terça-feira, 26 de junho de 2012

JONATHAN STRANGE & O SR. NORRELL de Susanna Clarke (Casa das Letras)


“Só a fantasia permanece sempre jovem; o que nunca aconteceu nunca envelhece” Friedrich Schiller

Numa fase mais complicada para as minhas leituras atuais, que, valha a verdade estão a concorrer com um momento profissional muito preenchido, a única forma de continuar a minha microscópica batalha pela leitura é a de me socorrer de leituras mais antigas. É o caso deste livro singular que durante muito tempo me deixou uma impressão intensa. É um livro de 2004 e foi a primeira obra publicada por Susanna Clarke (de quem aliás não li mais nada para ser honesto). Mas esta obra é mesmo assim única, no sentido de lhe pertencer uma forma e um estilo muito próprio. A ideia de base do livro, que nos remete para o século XIX em Inglaterra é de que a magia sempre teria existido no Reino Unido, até que simplesmente se extinguiu por nela se ter deixado de acreditar. É aí que surgem em cena as personagens principais deste livro, Gilbert Norrel e Jonatan Strange que vão tentar recuperar a magia. Pode, em teoria parecer mais um enredo dos que agora enxameiam as livrarias que versam de universos místicos, mundos paralelos ou perdidos e novas mitologias revistas e aumentadas. Não é de todo a impressão que me deixou. É um livro intenso, bem localizado no tempo, com grandes personagens e que nos dá uma visão complexa sobre a Inglaterra dos século XIX, com as suas características identitárias próprias, buscando até na essência identificar uma certa “anglicidade” como base social. Identifica diferentes tipos de pessoas pelo seu enquadramento social mas mais até pela sua dispersão geográfica. Em resumo, é um livro que nos oferece um ambiente que envolve magia, mágicos, ambientes assombrados, mas que nos deixa sempre uma vontade real de continuar a ler. Recomendo sem qualquer hesitação, quer seja este o vosso ambiente de leitura ou não. Os bons livros não tem um rótulo único. E este é completamente de prescrição generalizada. Espero poder voltar dentro de um par de semanas a sugerir obras mais atuais, no entanto, e não é só para me justificar, este livro tanto poderia ser escrito há um século como na semana passada que não lhe retiraria qualquer virtude. Aproveitem. Boa Semana e… Melhores Leituras! J

Na Mesinha De Cabeceira:
Kyoto de Yasunary Kawabata (Dom Quixote)
Rever Portugal de Jorge de Sena (Guimarães)


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