quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A TAPEÇARIA DO SINAI de Edward Whittemore (Ulisseia)

Originalidade não consiste em dizer o que ninguém disse antes, mas em dizer exactamente o que você pensa por si próprio JAMES STEPHENS

Pode-se ler na capa deste livro que o seu autor é: o grande autor americano desconhecido do Séc. XX, mais coisa menos coisa. Habituado que estou às citações de terceiros, e a um cada vez mais rotineiro uso e abuso de estratégias de marketing e autopromoção por parte de editores, livreiros e autores, fiquei, como se costuma dizer, “de pé atrás”. Sendo assim, nada mais me restava que não fosse ler com os meus próprios olhos e, deixar aqui as minhas conclusões. E que boa surpresa se tornou este livro. Lido sem qualquer espectativa de maior, posso agora dizer que é uma obra prodígiosa. E prodígios não faltam neste livros. Para começar, ainda estou com a cabeça à roda na tentativa de o classificar. Não é fácil. É um registo literário muito próprio, andará certamente não muito longe do realismo mágico, mas num mundo e em cenários muito diferentes daqueles a que a escrita sul-americana, expoente máximo deste género, nos habituou. É uma obra de grande fôlego, de uma imaginação sem limites e muito bem construída. Tem personagens absolutamente diferentes de tudo quanto já vimos, e movem-se num mundo que só por coincidência pode ser o nosso. O livro, de que este “Tapeçaria do Sinai” é apenas o primeiro de quatro tomos de “O Quarteto de Jerusalem”, apresenta-nos uma visão muito particular do Médio Oriente, traçada por um fresco de imagens e personagens inauditas. Um aristocrata ingês, surdo, com dois metros de altura, bôtanico e espadachim, explora o Médio Oriente, escreve um ostracizado tratado sobre sexo, e chega a comprar o Império Otomano. Um nobre Albanês, torna-se monge e descobre uma cópia da Biblia que vai posteriormente falsificar e um Irlandês, filho de um profeta, que foge da Irlanda ocupada pelos Ingleses, disfarçado de freira e que se torna traficante de armas. São, para resumir, muito, estes os ingredientes desta obra que com um humor assinalável, acumula facto e feitos improváveis uns atras dos outros, a um ritmo que não podemos senão acompanhar com prazer e surpresa, esta história plena de magia e originalidade. Esqueçam o que os outros dizem sobre este livro, esqueçam inclusivamente o que aqui vos digo, mas por favor leiam. Vale verdadeiramente a pena!íBoas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

Tempestade de William Boyd (Casa das Letras)

O Filho Eterno de Cristovão Tezza (Record)

O Feitiço de Xangai de Juan Marsé (D. Quixote)

1 comentário:

Elza Magna disse...

Nunca li nada desse autor, Ricardo, mas já havia ouvido falar dessa tetralogia. As características que tu assinalas tornam-o extremamente atraente para mim. Realismo mágico mais humor já é uma dobradinha praticamente imbatível.

Obrigada.

Um abraço