segunda-feira, 9 de abril de 2012

CONTOS COMPLETOS (1947-1992) de Gabriel Garcia Marquez (D. Quixote)


"Um livro de contos é um livro ligeiro de emoções curtas: deve portanto ser leve, portátil, fácil de se levar na algibeira para debaixo de uma árvore, e confortável para se ter à cabeceira da cama. Não pode ter o formato dum relatório, que, sendo destinado em definitivo a embrulhar objectos, deve ter de antemão o tamanho cómodo do papel de embrulho; nem pode ter o volume dum calhamaço de erudição histórica, impresso com o fim de ornamentar uma biblioteca.” Eça de Queiróz


Não resisti à citação Queirosiana acima. É um facto que o conto, a novela ou “short story” é um registo literário que não é um domínio universal. Há imensos factores a determinar a qualidade dos grandes “contadores de contos”. Há desde o registo mais factual, e nesse campo há muitos autores que se nota que vem claramente do jornalismo para esta área ( e Gabriel Garcia Marquez não é aqui a excepção), e há-os que dentro de um campo mais especificamente literato também por aqui fazem umas incursões. Eu devo dizer que sou um aficionado deste género e que tenho tido, felizmente, a sorte de ter lido muitos e muito bons livros de contos. Lembro-me sobretudo de ter descoberto, já no final da adolescência num alfarrabista amigo, um pequeno livro de contos de Oscar Wilde, que li, e nele fui encontrar histórias da minha infância, que erradamente atribuía ao domínio da cultura popular. Um dia aqui falarei dessa boa surpresa. Hoje no entanto o tema é outro. É um regresso a um dos meus autores favoritos, e que durante o tempo em que durou a tremenda ilusão que me causou o “Cem Anos de Solidão” esteve num patamar cimeiro das minhas preferências. A este respeito, e correndo o risco de me repetir, foi talvez o único dos grandes livros da minha vida que não consegui reler. Ainda não sei o porquê desse impedimento, mas a verdade é que quando alguns anos depois da leitura inicial peguei no livro para o reler, não consegui passar da primeira página. Um destes dias tento outra vez. Voltando à sugestão (ou sugestões ) desta semana, é absolutamente fácil recomendar esta obra. Estão neste volume (que contradiz em parte a recomendação de Eça de Queiróz acima, mas que se compreende que todos estes contos obedeceram a ela cada um na sua vez), dizia, estão neste volume 45 anos de escrita, representados numa coleção de 41 contos. Para quem já leu Gabriel Garcia Marquez, é quase abusivo tecer considerações ou mesmo tentar apontar méritos à sua escrita. Para quem, por azar, nunca tenha lido, tem aqui muitos e bons caminhos para iniciar esse trilho. Por manifesta falta de espaço a que esta coluna me obriga, voltarei a este volume de contos com a minha opinião sobre aqueles de que mais gostei. No entretanto, comprem, e aproveitem, é no mínimo mágico. Boas Leituras! J

Na Mesinha De Cabeceira:
Kyoto de Yasunary Kawabata (Dom Quixote)
Rever Portugal de Jorge de Sena (Guimarães)
Uma Mentira Mil Vezes Repetida de Manuel Jorge Marmelo (Quetzal)
O Ano do Dilúvio de Margaret Atwood (Bertrand)
Ravelstein de Saul Bellow (Quetzal)

1 comentário:

Anónimo disse...

Já li e está, sem dúvida, extraordinário