutamente machista, homofóbico e absurdo, o que transforma “O Meu Pipi” numa longa conversa de rapazes sobre sexo. Com tudo de exagero, violência verbal e pornografia que se possa imaginar. Contudo, e é aí precisamente que a obra tem o seu golpe de asa, é bem escrito, revela uma imaginação prodigiosa (escabrosa também, e certo) e tem, nalgumas partes laivos de alguma erudição. Por tudo isto, foram vários os  de quem se disse poderem ser os seus autores, Vasco Graça Moura (que desmentiu em poema ser o Pipi), Miguel Esteves Cardoso, Rui Zink e outros nomes mais ou menos consagrados do panorama literário e jornalístico do País. E mais, é dito no prefácio, que como estamos em Portugal o segredo desta autoria não deveria durar muito. Engano, vai para lá de uma década que o Pipi não foi descoberto. Ou para utilizar uma analogia do género, continua por circuncidar J. Goste-se ou não. E é fácil quer uma quer outra coisa, porque a obra não admite indiferenças, há um efeito que é inegável em quem aceite o género. Tem entradas e passagens absolutamente delirantes de humor. Por isso, que é um efeito nem sempre conseguido e muitas vezes tentado, vale a pena. Claro que no final nos sentimos também grandes javardos, mas enfim, é como se voltássemos por instantes às conversas de rapazes no seu melhor ou no seu pior. Fartei-me de rir outra vez. E isso chega-me.

Boa Semana e Boas Leituras!!!

Na Mesinha De Cabeceira:

A CASA DA ARANHA de Paul Bowles (Quetzal)
AS LUZES DE SETEMBRO de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)
TEATRO DE SABBATH de Philip Roth (D. Quixote)
O TODO-MEU de Andrea Camilleri (Bertrand)
AMORES E SAUDADES DE UM PORTUGUÊS ARRELIADO de Miguel Esteves Cardoso (Porto Editora)
PANICO NO SCALA de Dino Buzzati (Cavalo de Ferro)
O ENTE QUERIDO de Evelyn Waugh
TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR de Flannery O´Connor
VITORIA de Joseph Conrad (Ulisseia)
A SORTE QUE MOVE O DESTINO de Matthew Quick (Editorial Presença)
OS FACTOS de Philip Roth (D.Quixote)
A SOMBRA DA ROTA DA SEDA de Colin Thubron (Bertrand)
AS LUZES DE SETEMBRO de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)
MAS É BONITO de Geoff Dyer (Quetzal)
VERDADE AO AMANHECER de Ernest Hemingway
MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier (Quetzal)
O JOGO DO MUNDO de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro)
DIÁRIO PARA ELIZA de Lawrence Sterne (Antígona)
FUGAS de Alice Munro (Relógio D´Àgua)
DANUBIO de Claudio Magris (Quetzal)
OS ANEIS DE SATURNO de W.G.Sebald (Quetzal)
TELEFÉRICO DA PENHA (IMAGINÁRIO E REALIDADE) de Esser Jorge Silva (Edições Húmus)
LIBRA de Don DeLillo (Sextante Editora)
RELATÓRIO DO INTERIOR de Paul Auster (ASA)
AMSTERDÃO de Ian McEwan (Gradiva)
ALFABETOS de Claudio Magris (Quetzal)




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