terça-feira, 29 de maio de 2012

O Declinio da Mentira/A Alma do Homem e o Socialismo de Oscar Wilde (Relógio d´Água)


“A aventura não está fora do homem, está dentro” George Sand
Esta semana vou sugerir uma obra que comprei por acaso num dos mais recentes passeios pelas livrarias. Há muito que tenho um fascínio particular por Oscar Wilde. Tudo neste grande autor me interessou um pouco mais do que que o habitual, até ter encontrado num alfarrabista um livro de contos onde fui descobrir histórias da minha infância que atribuía erradamente à tradição popular, ou pelo menos de quem não sabia a fonte. A partir daí, e já lá vão alguns bons anos que tenho intensificado as minhas leituras da obra de Oscar Wilde. Algumas das suas obras como O Retrato de Dorian Gray e o Leque de Lady Windermere vão brevemente também aqui ser aconselhadas, até porque em anos recentes vi no cinema um filme baseado nesta ultima que achei genial “A Good Woman” de Mike Barker de 2004. Mas regressando ao livro desta semana. É uma obra pequena, não chega às 100 páginas e nela estão dois dos ensaios mais brilhantes de Wilde, “O Declinio da Mentira” diz-se até ser o seu escrito favorito. É uma abordagem genial à arte e uma critica muito elegantemente construída contra o realismo na arte e na literatura. Mais do que a mensagem e a opinião, é sobretudo a forma como Oscar Wilde escreve, tornando simples conceitos complexos, e fazendo das suas ideias um quadro absolutamente claro. Não é por acaso que da obra de Oscar Wilde se extraem citações às centenas. “A Alma do Homem e o Socialismo” é uma defesa de mestre da tese da abolição da propriedade privada, da eliminação do governo, dos defeitos da democracia, enfim, um ensaio que nos dá como pano de fundo o homem enquanto ser individual (há uma brilhante passagem a defender a que a verdadeira essência do Homem só se revela pela sua singularidade e pelo despojamento dos bens materiais). Será, face a tudo o que conhecemos, e até porque mais de um século nos separa da sua morte um exercício de escrita belo mas utópico. Mas não deixa de ser absolutamente delicioso enquanto leitura. Para terminar, e porque é uma das mais célebres “famous last words” de sempre, e que se lhe atribui, já em Paris, no fim da sua vida muito longe da fama e da fortuna e adotando o nome de Sebastian Melmoth, pede sem ter posses para isso uma ultima garrafa de champanhe dizendo: “Estou a morrer acima das minhas possibilidades”. Génio até ao fim. Não tenho mais a acrescentar. Vão ler. Boa Semana e… Boas Leituras! J
Na Mesinha De Cabeceira:
Kyoto de Yasunary Kawabata (Dom Quixote)
Rever Portugal de Jorge de Sena (Guimarães)
O Príncipe da Neblina de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)


Sem comentários: