segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

The Imitation Game


Alan Turing, uma das personagens mais geniais e complexas do século XX, um brilhante matemático e filósofo, o criador das "Máquinas de Turing" coisas simples a que hoje chamamos computadores e onde escrevo esta sugestão de cinema. Centrada numa história já contada de multiplas formas, a descoberta do código alemão contido na máquina "Enigma" e que mudou o rumo da II Grande Guerra. Uma absolutamente impar atuação de Benedict Cumberbatch descreve-nos e leva-nos aos segredos do homem que desvendava segredos. Uma história demasiado conhecida para nos atrevermos a esquecê-la. Quem não sair do filme com a certeza que é de tolerância e de aceitação da diferença que aqui se fala, não merece ver este excelente filme :) 

Locke


Absolutamente imperdível! Um homem, uma viagem de carro e uma história contada em vários telefonemas. Uma interpretação fabulosa. Uma história simples e espantosamente bem contada! Estou em crer que este ano (apesar de este filme ser de 2013) tenho visto do melhor cinema de que tenho memória. Haja quem pense que o génio não está no argumento e na interpretação, erro. Como se prova! E Tom Hardy num papel absolutamente fora do registo mainstream a que estava mais habituado.

domingo, 18 de janeiro de 2015

St Vincent



Apetece repetir mil vezes: Bill Murray! Não tenho culpa. Sou fã do homem e do ator. Este filme é uma delicia. O argumento, simples e de certa forma banal, igual a tantos outros que o cinema nos oferece, tem aqui uma diferença abissal, tem atores, bons, muito bons, excelentes. É o "feel good movie" por excelência, daqueles que se termina com pena. Pede-se sempre um pouco mais seja do que for quando é bom. Seja nos filmes, nos livros ou na vida. Nestes ultimos dias em que começa a tradicional (para mim e para alguns queridos amigos meus) corrida a ver todos os pré e agora candidatos aos Oscares da Academia, tenho que afirmar que, ao contrário de anos passados em que não tive dificuldade em escolher os meus favoritos pela ausência de filmes e interpretações de vulto, desta vez estou a ficar confuso com a qualidade do que vou vendo. E, ainda que não tenha sido nomeado, Bill Murray tem sempre o meu Oscar. Um Oscar por ser ele próprio uma das mais geniais personagens e/ou personalidades da história do cinema. Vejam, é uma maravilha e tem momentos de humor únicos. Como disse no fim do filme, este só podia ter sido interpretado por Bill Murray. Evidentemente que outros o poderiam fazer, mas não era a mesma coisa :) De destacar a espantosa Naomi Watts também, com muita muita piada num papel atípico. Recomendo sem reservas. Quem não gostar disto não anda bem....

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Birdman

(The unexpected virtue of ignorance)



Duas vezes na mesma semana a ver cinema em sala. Infelizmente raro nos dias que correm. Mas recorda à saciedade que "uma coisa é uma coisa, não é o que dizem dela". Isto para citar um autocolante no espelho de Riggan/Michael Keaton dos bastidores de "De que falamos quando falamos de amor" de Raymond Carver, a peça que este realiza enquanto Riggan, o ex-super herói "Birdman", a tentar um regresso a uma carreira de actor completamente marcada por esse mesmo papel num blockbuster.
O mesmo será dizer que é Michael Keaton a interpretar alguém que tenha feito um "Batman". É claramente um argumento de alfaiate, para este enorme ator que tem aqui uma, senão a melhor, das suas interpretações. Com Edward Norton, Naomi Watts, Emma Stone, Zach Galifianikis e uma banda sonora excêntrica de boa, este filme é uma homenagem clara ao cinema, ao teatro e sobretudo uma bandeira de esperança. A visão de Iñarritú sobre isto, é o que me fez pensar no fim que ainda há argumentos, realizadores, actores, cinema e filmes que valem a pena.
Vão ver :)

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

BoyHood



Mais um grande filme da programação do Cineclube de Guimarães neste inicio de 2015.
12 anos de filmagens, os mesmos atores, uma história simples, como todas as boas histórias. Por isso mesmo um bom filme. Conta uma história onde cabem pedaços de cada um de nós. Podemos rever cenas da nossa infância, da nossa adolescência, da nossa vida como irmãos, mas para mim particularmente, o filme dá-nos uma visão especial da paternidade e das relações dos adultos. Uma viagem a um universo que somos nós todos.
Gostei muito. É um bom retrato de uma familia, tão disfuncional como qualquer outra das muitas que nos rodeiam e conhecemos mais de perto.
E mostra-nos como vamos evoluindo enquanto filhos, pais e casais.
Não é fácil contar histórias simples. A normalidade aparentemente não gera interesse, mas esta visão alongada no tempo resulta excelente. É um daqueles filmes que corre um risco imenso de se perder na sua própria história, mas consegue manter um nivel certo de vida e realidade que o tornam muito maior do que a mera soma das partes.
Acrescem desempenhos muito bons de muito bons atores.
Mais uma visão de Richard Linklater sobre a passagem do tempo e outra vez com o Ethan Hawke, ator de que gosto particularmente.
Vão ver, não se arrependem. Se possivel numa sala de cinema :)