quarta-feira, 30 de maio de 2012

O Príncipe da Neblina de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)


“O fantástico não está fora do real, mas no sítio do real que de tão visível não se vê” Vergílio Ferreira
Em boa hora encontrei Carlos Ruiz Zafón, já amplamente recomendado por amigos e conhecidos, tardei no entanto algum tempo a ler pela primeira vez uma sua obra. Já dela aqui falei e foi “A Sombra do Vento”, romance que me impressionou profundamente. Carlos Ruiz Zafón é um natural construtor de cenários de mistério e fantasia. Encadeia esse talento com a criação de histórias e ambientes que nos prendem a atenção. Nesse primeiro livro relembro esse lugar mítico que é o “Cemitério dos Livros Esquecidos” que acabou por se tornar uma imagem mental fortíssima para mim e quase um lugar real. Este livro que se sugere esta semana é diferente, e até pelas palavras que o autor empresta em 2007 a uma introdução a esta reedição da Editorial Planeta, se nota que é um livro que tem um lugar especifico no plano da sua obra. Se ajudar o autor diz que este é o ultimo livro que escreveu para ele, antes de começar a escrever para nós leitores. Não sei se se trata de uma obra de passagem para um outro patamar, mas para quem como eu gosta de avaliar o processo evolutivo da escrita dos seus autores favoritos, esta revela claramente uma inclinação para uma certa atmosfera de fantasia e de uma negritude nos cenários que se vem a repetir e que é também parte integrante do estilo muito particular deste autor. A história em si é quase como um conto, uma ficção que envolve a mudança de uma família para uma casa onde acontecera uma tragédia. É a partir da personagem do filho, Maximilian Carver que a trama se desenrola, num crescendo de suspense, como num filme de Hitchcock, até ao desenlace. É um livro que agarra o leitor desde as primeiras páginas. E esse é para mim, um dos melhores atributos que uma obra para quem lê por prazer pode oferecer. Nem sempre a boa literatura é fácil ou imediata, mas quase sempre quem torna fácil e imediato o difícil faz boas obras. Para mim, como já o venho aqui repetindo ao longo das semanas, a boa escrita é sobretudo a forma. É uma opinião naturalmente contestável e que não aplico universalmente, mas que aqui faz sentido. Mas, como sempre, mais do acreditar nas minhas palavras, o melhor é mesmo ler, nem que seja para discordar. O que também acontece com frequência. 
Boa Semana e… Boas Leituras! J
Na Mesinha De Cabeceira:
Kyoto de Yasunary Kawabata (Dom Quixote)
Rever Portugal de Jorge de Sena (Guimarães)

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