sexta-feira, 7 de maio de 2010

A ARTE DA ALEGRIA de Goliarda Sapienza (D. Quixote)

“Nunca se pode concordar em rastejar, quando se sente ímpeto de voar” Helen Keller


Este é definitivamente um livro invulgar. É um livro acerca do qual se poderiam escrever vários livros. É uma obra que levou dez anos a ser escrita, e tem muito da vivência da autora, ela própria uma personagem digna de nota.É um livro cheio, que retrata uma certa vida, na primeira metade do século passado na Sicilia. A primeira e óbvia ideia que nos surge é uma comparação com “O Leopardo” de Giuseppe Tomaso di Lampedusa. A estória de Modesta, a personagem principal desta “A Arte da Alegria” é também uma estória de ascenção social. Aqui distingue-se do retrato da aristocracia e seu declinio em “O Leopardo”. E há de facto pontos em comum entre as duas obras, mas na essência são distintas. Vale a pena ler. Goliarda Sapienza, faz fluir atravez de um elenco riquíssimo de personagens todas as suas opiniões sobre os factos da vida. Há muito neste livro, muito mais do que a mera “Alegria” que lhe dá titulo. É sobretudo uma ode à liberdade, à liberdade de poder ser, de poder dizer. Tem passagens de uma qualidade litarária incontestável e chega-se ao final com a ideia de uma mensagem que a autora tenta, e neste caso consegue, passar. É de tal forma, que depois de ler o livro fiquei com a necessidade de saber mais sobre a sua autora, o que me fez ter a certeza de que, nesta obra de grande folêgo está tudo aquilo que enformou a sua (da autora) vida, e que nos deixa em legado um bom numero de abordagens sobre as coisas e a vida, sobretudo no aspecto da moral, ou em alguns casos da ausência desta. A narrativa, nem sempre é uniforme, nem sempre é totalmente coerente (o que aliás se nota, em vários momentos, pela contradição entre narração nas primeira ou terceiras pessoas, pelas mudanças bruscas de perspectiva) mas percebe-se que isso se deve ao facto de ter sido escrita em diferentes fases da vida da autora. É um livro primordial. Um Clássico. Boas Leituras!

PARA A SEMANA: SUBMUNDO de Don DeLillo (Sextante Editora)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

Continuam:

INÉDITOS de Antoine de Saint Exupéry (Casa das Letras)

BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA de Pablo de Jevenois (Esquilo)

O MONTE DOS VENDAVAIS de Emily Bronte

CRÓNICA DO PÁSSARO DE CORDA de Haruki Murakami (Casa das Letras)

OS ANAGRAMAS DE VARSÓVIA de Richard Zimmler


1 comentário:

Dalaila disse...

este teu texto fez-me viajar