quarta-feira, 2 de maio de 2012

O Rebate de J. Rentes de Carvalho (Quetzal)


“Não podem fazer ideia da vida que eles levam, ali. Uma vida rural simples e dura. Levantam-se cedo porque têm muito que fazer e deitam-se cedo porque tem muito pouco que pensar” Oscar Wilde

A noticia de um novo livro de José Rentes de Carvalho é sempre um acontecimento, para todos os que vão seguindo a mais do que justa, se bem que espantosamente tardia, decisão de publicar a sua obra entre nós. Logo que o soube por intermédio do blogue “Tempo Contado”, que aliás sigo diariamente, corri a uma superfície comercial da especialidade que tinha o livro “em sistema”, mas não nas prateleiras. Sinais dos tempos. A informação anda claramente à frente da logística. Mas a coisa resolveu-se de um dia para o outro, e não é desses meus contratempos com livrarias e livreiros que aqui se trata. É de mais um enorme livro de Rentes de Carvalho, que uma vez mais retrata com uma profundidade ímpar um universo que é mestre a descrever. Neste “O Rebate”, regressamos à aldeia enquanto universo de vidas, paixões e desamores. O regresso à terra de um seu filho que alcançou sucesso emigrado em França e a sua prodigalidade a par do efeito que a sua companheira causa nas gentes locais, vão catalisar uma série de pequenos efeitos de uma teia, que apoiada em grandes personagens, nos dá a medida de uma realidade que subsiste ainda. É um grande livro uma vez mais, que nos apresenta uma galeria de gentes que se tornam reais diante dos nossos olhos. Rentes de Carvalho tem essa espantosa capacidade de nos oferecer um cenário que resulta mais autêntico do que se o vivêssemos nós próprios. Oferece-nos um olhar que vai muito para além da superfície, desenhando sítios e personagens que sempre lá estiveram, e pelas quais já muitos de nós passaram sem as verem. É já o sétimo livro de J. Rentes de Carvalho que tenho o privilégio de ler. Com um extra, é dedicado a um nosso concidadão Vimaranense, Joaquim Novais Teixeira, a quem também, com merecidíssima justiça vai sendo recuperada a memória e a homenagem que falta. Para quem é já um “viciado” em tudo o que J. Rentes de Carvalho escreve, só posso, porque o faço com convicção total, recomendar… sem o mínimo rebate de consciência. Obrigado Mestre por mais algumas horas de grande leitura! Aproveitem também e… Boas Leituras! J

Na Mesinha De Cabeceira:

Kyoto de Yasunary Kawabata (Dom Quixote)
Rever Portugal de Jorge de Sena (Guimarães)
Uma Mentira Mil Vezes Repetida de Manuel Jorge Marmelo (Quetzal)
O Ano do Dilúvio de Margaret Atwood (Bertrand)
O Príncipe da Neblina de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)
Furacão de Laurent Gaudé (Porto Editora)
O Declinio da Mentira/A Alma do Homem e o Socialismo de Oscar Wilde (Relógio d´àgua)  

1 comentário:

Fernando Lopes disse...

Estás a ficar um mestre nestas análises. To the point, sem rodriguinhos, uma belíssima prosa, sobre este não menos belo livro, que me pareceu um fresco sobre o atavismo português.