O Rebate de J. Rentes de Carvalho (Quetzal)
“Não podem fazer ideia da vida que eles levam, ali. Uma vida rural simples
e dura. Levantam-se cedo porque têm muito que fazer e deitam-se cedo porque tem
muito pouco que pensar” Oscar Wilde
A noticia de um novo livro de José Rentes de Carvalho é sempre um
acontecimento, para todos os que vão seguindo a mais do que justa, se bem que
espantosamente tardia, decisão de publicar a sua obra entre nós. Logo que o
soube por intermédio do blogue “Tempo Contado”, que aliás sigo diariamente,
corri a uma superfície comercial da especialidade que tinha o livro “em
sistema”, mas não nas prateleiras. Sinais dos tempos. A informação anda
claramente à frente da logística. Mas a coisa resolveu-se de um dia para o
outro, e não é desses meus contratempos com livrarias e livreiros que aqui se
trata. É de mais um enorme livro de Rentes de Carvalho, que uma vez mais
retrata com uma profundidade ímpar um universo que é mestre a descrever. Neste
“O Rebate”, regressamos à aldeia enquanto universo de vidas, paixões e
desamores. O regresso à terra de um seu filho que alcançou sucesso emigrado em
França e a sua prodigalidade a par do efeito que a sua companheira causa nas
gentes locais, vão catalisar uma série de pequenos efeitos de uma teia, que
apoiada em grandes personagens, nos dá a medida de uma realidade que subsiste
ainda. É um grande livro uma vez mais, que nos apresenta uma galeria de gentes
que se tornam reais diante dos nossos olhos. Rentes de Carvalho tem essa
espantosa capacidade de nos oferecer um cenário que resulta mais autêntico do
que se o vivêssemos nós próprios. Oferece-nos um olhar que vai muito para além
da superfície, desenhando sítios e personagens que sempre lá estiveram, e pelas
quais já muitos de nós passaram sem as verem. É já o sétimo livro de J. Rentes
de Carvalho que tenho o privilégio de ler. Com um extra, é dedicado a um nosso
concidadão Vimaranense, Joaquim Novais Teixeira, a quem também, com
merecidíssima justiça vai sendo recuperada a memória e a homenagem que falta.
Para quem é já um “viciado” em tudo o que J. Rentes de Carvalho escreve, só
posso, porque o faço com convicção total, recomendar… sem o mínimo rebate de
consciência. Obrigado Mestre por mais algumas horas de grande leitura!
Aproveitem também e… Boas Leituras! J
Na Mesinha De Cabeceira:
Kyoto de Yasunary Kawabata (Dom Quixote)
Rever Portugal de Jorge de Sena (Guimarães)
Uma Mentira Mil Vezes Repetida de Manuel Jorge Marmelo
(Quetzal)
O Ano do
Dilúvio de Margaret Atwood (Bertrand)
O Príncipe
da Neblina de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)
Furacão
de Laurent Gaudé (Porto Editora)
O Declinio da Mentira/A
Alma do Homem e o Socialismo de Oscar Wilde (Relógio d´àgua)
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