quarta-feira, 11 de abril de 2012

RAVELSTEIN de Saul Bellow (Quetzal)


 “Uma vida bem escrita é quase tão rara como uma bem vivida.” Thomas Carlyle

Autor e livro novos para mim. Saul Bellow, que, pelos vistos estranhamente andava a perseguir não pela sua mais famosa “As Aventuras de Augie March” (que também já me foi citada por várias vezes) mas de uma obra chamada “Seize the Day” de 1965, a qual nem sei se está traduzida para português. Publicada ao que (não) consegui apurar, não está. Enfim, dentro deste meu espirito de busca de novidades onde estão sempre alguns autores e obras que vou recolhendo por sugestão de amigos e conhecidos, estava Saul Bellow. Pois, sem o saber a minha grande amiga Xana ofereceu-me este “Ravelstein” que, serviu, e de que maneira para me iniciar em mais este caminho por um autor diferente. Se é novidade para mim, também não é mais do que justo reconhecer que Saul Bellow é um nome grande da literatura norte-americana, foi prémio Nobel da Literatura em 1976 e entre outros galardões literários conseguiu também um Pullitzer. Ora, sem absolutamente mais nada a que me agarrar em termos de referência, lancei (literalmente) mãos à obra. E, a verdade é que se o incluo nesta coluna semanal de sugestões é por tudo menos por favor. Gostei mesmo muito. Vou repetir-me uma vez mais, mas é apenas mais uma confirmação de que o que me parecia coincidência, se está lentamente a tornar num padrão evidente. Os autores que mais aprecio ultimamente são todos maiores de idade, começou essa verificação com o enorme J. Rentes de Carvalho, passou pelo Andrea Camilleri e, sem querer ser exaustivo, está a continuar com Saul Bellow, que escreveu este “Ravelstein” já bem entrado na idade. O livro em si é uma construção de uma personagem peculiar, o próprio Ravelstein, biografado pelo seu melhor amigo Chick. A forma como se descreve a personagem e o seu entorno é magnífica e ilustra, para mim pelo menos, uma forma de escrita elevada e atenta. O melhor deste livro, está no facto de se poder olhar o mundo pelos olhos de quem narra a história de uma amigo. A personagem Ravelstein é de certa forma uma justaposição de muitas outras, mas é através dela que o narrador (e também por sua vez Saul Bellow,) nos dá uma visão abrangente de um mundo e uma forma de o viver que é de um grande escrutínio social. Gostei e recomendo. E vou agora com outra força tentar ler mais de Saul Bellow. Obrigado Xana ;) Boas Leituras! J

Na Mesinha De Cabeceira:
Kyoto de Yasunary Kawabata (Dom Quixote)
Bufo & Spallanzani de Rubem Fonseca (Sextante)
Rever Portugal de Jorge de Sena (Guimarães)
Uma Mentira Mil Vezes Repetida de Manuel Jorge Marmelo (Quetzal)
O Ano do Dilúvio de Margaret Atwood (Bertrand)

1 comentário:

Anónimo disse...

Querido Ricardo,
de facto, não desconfiava que andavas à procura de um pretexto para ler Bellow. E fico tão contente que tenhas gostado! :)
É que, como te disse, foi uma escolha mesmo a pensar em ti!
Beijos, multiplicados por três :)
Xana