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Mesinha de Cabeceira

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A ROMANA de Alberto Moravia (Ulisseia

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"Fragilidade, o teu nome é mulher!” WILLIAM SHAKESPEARE Suponho que há alturas em que desejamos ardentemente um “livro de férias”, uma estória descontraída, leve, com frescura, que não nos faça pensar muito em muitas coisas. Ou, ao contrário, que nos faça pensar em céus mais azuis e climas mais quentes. Fruto do Inverno, certamente. Até porque quem lê sem prazer, não lê realmente, obriga-se a qualquer outra coisa. Opiniões minhas, claro. Isto para dizer que este não é um “livro de férias” (também, não é suposto que seja). Alberto Moravia, um dos grandes escritores italianos do Sec XX, acreditava, e praticava uma mistura entre literatura e vivência politico-social. Foi, até ao fim, uma das referências da esquerda italiana, e, por vezes, temos a sensação de que a esquerda é mais dura consigo própria, naquilo que se propõe viver e, neste particular, escrever. Este livro “A Romana” é um exemplo do que Moravia sente relativamente à realidade do seu tempo. É um retrato muito próximo e c...

RELATO DE UM NÁUFRAGO de Gabriel Garcia Márquez (Edições ASA)

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“O fogo é a prova do ouro; a adversidade, dos homens fortes” SÉNECA Uma pequena grande descoberta, (para mim, claro). Este livro que integra a colecção “Pequenos Prazeres” das Edições ASA. É um relato jornalistico de uma estória verdadeira, cuja publicação o autor classifica de certa forma como “forçada”, na Introdução, afirmando, que não é publicada pelo valor intrinseco mas sim pelo nome de quem a assina, o seu, Gabriel Garcia Marquez. Que me perdoe a modéstia do autor, mas é, de facto um pequeno grande livro. A estória é originalmente publicada em fasciculos num jornal Colombiano e gera grande polémica e mesmo consequências para o autor ao contradizer a versão oficial do Governo acerca do acidente com oito tripulantes do contratorpedeiro Caldas da marinha colombiana, em 1955, que origina esta naufrágio. O “relato” própriamente dito, é excepcionalmente bem escrito e tem como fonte um excelente contador de estórias, o próprio naufrago, Luis Alexandre Velasco, que é transfo...

HISTÓRIAS EXTRAORDINÁRIAS de Edgar Allan Poe (Leya)

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“O medo segue o crime e é seu castigo” VOLTAIRE Esta semana proponho um livro extraordinário, um conjunto de contos de Edgar Allan Poe, o “pai” do policial, e definitivamente o primeiro a utilizar fortemente o elemento psicológico nos seus escritos. Aliás, uma das suas caracteristicas mais marcantes e distintiva da sua obra é a introdução do elemento subliminar na narrativa. Há sempre alguma coisa por trás do que está a acontecer. Sempre narrados na primeira pessoa, estes contos reunidos em “Histórias Extraordinárias” (originalmente “Tales of the Grotesque and Arabesque” traduzido para francês como “Histoires Extraordinaires” por Baudelaire) são uma primeira abordagem a um mundo de personagens profundamente afectadas por forte sentimentos de insanidade e doença, capazes dos actos mais vis. Há uma profundidade na abordagem do mal, e do mal que temos dentro de nós. Há inclusivamente um destes contos “O Demónio da Perversidade” em que edgar Allan Poe, antes de entrar na narrativa propriam...

CAMINHOS DE GLÓRIA de Jeffrey Archer (Publicações Europa-América)

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“Os homens são como as estrelas; alguns geram a sua própria luz enquanto outros refletem o brilho que elas recebem” José Martí Jeffrey Archer, Cavaleiro do Império Britânico e o mais jovem membro da Camara dos Lordes, é um dos mais lidos escritores de lingua inglesa. Antes de mais e para que conste, sou em principio contra a catalogação de alguns autores de “Best-Sellers” como produtores de “literatura de aeroporto”. Este é o caso em que a obra o destaca acima de muitos outros, e valha a verdade, há muitos autores pouco lidos, porque simplesmente não são tão bons. Este livro, baseado numa estória veridica e apaixonante, um dos grandes mistérios que subsistem no desporto e na superação humana, a conquista do Evereste, conta-nos a vida de George Mallory, de quem se diz ter sido o primeiro homem a atingir o cume do Evereste, décadas antes de Sir Edmund Hillary, uma polémica que ainda subsiste, com provas e contra argumentos. Mestre na arte de contar estórias, Jeffrey Archer prende-nos da...

A Estante no papel

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WineHouse, "Janeiras no Gelo" e Old Jerusalem

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Noite excelente! A Alexandra a encantar os avós. Eu e a Dalila no Wine House (antiga Alfaiataria Damião, conhecido internacionalmente por inventar as "calças sexuais") no Centro Histórico de Guimarães, a degustar uma tábua de "quesos y embutidos" regados com um, para mim, desconhecido branco do Douro, Crasto 2008 (Supimpa!!!), após o que ainda assistimos a um par de actuações de grupos de cantores das "Janeiras" na Praça da Oliveira, que estava tão quente quanto os 1º C, permitiam, e depois um café/digestivo a ouvir uma banda que também não conhecia no Café Concerto do C.C. Vila Flor os "Old Jerusalem", da qual também fiquei cliente. Á meia-noite, como duas Cinderelas, estavamos em casa com o nosso "sapatinho de cristal". Ainda fazem "ratings" sobre a felicidade?!?!?!?!? Não me convidem para votar que eu estrago a média......

Visão Global e Aqui na Terra

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“Não há prazer comparável ao de encontrar um velho amigo, a não ser o de fazer um novo” Rudyard Kipling VISÃO GLOBAL – Conversas para entender o Mundo - de José Cutileiro e Ricardo Alexandre (Prime Books) Visão Global é, antes de mais, um programa de Rádio, que passa na Antena 1 entre as 12 e as 13 horas aos Domingos e onde, a dupla Ricardo Alexandre e o Embaixador José Cutileiro, vão discutindo temas da geopolitica mundial. É pois o fruto destas conversas que passa a livro e cuja leitura se aconselha. É muito mais do que meramente informativo, pois é sobretudo uma leitura atenta feita por dois especialistas na actualidade politica internacional. É de facto, uma Visão Global sobre o estado do Mundo, que colhe a imensa erudição do Embaixador e as suas visões, quase nunca “ mainstream ”, sobre a evolução da geografia politica Mundial. Atente-se no que se diz sobre a area dos Balcãs, onde ambos tem especial interesse, e ficamos a compreender melhor essa área tão sensível da Europa co...

Da Estupidez dos Gajos I...

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Um pequeno apontamento sobre a eterna problemática: gajos/gajas. “Um amigo meu costumava dizer” (frase tipica de quem não quer assumir o que disse), que a mulher ideal seria “Boa e Surda-Muda”, o que na altura entendi como uma referência velada a Helen Keller. Sim. Boa e surda-muda?!?!? Quem mais? Depois de reflectir um pouco, pensei que se fosse só Boa, poderia ser a Madre Teresa de Calcutá. A Sra Dona Agnes Bojaxhi de Skopje. Isto para dizer uma pequena verdade, que alguns iniciados conhecem desde sempre: OS GAJOS SÃO ESTÚPIDOS!!!, ou melhor, são se calhar, no mínimo, eles próprios, Surdos-Mudos. É que, penso, (actividade não reconhecida pelo mulherio).... que as mulheres em geral, legitimamente, diga-se desde já, pensam... e cobertas de razão, é que a maior parte dos gajos não ouve. Kaput! Nestes! Rien! Deaf as a door J !!!! E nem sequer se trata aqui de distinguir entre ouvir e “escutar” (um paroxismo levado à celebridade pelo jargão ferroviário das passagens de nivel sem...

OS PALHAÇOS DE DEUS de Morris West

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“ Os olhos do leitor são juízes mais difíceis do que os ouvidos do espectador” Voltaire OS PALHAÇOS DE DEUS é um dos livros da chamada “trilogia Papal” de Morris West, juntamente com “As Sandálias do Pescador” e “Lazarus” (ou entre nós “O Milagre de Lázaro), trio de obras esse onde o autor nos confronta com a vida interna do Vaticano, e a problemática da religião. Um grande autor, dasaparecido em 1999, e que começa a sua carreira internacional com o “Filhos do Sol”, um romance sobre a vida das crianças de rua de Napoles, que aconselho fortemente. Talvez as obras mais conhecidas sejam as que passaram ao cinema, como “As Sandálias do Pescador” e “O Advogado do Diabo”, mas atrevo-me a sugerir qualquer obra deste autor, que faz parte dos meus favoritos. Tem obras absolutamente magnificas, e dentro da temática religiosa é dos escritores que melhor aborda o tema da vida eclesiástica. Este livro, “Os Palhaços de Deus” trata da viagem de um Papa num cenário pré-apocaliptico, e conduz-nos a um ...

Aos meus Amores……que são o meu futuro todos os dias.

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O futuro já foi… o peito da minha mãe, o olhar do meu pai, a minha irmã pequenina, o bibe da escola, a mochila, o saco de pano bordado para levar o pão com marmelada para a escola, a lousa e os livros, o recreio da escola, as férias de verão, o andar com os amigos, uma escola, outra escola, ainda outra escola, as prendas de Natal, a televisão a cores,a aparelhagem de musica, os discos de vinil, não ter horas para chegar a casa dos pais, estudar fora. Depois, sem nos darmos conta, o futuro estava nos olhos daquela menina, e depois os olhos de outra. O primeiro filho, todos os filhos. Durante essa época, passou a ser a casa, o trabalho, as férias do trabalho, outra casa, outro trabalho, as férias desse trabalho. A escola dos putos. De repente deixou de haver futuro, porque só havia presente. E muita gente a passar, a passar de futuro a passado sem nos darmos conta, até que voltou a haver futuro, onde já nem passado havia. E o futuro volta a ser um peito de mãe, um colo de pai, uma irmã p...

EM PORTUGAL NÃO SE COME MAL de Miguel Esteves Cardoso (Assírio & Alvim)

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“Não importa quantos livros temos, importa o quão bons eles são” Séneca Para ser absolutamente claro desde o início, deixem-me começar por dizer que, para mim, o Miguel Esteves Cardoso é uma espécie de Deus das crónicas. Desde a “Causa das Coisas” que o acompanho, com maior ou menor assiduidade, até aos dias de hoje, onde, de facto com menor frequência vou lendo o que publica na revista GQ, mas valha a verdade, não é pelo facto de estar a escrever menos bem, é o tema que não me parece grande coisa. É algo como: “A história de Portugal atravez dos gajos”. Acho que o homem, manifestamente, dá para mais e melhor. Se bem que para quem escreve estes textos avulsos sobre o que os outros escrevem, como eu, se calhar é um bocado petulante este reparo. Mas enfim, quem não nos quer desiludir não nos habitua mal. Este livro reune as crónicas para o extinto suplemento DNA do Diário de Noticias e versa sobre o exacto tema que lhe dá o titulo, a gastronomia portuguesa. Há crónicas para todos os ...

O Simbolo Perdido de Dan Brown (Bertrand)

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“ Os livros podem ser divididos em dois grupos: aqueles do momento e aqueles de sempre. ” John Ruskin É o quinto livro de Dan Brown que leio, como toda a gente comecei pelo incontornável “Codigo Da Vinci”, recuperei a cronologia da obra ao ler aquele que de facto foi o seu primeiro romance, “Anjos e Demónios”, ao que se seguiram “A Conspiração” e “Fortaleza Digital”. Este “O Simbolo Perdido” não foge à fórmula de sucesso dos anteriores. O herói, o já bem conhecido e publicitado Robert Langdon, vai perseguir mais um criminoso em busca de uma verdade escondida. Neste livro, a caracterizaçao do universo maçónico, seus ritos e simbologia é bem descrita, e a fazer fé em alguns especialistas no fenómeno, bastante próxima da verdade factual. Há no entanto algumas diferenças entre este romance e os anteriores em termos de trama. Aqui, neste livro, se bem que se faz, como nos anteriores uma busca exaustiva do conhecimento disponível acerca de uma hipotética Palavra fundamental, não há inte...

O Talentoso Mr. Ripley de patricia Highsmith

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“Uma das coisas maravilhosas de um livro, em contraste com um ecran de computador, é que o podemos levar para a cama connosco ” DANIEL J. BOORSTEIN O TALENTOSO MR. RIPLEY de PATRICIA HIGHSMITH Patricia Highsmith é a “mãe” dos thrillers psicológicos, introduz no romance, quase sempre no género policial/crime, várias componentes poucas vezes antes tentadas. Há certamente uma caracteristica que é altamente invulgar na escrita do género e que raramente se encontra em obras anteriores às desta magistral autora, o crime sem castigo. Cria também um ambiente onde as motivações para o crime absolutamente banais, o que é recorrente na sua obra, mas conseguimos reconhecer como possiveis os processos mentais das suas personagens-limite. Não é simplesmente a noção de anti-herói, ou de herói-vilão, é a caracterização do universo interior das personagens que ou é absolutamente desprovida de remorso e sentimentos sobre os crimes, que de uma forma ou outra cometem, ou contém um sentido que nos...

A VERDADE de Edward Docx (Civilização)

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“Ler tornou D. Quixote num fidalgo, acreditar no que leu tornou-o louco” George Bernard Shaw (1856-1950) Escrevo estas linhas ainda na ressaca da leitura daquele que é, para mim certamente, o melhor livro que li nos ultimos anos. Corro o risco de o afirmar. É absolutamente grandioso. Ao titulo original Self Help(em Inglaterra) ou Pravda (Estados Unidos) , o editor em Portugal preferiu “A Verdade” (Pravda, em russo, como o famoso jornal soviético). E é um livro de verdade, sobre a verdade e a sua ausência. Começa a acção em Sampetersburgo, Russia, com a morte de Masha, a mãe dos gémeos Isabella e Gabriel Glover. As descrições de uma ex-Stalinegrad absolutamente atípica, as idiossincrasias dos seus habitantes, a crueza de uma cidade tantas vezes retratada como uma das mais belas do Mundo sente-se nestas páginas. A escrita de Edward Docx é um monumento à depuração das frases e palavas, é a antitese do romance fácil, é uma leitura que nos sobressalta e faz reflectir muitas vezes, os dile...

A RAINHA E EU de Sue Towsend (Difel)

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“ Há pessoas que tem uma biblioteca como os eunucos um harém” Victor Hugo Sue Towsend é, como provavelmente saberão, a criadora do espantoso personagem Adrian Mole, que surge em “O Diário Secreto de Adrian Mole”, as confissões de um adolescente inglês dos anos 80, cuja vida podemos acompanhar até ao ultimo livro da série, publicado em 2008 “Os Diários Perdidos de Adrian Mole”. São livros de um humor absolutamente genial, absorvido das coisas mais pequenas do nosso quotidiano, como só um grande observador da realidade, e, neste caso, uma grande escritora conseguem retratar. A realidade politica e social inglesa dos últimos quase quarenta anos é retratada livro após livro, sempre com um olhar sobre realidades que conhecemos, mas com uma visão satírica e muito bem disposta, nesta série Adrian Mole. Destes permito-me salientar os títulos : “Adrian Mole na Idade do Capuccino” e “Adrian Mole e as Armas de Destruição Maciça”, este ultimo uma critica directa à intervenção inglesa no Iraque, s...

MENOS QUE ZERO de Bret Easton Ellis (Edição de 1988 do Circulo de Leitores)

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“Tenho toda a simpatia pelo Americano, que ficou tão horrorizado pelo que tinha lido acerca dos malefícios do tabaco… que deixou de ler.” Henry G. Strauss Bret Easton Ellis é um autor difícil de catalogar, e a sua obra tem sido referida, como um dos expoentes da chamada X Generation, à qual também pertenço (os nascidos entre 1965 e meados dos anos 80), a par de, por exemplo, Jay McInernay. A sua obra descreve como poucas o verdadeiro universo da futilidade e da falta de sentido de vida de um certo estrato social. Há personagens que se repetem nos diversos livros, mas há uma certa dissonância entre a forma como o autor se descreve a si próprio, declarando-se moralista e o que a critica proclama, ao rotulá-lo como niilista. É um mundo cru e violento que nasce com o seu primeiro romance, este “Less than Zero”, titulo “emprestado” de uma canção de Elvis Costello. De destacar sobretudo que este livro é escrito por Bret Easton Ellis com apenas 19 anos de idade, o que surpreende, pelo catálog...

O PINTOR DE BATALHAS de Arturo Pérez-Reverte (Edições Asa)

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“ Em certo tipo de escrita, particularmente na crítica de arte e na crítica literária, é normal depararmo-nos com longas passagens que são quase inteiramente desprovidas de sentido…” George Orwell (1903-1950) Este é, seguramente, o mais autobiográfico livro de Arturo Pérez-Reverte, o espanhol mais lido do mundo na actualidade, estando a sua obra traduzida em 29 línguas. É autor de uma vasta obra onde pontificam romances históricos e a sua mais famosa personagem é o Capitão Alatriste. Dos que li, comecei pelo “O Clube Dumas” que deu origem ao filme “A nona porta”, passando por “O Mestre de Esgrima”, “A Rainha do Sul”, “O Cemitério dos Barcos sem Nome” todos eles excelentes. O autor, ele próprio ex-reporter de guerra, neste “O Pintor de Batalhas” cria um universo perturbador, com memórias de cenários de tragédia, massacre e conflito. A personagem principal, André Faulques, retirada e doente, recria numa pintura mural todos os cenários de horror das guerras, numa tentativa de emprestar se...

UM GLADIADOR SÓ MORRE UMA VEZ de Steven Saylor (Quetzal Editores)

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“ O livro é como a colher, o martelo, a roda ou a tesoura. Uma vez inventados não se pode fazer melhor(...) Talvez as suas componentes evoluam, talvez as páginas deixem de ser de papel, mas continuará a ser o que é ” Umberto Eco Hoje, gostava de trazer a esta coluna, a colecção Roma Sub Rosa uma série de romances, na categoria de policial histórico, passada no final da Republica Romana, onde Gordiano o Descobridor, a personagem principal, é contemporanea de Sula, Cicero, Julio Cesar e Cleopatra, entre outros personagens históricos de relevo. Todas as aventuras se passam nas ultimas décadas da Republica Romana e vamos acompanhando o ruir da Republica, atravez dos seus mais importantes episódios politicos e militares, sempre com uma visão muito detalhada e próxima desses eventos. O mais interessante destes romances é uma perspectiva da Roma quotidiana, desde os aspectos mais simples da vida dos romanos, até à hierarquia politica e militar, os seus hábitos e costumes, a comida e a bebida...

A LINHA NEGRA de Jean Christophe Grangé - (Edições ASA)

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“Um quarto sem livros é como um corpo sem alma .” Cicero (106 a.C – 43 a.C) Jean Christophe Grangé é, e mais uma vez aqui ressalvo, o caracter puramente individual da apreciação, o mais talentoso escritor europeu na categoria de Romance Policial/Thriller. Foi-me introduzido, já há alguns anos, por “Rios de Púrpura” de 1998, que veio a resultar num filme (Os Crimes dos Rios de Púrpura de 2000, com Jean Reno e Vicent Cassel, talvez os dois actores franceses mais “exportáveis da actualidade. Resta-me a este propósito, reafirmar que dificlimente um filme equivale ao livro, o que neste caso, mais uma vez assim é. Como muitas vezes acontece, vim a ler a sua primeira obra, “O voo das cegonhas” posteriormente, o que confirmou, na altura, o que pensava, um autor para acompanhar atentamente, o que vou tentando fazer. Penso ter lido todas as obras até agora traduzidas em português e que aconselho entusiásticamente. Acrescento pois, “Concilio em Pedra” e “O Império dos Lobos” às minhas sugestões ...