quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

2010 - Os Livros de que não falei.


No finalzinho de 2010, deixo aqui, tal como nos típicos jantares desta quadra, “os restos” para partilhar com os amigos.

Desde a primeira destas sugestões de leitura, que, no final da página há um conjunto de livros a que pomposamente chamo os da “mesinha de cabeceira”.

São aqueles que vou tendo para ler...

E, como tenho aqui repetido muitas vezes, apesar de ser um leitor compulsivo e de ler quase tudo, o facto é, que o quase também existe.

Há um certo número de livros que me passam pelas mãos, sejam oferecidos, comprados, recomendados ou emprestados cuja leitura não fui capaz de concluir.

Outros há ainda que li e não sugeri.

Há ainda outros, a maioria, que foram simplesmente ultrapassados pelo meu interesse noutros que entretanto me surgiram (alguns desses casos ocorreram quando li a trilogia Millennium de Stieg Larsson, por exemplo).

Assim, deixo aqui, para apreciação, e dividido entre o que li, o que não terminei, e os de que não gostei (mera opinião minha, que pode ser sempre rectificada se me derem incentivo bastante).

Digam coisas!

LIDOS e QUE NÃO APARECEM NA “ESTANTE”:

A CANDIDATA de Carlos Pereira Santos

O Castelo de Vidro de Jeannette Walls

COMEÇADOS E NÃO TERMINADOS

EU, ANIMAL de Indra Sinha

A VIAGEM DO ORIENTE de Le Corbusier

BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA de Pablo de Jevenois

CITAÇÕES E PENSAMENTOS DE FERNANDO PESSOA de Paulo Neves da Silva

NO CORAÇÃO DE ÁFRICA de William Boyd

O MONTE DOS VENDAVAIS de Emily Bronte

OS ANAGRAMAS DE VARSÓVIA de Richard Zimmler

INÉDITOS de Antoine de Saint Exupéry

ESCRÍTICA POP de Miguel Esteves Cardoso

NÃO GOSTEI E ABANDONEI A LEITURA

A CASA QUIETA de Rodrigo Guedes de Carvalho

PEREGRINAÇÃO DE ENMANUEL JHESUS de Pedro Rosa Mendes

A RAPARIGA QUE ROUBAVA LIVROS de Markus Zusak

EM LEITURA MAIS ATENTA E DEMORADA

EL INGENIOSO HIDALGO DON QUIXOTE DE LA MANCHA DE Miguel de Cervantes y Saavedra

AS BENEVOLENTES de Jonathan Litell


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A AMANTE HOLANDESA de J. Rentes de Carvalho (Quetzal)

Nas ligações do coração, como nas estações, os primeiros frios são os mais sensíveis BERNARD FONTENELLE

Cumprindo o que tinha prometido a mim próprio, aqui prossigo a minha descoberta particular do universo literário de J. Rentes de Carvalho. Este livro, “A Amante Holandesa”, não fez mais do que confirmar a impressão poderosa que me tinha deixado o primeiro que li, “Ernestina”. É um facto, J. Rentes de Carvalho é um escritor a sério. E digo isto alicerçado numa posição particular, de quem tem sempre, defeito meu decerto, preferido a literatura internacional ao que por cá se edita de autores nacionais. Irrita-me bastante a constante descoberta de “novos valores” e de “revelações”, que se vem a revelar, isso sim, grandes decepções para mim. É um pouco como se o futebol produzisse Eusébios e Maradonas em série, se é que me faço entender. Bem, retomando o tema e o autor, começo por dizer que, ao contrário de outras obras esta é-me dificil de classificar, ou encaixar numa das prateleiras mentais de que disponho para os livros. Uma hipótese será a de dizer que é um livro que vale por si. Não precisa de estar associado, a nenhuma obra nem a nenhum autor, para ser um grande livro. “A Amante Holandesa” é uma obra excepcional que nos revela o mundo interior de dois homens, dois amigos que se vão revelando, naquilo que são e sentem acerca da vida que tem, mas sobretudo da que não conseguiram ter. J. Rentes de Carvalho, pinta-nos as suas personagens juntamente com as paisagens e os sítios de onde elas nos falam. E se falam. Não é fácil encontrar alguém que nos conte histórias que vão para além de um bom enredo. Este livro tem-no, tem suficientes mudanças de direcção e surpresas para nos fazer por em causa o nosso próprio entendimento do que é cada um dos personagens, mas vai muito para além disso. Não nos revela sómente o que é cada um dos intervenientes, dá-nos o conjunto das suas angústias e frustrações, dá-nos a medida humana de cada uma das personagens, naquilo que revelam, mas sobretudo naquilo que escondem. É, como antes dizia, um livro que caí em nós e permanece. Deixa-nos uma sensação de profundidade, e paradoxalmente, um vazio muito grande quando termina. É mais um livro que vai para um lugar muito especial de entre todos que li. Estou absolutamente rendido ao talento de J. Rentes de Carvalho. Procurem e leiam, que estou absolutamente certo, que vão, como eu, recomendar. Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

Tempestade de William Boyd (Casa das Letras)

A Tapeçaria do Sinai de Edward Whittemore (Ulisseia)

O Homem que matou Getúlio Vargas de Jô Soares (EDITORIAL PRESENÇA)

Novas Entradas


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ASSASSINATOS NA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS de Jô Soares (Editorial Presença)

Feliz reencontro com um autor de poucos livros publicados. Para inicio de conversa adiantamos já que sim, este é o Jô Soares humorista, o de “Viva o Gordo” e dono de um dos talk shows mais influentes e antigos da TV brasileira. Tinha já lido em tempos o seu primeiro romance, do qual aliás fiquei com excelente impressão, e que aproveito aqui para também sugerir: “O Xangô de Baker Street”, uma deliciosa aventura de Sherlock Holmes no Brasil, escrita com humor e inteligência. Uma boa homenagem a Sir Arthur Conan Doyle, sem dúvida. Resolvi entretanto ir em busca de mais dois livros de Jô Soares, e do primeiro aqui estou a dar conta. Este “Assassinatos na Academia Brasileira de Letras” é mais um excelente romance policial. Num estilo muito próprio ao qual não é nada alheia a veia humorística do autor e a sua particular boa disposição. O tema versa sobre a ascensão às cadeiras da Academia Brasileira de Letras e o que, de certa forma, todos os interessados estão na disposição de fazer para atingir. É uma obra que ironiza com mestria sobre a condição humana, sobretudo a vaidade. Os crimes e a estrutura do livro são muito bem conseguidos. Há uma galeria de personagens perfeitamente credível, e um herói muito bem conseguido. O Comissário Machado Machado, assim mesmo, Machado de nome e Machado de apelido, assim baptizado por seu pai em homenagem a Machado de Assis, autor que o nosso Comissário cita em abundância. Os crimes, a sua sequência, os locais onde ocorrem, e acima de tudo, a “colagem” ao livro que leva a personagem do senador Belizário Bezerra a ser aceite na Academia de Letras, cujo tema é precisamente o assassinato dos membros da Academia, “coze” toda a trama e dá-nos um livro muito bem conseguido. Muito bem escrito, com muito humor e inteligência. Um policial que não se consegue parar de ler, da primeira à última página. Recomendo vivamente! Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

A Amante Holandesa de J. Rentes de Carvalho (QUETZAL)

O Homem que matou Getúlio Vargas de Jô Soares (EDITORIAL PRESENÇA)

Deve-se deixar a vaidade aos que não tem outra coisa para exibir” HONORÉ DE BALZAC


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Em leitura...



Andava há que tempos para ler isto, há algum tempo li "O Xangô de Baker Street" e adorei.
Estes estou a ler em simultâneo....

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

ERNESTINA de J. Rentes de Carvalho (Quetzal)

Toda a mulher acaba por ficar igual à sua própria mãe.Essa é a sua tragédia. Nenhum homem fica igual à sua própria mãe. Essa é a sua tragédia.” OSCAR WILDE

Ele há coisas do demónio! Anda um cristão a pregar contra uma certa categoria de “autores portugueses vivos”, e esbarra-se com um, que além de português parece estar dez vezes mais vivo que os outros. J. Rentes de Carvalho, que me foi dado a conhecer pelo meu particular Amigo Fernando Lopes, é um autor de sucesso...na Holanda!!! Pasme-se! Pasmo eu, agora que li este livro, pela minha bruta ignorância, que temo não ande sózinha nas hostes dos leitores, mais ou menos compulsivos, como eu. Este Senhor (com maiúsculas merecidíssimas) é um Mestre. Há muito, muito tempo, que nada de comparável me acontecia com um livro e um autor. Então português...estamos conversados. Se tivermos por inclinação ler algumas das coisas que a “genialidade” auto-proclamada da meia dúzia do costume, encontramos neste “Ernestina” um contraste de qualidade tal que faz com que certas “novas vozes” se eclipsem por comparação. Fiz, como é normal uma pequena pesquisa sobre o autor e a sua obra, meramente para enquadrar a minha opinião, que não muda por saber mais ou menos sobre quem escreve. Tento cingir-me à opinião sobre a obra e não sobre a vida dos autores. Se bem que no panorama luso, a vida de determinados autores, se bem que chata e desinteressante, consegue ainda assim, dar 10 a zero ao que escrevem. J.Rentes de Carvalho, a quem tentam colar um rótulo regionalista (por, também, escrever sobre Tras-os-Montes suponho), rótulo esse do qual discordo em absoluto. Neste “Ernestina”, que é um livro autobiográfico sobre a história da familia do autor e de sua Mãe, Rentes de Carvalho, transforma aquilo que poderia ser um exercicio de memória para satisfação pessoal, num dos livros mais descritivos, coloridos e brilhantes que tenho lido. Mais do que a ruralidade do Alto Douro, das suas histórias e peculiaridades, ficou-me uma visão do Porto absolutamente ímpar. Por limitação de espaço aqui na coluna para o jornal, não me posso alongar muito mais, mas voltarei a este autor, que, para enorme e feliz surpresa minha, me fez recordar “A Cidade e as Serras”, com personagens e propósitos diferentes, mas, e isto é que é o espantoso, tão bem escrito e descrito, (sem comparações, descabidas para qualquer dos lados), como o faria Eça de Queirós. Resta-me aconselhar entusiasticamente todos, a lerem este autor e a descobrirem a dupla “Ernestina”, que, por acaso, fecha a história com chave de ouro. Um clássico. Absolutamente impossível de parar de ler. Onde andava eu que não sabia disto? Muito, muito Obrigado Fernando Lopes!!!Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

Peregrinação de Enmanuel Jhesus de Pedro Rosa Mendes (D. Quixote)

domingo, 12 de dezembro de 2010

Ernestina de J. Rentes de Carvalho



Um autor "português vivo", descoberto (para mim) pelo grande Fernando Lopes, que pelo andar da leitura me vai fazer engolir tudo o que tenho dito sobre quem escreve em português...

Um autor que encarna o provérbio de não se ser profeta na sua terra...é "Big in The Netherlands."....

Á medida que vou lendo...vou ficando progressivamente envergonhado de não o conhecer há mais tempo...não por obrigação, mas pela falta que me fazem escritores a sério..

Obrigado Fernando pela apresentação e pelo empréstimo deste "Ernestina"....

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Trailer El secreto de sus ojos


Um dos melhores filmes de que me recordo.
Óscar de Melhor Filme Estrangeiro 2009
Para mim "O Melhor Filme de 2009"

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

5ª AVENIDA de Candace Bushnell ( Oficina do Livro)

Ninguém sobe tão alto como quem não sabe para onde vai CROMWELL

Continuamos pois, de acordo com o proposto na semana passada, a utilizar como pano de fundo para estas sugestões, a cidade de Nova Iorque. E, para alterar um pouco o registo de leitura, proponho um livro de Candace Bushnell. Esta autora, que dispensará mais apresentações que não sejam o de ser a autora de “Sexo e a Cidade” (coluna que a própria escrevia no “The New York Observer” e que deu origem a um best seller, à série televisiva com o mesmo nome e ainda a dois filmes de grande êxito comercial). Já tive oportunidade de ler outras obras da autora, e, se os ambientes e o tom, andam invariavelmente à volta do mesmo: mulheres jovens e euas ambições e frustrações em ambientes cosmopolitas e sofisticados, não é menos verdade que esta autora o faz melhor que ninguém. Como diz um autor que muito prezo, escrever simples é o mais dificil. E estes livros, são, para além de entretenimento garantido, de uma percepção de um determinado universo feminino a toda a prova. Este “5ª Avenida”, tem como marco central da história, um edificio em Manhattan, Nova Iorque. É um edificio especial, um endereço cobiçado e um simbolo de status. Nesta morada cohabita o dinheiro velho, com as grandes fortunas de arrivistas e novos-ricos. É da leitura que cinco mulheres fazem desse quotidiano novaiorquino em que o glamour e as pequenas e grandes ambições se cruzam, que a história se serve para nos oferecer mais um conjunto cruzado de vivências que, acima de tudo nos divertem e entretém. Já por várias vezes aqui defendi, que a chamada “literatura de aeroporto” não existe, pelo menos para mim. O melhor principio para julgar um livro é pelo que ele nos deixa depois de o terminarmos. Se, como neste caso, nos deixar uma sensação agradável, de termos entrado a convite de uma ou um escritor, num universo que normalmente nos estaria vedado, como é o deste “5ª Avenida”, e dele sairmos com satisfação, está mais que cumprido o seu papel enquanto livro, que é o de contar uma boa história. Este é assim, conta várias histórias, juntas pelo edifício do nº 1 da Quinta Avenida e fá-lo de forma excelente. A literatura não tem de ser densa, chata, difícil e por vezes impenetrável, para podermos dizer sem pudor que gostamos. Eu gostei, e por isso recomendo, até porque o ler, para mim, não é um dever, é um Prazer! Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

Peregrinação de Enmanuel Jhesus de Pedro Rosa Mendes (D. Quixote)


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

QUANDO O BRILHO CAI de Jay McInernay ( Edições ASA)

Corremos alegres para o precipício, quando pomos pela frente algo que nos impeça de o ver BLAISE PASCAL

Lembrei-me a propósito do livro da semana passada, de fazer uma espécie de série temática de sugestões. O tema presente e que se repetirá na próxima coluna também, é o de livros, que tenham por cenário a cidade de Nova Iorque. Este “Quando o Brilho Cai”, de Jay McInernay, é de 1984, e se o sugiro, é porque é, de facto, um romance invulgar. Quando é lançado, faz com que crítica especializada lance o nome de McInernay para o comando de uma nova vaga, ou nova geração de escritores norte-americanos com uma voz e registo próprios. É também o caso de Bret Easton Ellis, de quem já temos sugerido obras aqui (relembramos que “Menos que Zero”, de B.E.Ellis, é lançado em 1985), e há inclusivamente apropriação de personagens por um e outro destes autores, chegando B.E.Ellis, a incluir o próprio McInernay, numa cena do seu mais recente “Lunar Park”. Mas, pormenores à parte, este livro tem vários motivos de interesse. O mais importante, é, o de continuar actual, na essência do que descreve. Se bem que o cenário é temporalmente localizado, a Nova Iorque dos anos 80, a Nova Iorque dos excessos, da “cena yuppie”, das festas e da forma de viver de um determinado estrato social, o seu conteúdo permanece absolutamente reconhecível. O romance é, desde logo, pouco típico. É narrado na segunda pessoa, o que não é frequente: “Tu não és o tipo de pessoa, para estar neste sitío, a estas horas da madrugada...”, começa assim,em tradução livre, este magnifico “O Brilho cai”. A juntar a detalhes que o diferenciam de outros romances, neste o personagem não tem nome. É uma viagem ao quotidiano de um novaiorquino que, durante o dia trabalha como verificador de factos para uma revista de referência ( o que o autor também fez, tendo exercido essas funções na Harper´s Bazaar e na The New Yorker), enquanto à noite é um assíduo frequentador de festas e consumidor compulsivo de cocaina. É o retrato desta personagem, o talvez o retrato de Nova Iorque vista pelos seus olhos, que nos deixa este livro. A personagem principal, abandonada pela mulher (esta com direito a nome, Amanda) recusa-se a encarar esse facto e age como se a mulher ainda vivesse com ele, desenvolvendo até uma relação de obsessão por todos os objectos, que, em casa dele, a recordam. É mais um magnífico retrato de uma grande cidade, vista por um olhar particular e de um angulo de visão pouco frequente. É um excelente livro, de um excelente escritor. Não percam! Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

As Benevolentes de Jonathan Litell (D. QUIXOTE)

Peregrinação de Enmanuel Jhesus de Pedro Rosa Mendes (D. Quixote)