terça-feira, 29 de março de 2011

O Filho Eterno de Cristovão Tezza (Record)

“O verdadeiro amor é como a aparição dos espíritos: toda a gente fala dele, mas poucos o viram FRANÇOIS LA ROCHEFOUCAULD

Obrigado querida Zaclis, por mais este excelente livro. Venho reparando que Curitiba é pátria literária de alguns autores realmente interessantes, e que sem a ajuda desta minha amiga, dificilmente chegaria a conhecer. Apesar de profusamente premiado, se não tenho a sorte de ter alguns “friends in high places”, teria perdido a oportunidade de ler este livro, e por consequencia conhecer a escrita de Cristovão Tezza, que muito me surpreendeu pela positiva. É um livro assombroso que lida com uma questão que a maior parte das vezes vemos escondida, o drama de um pai de uma criança com Sindrome de Down. O primeiro impacto quanto sabemos do tema é o de pensar que viria por aí mais um calvário particular pincelado de lamechices e penas várias. Erro. É uma narrativa muito bem conseguida e que nos leva a acompanhar as diferentes etapas na vida de um pai atípico. É baseado em factos reais, o que, ajudará certamente o autor mas não lhe retirou a possibiliade, que utiliza muito bem, de fazer de uma paternidade dificil um caminho literário de grande qualidade. Tudo vemos pelos olhos do pai. O choque inicial, muito bem retratado, com revelações de uma intimidade chocante. No extremo, o protagonista sonha com a morte prematura do filho que lhe antevê condicionar a vida para sempre. É um livro intenso, em que mergulhamos a fundo num personagem complexo, que, escritor e com a vida ainda pouco definida e estabilizada, se torna pai de uma forma que não estava à espera. Muitas vezes, principalmente quando não tenho grande informação sobre o autor em causa, faço uma busca rápida por blogues e pela net em geral, a fim de me inteirar do que se diz da obra. Neste caso fui também em busca de algumas opiniões. E, o que mais me impressionou, foi uma longa, muito longa recensão de um critico brasileiro, empenhadíssimo em retirar, argumento após argumento, qualquer valor a este livro que aqui se sugere. Tenho para minha opinião, que se o livro fosse assim tão mau, não se perderia páginas e páginas de conversa a desdizê-lo. Sei, que tenho dito que onde há prémios e louvores em demasia, este vosso amigo desconfia da qualidade intrinseca da obra.É o que neste acontece neste caso, é um romance com muitos prémios e louvores. Porque, (e convém ir lembrando isto de vez em quando), eu não faço critica literária, proponho e faço apenas, sugestões de leitura sustentadas no meu gosto pessoal e por isso recomendo. Porque é bem escrito e tem uma história interessante e é cada vez mais raro encontrar bons livros, que nos entretenham mas nos deixem alguma coisa no final. Este deixa. E se os livros também são “filhos”, este é um bom herdeiro de um talento invulgar na escrita. Lido na edição brasileira da Record é, para quem estiver interessado, publicado em Portugal pela Gradiva. Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

A Casa Verde de Mario Vargas Llosa (Dom Quixote)

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