sexta-feira, 14 de maio de 2010

SUBMUNDO de Don DeLillo (Sextante Editora)

“A fama é como um rio que mantém à superficie as coisas leves e infladas, e arrasta para o fundo as coisas pesadas e sólidas” Francis Bacon

Don DeLillo não me era nem vagamente familiar. É o primeiro livro que leio dele e não por recomendação, mas por oferta. O acaso por vezes faz-nos chegar coisas boas. É o caso. É um romance bem estruturado. Uma obra que vale a pena ler. Tem um começo um pouco lento, de digestão lenta, mas evolui bem e dá-nos um retrato de uma certa América.Traça um perfil da sociedade americana do pós-guerra até ao final da Guerra Fria. Começa com um facto desportivo histórico ocorrido em 3 de Outubro de 1951, a vitória dos Giants sobre os Dodgers de Nova Iorque em basebol, que, coincide com a noticia da explosão da segunda bomba atómica por parte da União Soviética. Uma bola que vai para a bancada depois do “home run” final, é recolhida e vai sendo um elemento transversal à estória, acompanhamos o percurso de pessoas atravez do percurso do objecto. É um artificio literário que resulta bem. Os protagonistas são Klara Sax e Nick Shay, ela uma artista e ele um especialista em detritos atómicos. Pelo caminho cruzamo-nos com uma fauna muito rica de personagens-limite. Algumas facilmente identificáveis com o “american way of life”, outras claramente emblemáticas de grupos ou estratos sociais tipicos. Este romance, que alguma critíca tenta alcandorar a um estatuto de “great american novel” é bom. Mesmo. Mas não exageremos, não vai passar ao Olimpo da literatura.Pelo menos ao meu. É um autor a seguir de perto, e procurarei estar atento para confirmar noutras das suas obras, a qualidade que mostra aqui. Por ultimo, é de atentar na progressiva importância de que se reveste a fama dos individuos no seu peso social e um certo ambiente de decadência moral que está associado a esse processo, que, nos nossos dias se tornou um fim em si mesmo. Resumindo: Bom Livro. Comprem! Boas Leituras!

PARA A SEMANA:

NA MESINHA DE CABECEIRA: UM DEUS PASSEANDO PELA BRISA DA TARDE de Mario de Carvalho (CAMINHO)

Continuam:

INÉDITOS de Antoine de Saint Exupéry (Casa das Letras)

BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA de Pablo de Jevenois (Esquilo)

O MONTE DOS VENDAVAIS de Emily Bronte

CRÓNICA DO PÁSSARO DE CORDA de Haruki Murakami (Casa das Letras)

OS ANAGRAMAS DE VARSÓVIA de Richard Zimmler

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