quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O HOMEM QUE MATOU GETÚLIO VARGAS de Jô Soares (EDITORIAL PRESENÇA)

São as circunstâncias que governam os homens, não os homens que governam as circunstâncias HERÓDOTO

Não sei bem o que nos leva, cada um de nós a ler. E dentro do que lemos, também não sei quais os factores que determinam o que lemos a cada momento. Há no entanto uma coisa que sei, quando um livro de um determinado autor me desperta interesse ou me agrada, tento procurar mais, e, quando posso, ler um ou dois livros desse autor de seguida. Não sei se o faço para confirmar impressões, ou simplesmente, porque quando se gosta de determinada coisa quer-se sempre um bocadinho mais. Tem sido assim comigo, e, se repararem, ultimamente foi-o com a obra de J. Rentes de Carvalho, que estou a acompanhar com especial prazer, assim como é com Jô Soares, do qual, não sendo uma descoberta, mas um feliz reencontro, venho sugerir mais este livro delicioso. “O Homem que matou Getulio Vargas” é um romance bem ao estilo de Jô Soares, com um personagem central muito bem conseguido, uma galeria de actores secundários excelente e uma história fantástica. Se existe a categoria de “anti-herói” na literatura, Dimitri Borja Korosec é o “anti-vilão”, é uma espécie de “Cândido” de Voltaire, (personagem famosa pelo azar que o acompanha) voltado para as artes do assassinato politico. Vamos acompanhar a história deste filho de um anarquista sérvio e de uma artista de circo brasileira (uma mistura já de si explosiva) num périplo de atentados contra todos os tiranos do Mundo. Passado nos primeiros anos do Séc. XX, cruzando-se com as mais influentes figuras dos circulos artísticos, cientificos, politicos e mesmo “gangsters” (perdoem-me a repetição, sómente para efeitos de estilo), o nosso militante anarquista vai vendo as teias que tece para cada projecto sucessivamente abortadas, numa voragem de insucesso inversamente proporcional ao gosto com que se lê este livro. O humor (o bom) acompanha-nos da primeira à ultima página, com situações muito bem urdidas e com um cenário de época muito bem delineado e descrito. Mais uma vez se dá por muito bem empregue o tempo de leitura neste livro de um cada vez mais, para mim, escritor, que tão sómente figura de televisão. “Viva o Gordo”! Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

Tempestade de William Boyd (Casa das Letras)

A Tapeçaria do Sinai de Edward Whittemore (Ulisseia)

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