segunda-feira, 9 de abril de 2012

O ASSASSINO À CHUVA E OUTRAS HISTÓRIAS de Raymond Chandler (Afrontamento)


"É preciso não esquecer e respeitar a violência que temos. As pequenas violências salvam-nos das grandes.” Clarisse Lispector

O romance policial sofreu sempre, e acho que sofre ainda de um certo complexo de inferioridade literária na mente de algumas pessoas. Para mim nada de mais longe da verdade. Sou, e aqui o tenho reafirmado ao longo destas sugestões um leitor ávido de bons policiais. Felizmente (não só para mim) há muitos e bons autores que fizeram deste género uma fonte inesgotável de horas de prazer. Mas há que reconhecer que há quem tenha feito um pouco mais do que a maioria para elevar o nível dentro deste clube restrito. E Raymond Chandler é absolutamente incontornável nessa eventual lista. Este livro “O Assassino à Chuva e Outras Histórias” é nada mais, nada menos do que um clássico. Publicado nos anos 30 do século passado, esta obra reúne as primeiras incursões de Chandler neste universo. E define-o, de certa forma. Descobre-se um grande escritor, que acidentalmente escreve sobre um mundo que é também ele de facto, violento. Com um cenário real à sua volta de uma Grande Depressão e fazendo da Los Angeles do cinema e de uma certa degradação moral o seu território de eleição, Chandler oferece-nos um panorama absolutamente impar à época. O estilo é absolutamente único e foi percursor, ainda esta semana comprei uma obra do genial Rubem Fonseca (de que falarei certamente aqui daqui a muito pouco tempo…), e lá estava num dos comentários da badana a comparação a Chandler. Para entremear, também digo aqui que as comparações me aborrecem um pouco em literatura. Um autor é um autor, são todos diferentes, o que por vezes há (e cada vez mais…) são autores que infelizmente andam muito longe daquilo a que eu gosto de pensar que é um escritor. Raymond Chandler, mostra-se logo nestes seus primeiros escritos um escritor muito consistente e que impõe um ambiente muito próprio. É um mestre nos jogos de cambiantes, no conduzir o leitor para estados de tensão e suspense. É um leitor da sociedade e do homem muito atento e que nos traça um perfil da violência em si mesma que, e falo aqui só por mim, não conheço antes de Chandler. Para ponto de partida não posso recomendar melhor, para quem queira entrar no universo de Chandler, até porque, inevitavelmente irá dar por si a seguir os passos de um dos mais famosos detetives literários de sempre: Philip Marlowe. Acreditem que vale a pena. Boas Leituras! J

Na Mesinha De Cabeceira:
Kyoto de Yasunary Kawabata (Dom Quixote)
Bufo & Spallanzani de Rubem Fonseca (Sextante)
Rever Portugal de Jorge de Sena (Guimarães)
Uma Mentira Mil Vezes Repetida de Manuel Jorge Marmelo (Quetzal)
O Ano do Dilúvio de Margaret Atwood (Bertrand)
Ravelstein de Saul Bellow (Quetzal)

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