sexta-feira, 21 de maio de 2010

UM DEUS PASSEANDO PELA BRISA DA TARDE de Mario de Carvalho (CAMINHO)

“Haja ou não deuses, deles somos servos” Fernando Pessoa

Tenho que começar esta crónica com duas revelações. A primeira, e que da qual se dá conta com relativa facilidade olhando para os livros que normalmente vou lendo, é que o grupo a que chamo de “autores portugueses vivos”, não é dos meus favoritos. É um preconceito descabido, bem sei, mas o facto é que me habituei de tal forma à literatura internacional, que fui descurando um pouco este sector. Assim, tem escapado ao meu interesse muitos e bons romances portugueses, estou certo disso. Acho que me redimo com o Eça, que de certa forma está também vivo e actual. A segunda revelação é a de que o livro proposto para esta semana, apesar de estar quase terminado, a verdade é que não o está de facto ao tempo em que escrevo estas linhas. Não me impede no entanto de o comentar o não lhe conhecer o final. Até porque deste darei nota em futura “Estante”. Mario de Carvalho é um nome fácilmente reconhecivel no panorama livresco portugues. Não fora o avisado conselho de um Amigo das “Terras do Vale do Sousa” e temo me teria passado ao lado. Ainda bem que não. Estou francamente a gostar muito desta estória. O contexto histório é a imaginada terra de Fortunata Ara Tulia Tarcisis, posse do Imperio Romano e onde Lucio Valerio Quincio é a personagem central. A escrita de Mario de Carvalho é uma escrita atenta, estilizada. Demora um pouco ao leitor a entrar no ritmo que o autor impõe com o seu estilo. É uma forma de escrever em que, com facilidade pensamos no autor a cinzelar cada frase de forma muito atenta. Isso faz com que o ritmo de ler se torne mais compassado, mas também mais atento. Depois de entrarmos no universo destas personagens e dos seus problemas, a administraçao da justiça, a ordem e/ou desordem do Império, a sua vida quotidiana, a descrição em pormenor de usos e costumes, ganhamos claramente um livro que vale a pena ler. O tema da Roma Antiga e do seu Império, como sabe quem acompanha estas minhas apreciações sobre o que vou lendo, é um tema do qual gosto particularmente, já tendo aqui aconselhado a Colecçao Roma Sub Rosa de Steven Saylor. Regressando ao, para mim novo, escritor Mario de Carvalho, posso, para fechar dizer que se me apresentou muito bem e que tenciono ler outras coisas suas. Podendo, façam o mesmo. É autor, é português, está vivo, e neste caso, recomenda-se. Boas Leituras!

PARA A SEMANA: A FORMA DA AGUA de ANDREA CAMILLERI (DIFEL)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

Entram: CADERNO AFEGÃO de Alexandra Lucas Coelho (Tinta da China) e ESCRÍTICA POP de Miguel Esteves Cardoso (Assírio & Alvim)

Continuam:

INÉDITOS de Antoine de Saint Exupéry (Casa das Letras)

CRÓNICA DO PÁSSARO DE CORDA de Haruki Murakami (Casa das Letras)

OS ANAGRAMAS DE VARSÓVIA de Richard Zimmler

1 comentário:

Dalaila disse...

aguardo pelo fim!