domingo, 20 de março de 2011

O Crime do Padre Amaro de Eça de Queiróz (Edição com ilustrações de Paula Rego)

“A única maneira de nos livrarmos da tentação é ceder-lhe OSCAR WILDE
Esta semana por motivos vários, não foi muito produtiva em termos de leitura. Também acontece. Sendo assim, volto a sugerir livros lidos de há muito e que, de uma outra forma se tornaram importantes para mim. Eça de Queiroz, é para mim, e de longe, o autor português que mais prazer sempre me deu ler. Há excepções pontuais neste ranking de autores lusófonos, mas não é este o tema de hoje. O Crime do Padre Amaro é um livro bem ilustrativo do poder de Eça de retratar ambientes e personagens com uma mestria ímpar. Tudo se nos afigura verdadeiro e credível. A história se bem que conhecida, fruto da polémica com a Igreja que gerou a publicação deste romance, merece, como aliás tudo o que Eça produziu, ser lida. Em versão original, e não “lida” no cinema como agora fazem alguns que se manifestam conhecedores da obra. Só um pequeno aparte sobre um filme de 2005 baseado na história desta obra: é de fugir. Um pavor! Nem as curvas da protagonista aliviam aquela tragédia em filme. Enfim. Mas aqui é de livros que se trata. Assim, o que mais chama a atenção nesta história, para mim, é a forma sublime como o clima de desejo intenso e de debate face à tentação, se opõe numa batalha na qual lhe vamos adivinhando o vencedor. Há em todo o livro um toque de cinismo e mordacidade que vai um pouco mais além da caracteristica e proverbial ironia Queirosiana. Há um leque de personagens fabuloso, nomeadamente a caracterização do clero na sua forma paroquial e despida de cerimoniais. Todos são reduzidos à condição de homens e mulheres comuns nesta obra e enquanto o destino marca encontro com todos os protagonistas, sentimos claramente que é uma história cujo final terá um sentido próprio. E neste caso assim é, o desenlace encerra em si uma mensagem de realismo e desencanto absolutamente marcante. Eça de Queiros é sempre uma sugestão fácil, não lhe conheço nada menos bom. Assim jogamos pelo seguro e, ao contrário de Amaro não caimos na tentação de sugerir algo que possa, na dúvida, não nos dar o elevado prazer de ler obras que valham realmente a pena. Esta vale, sózinha, por si só. É um livro inteiro, existe sózinho, fora da obra de qualquer autor seria sempre uma história incontornável e intemporal. Uma abordagem à hipocrisia do Homem, da primeira à ultima página. Se o não fizeram ainda, é favor ler. Devia ser obrigatório. Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

O Filho Eterno de Cristovão Tezza (Record)

A Casa Verde de Mario Vargas Llosa (Dom Quixote)



1 comentário:

Anónimo disse...

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