quarta-feira, 20 de junho de 2012

SANTA LIBERDADE de Miguel Bayón (Edições ASA)


“Só é digno da liberdade, como da vida, aquele que se empenha em conquistá-la” Goethe

Este livro já o li há algum tempo, (esta 1ª edição que possuo é de 2000) no entanto, nas voltas que dou habitualmente pela minha estante voltou-me às mãos e de imediato me pareceu uma injustiça ou pelo menos uma desatenção nunca aqui o ter sugerido. A história, aqui com H maiúsculo, é verdadeira, e para grande estranheza minha não é um episódio que a Democracia tenha celebrado e acarinhado como devia. Até o facto de o autor não ser português me gera uma certa surpresa também. Miguel Bayón é espanhol e toma este tema como seu, no que, também se deve dizer, nos presta a todos um belíssimo serviço. Na minha geração (os nascidos nos anos 60) o nome de Henrique Galvão ainda vai dizendo alguma coisa aos mais politizados, mas estou em crer que para as gerações que atualmente se sentam nos bancos das escolas em Portugal pouco ou nada significará. E é pena. É provavelmente uma daquelas personagens reais “larger than life”, um dos poucos portugueses com um percurso de vida recheado de suficientes episódios para o transformar num herói romântico. Provavelmente a história não lhe perdoará o ter participado no 28 de Maio de 1926 enquanto fervoroso apoiante de Salazar, facto que toda a sua posterior luta contra esse mesmo regime ( e sobretudo a forma como o fez ) o deveria ter posto num patamar superior. Mas isto são suposições minhas. Henrique Galvão e o aqui retratado de uma forma superior neste livro de Miguel Bayón, “Assalto ao Santa Maria”, seria sempre um dos momentos mais altos da vida de qualquer aventureiro e lutador pela liberdade. Do episódio histórico, dos preparativos até à tomada do paquete com mais de 1000 passageiros a bordo e do seu desvio, até ao desenlace, deixarei que o livro fale. Até porque o faz muito bem, num registo literário excelente. Mas há, e aqui o autor que me perdoe, factos que são maiores do que a sua descrição por melhor que seja, e este acto de loucura ou bravata, é o que mais me importa que não seja esquecido. E se a Miguel Bayón devemos mais este contributo, talvez não fosse mau que lhe pagássemos o devido preço lendo este magnifico livro construído sobre um emblema universal da luta pela liberdade. É o mínimo. Boa Semana e… Melhores Leituras! J
Na Mesinha De Cabeceira:
Kyoto de Yasunary Kawabata (Dom Quixote)
Rever Portugal de Jorge de Sena (Guimarães)


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