quarta-feira, 24 de outubro de 2012

PULP de Charles Bukowski (ALFAGUARA)


"O fim louva a vida e a noite o dia." Petrarca

Mais um presente de Amigos queridos, e neste caso fornecedores de grandes e boas sugestões de leitura também. Charles Bukowski é um autor incontornável do Século XX, e provavelmente um dos americanos mais conhecidos e influentes. No entanto, é também um caso em que o autor é ele próprio tão ou mais visível que a própria obra. É conhecida a carreira literária de Bukowski, mas neste como em alguns casos, a vida do autor determina bastante o resultado dos seus escritos. Charles Bukowski tem uma relação problemática com o álcool desde cedo, e vive sempre à margem dos meios literários, (d)escrevendo sempre a sociedade pelas suas margens. Este “Pulp” é o seu último romance, de uma obra literária que foi sempre de alguma forma assumidamente autobiográfica. Talvez conheçam melhor Bukowski pela sua obra poética, talvez a mais influente da América do Século XX, mas não deixarão com certeza de reconhecer outras, como é o caso de, por exemplo “Hollywood”, um livro que lhe foi pedido que escrevesse acerca de si para constituir um guião de um filme. O filme, como decerto muito reconhecerão é o “Barfly” de 1987, com Mickey Rourke e Faye Dunaway, onde Rourke interpreta o mais famoso alter ego de Bukowski, Henri Chinaski. Neste seu ultimo livro, Bukowski não deixa cair um registo de extrema mordacidade com a sua, nesta obra, personagem o detetive privado Nick Belane. A presença constante da sua cliente a Senhora Morte, a busca do “Pardal Vermelho” e a forma como termina o livro, podem de facto ter ou ser imensas leituras do carácter pessoal do autor e do drama pessoal que o afligia na altura da escrita. Mas, como aqui venho sistematicamente repetindo, melhor do que conhecer o autor e interpretar a obra à luz do que dele sabemos, é sempre mais gratificante e dá uma maior liberdade de fruição, se nos deitarmos à leitura sem ideias preconcebidas. E este livro, que tem um estilo muito próprio, e que, também se encaixa numa determinada linha de escrita policial, é muito bom e fácil de ler. Guardo mais Bukowski para um futuro próximo. Entretanto, não percam este. Vale a pena…  Boa semana e … Melhores Leituras! J

Na Mesinha De Cabeceira:
REVER PORTUGAL de Jorge de Sena (Guimarães)
UM APARTAMENTO EM ATENAS de Glenway Wescott (Relógio d´Agua)
VIVER PARA CONTÁ-LA de Gabriel Garcia Marquez (Dom Quixote)
ATÉ AO FIM 1944-1945 de Ian Kershaw (D. Quixote)
OS COMBOIOS VÃO PARA O PURGATÓRIO de Hernán Rivera Letelier (Ulisseia)
MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier(Quetzal)



Três entradas...




sexta-feira, 12 de outubro de 2012

MAZAGRAN de J. Rentes de Carvalho (QUETZAL)


"A diferença entre as recordações falsas e as verdadeiras é a mesma que existe entre as jóias: são sempre as falsas que parecem mais reais, mais brilhantes." Salvador Dalí


Novo livro de José Rentes de Carvalho. Excelente notícia para quem, como eu, espera ansiosamente cada nova publicação. Desta vez com um ingrediente adicional. O livro deu às livrarias no passado dia 4 de Outubro, estava eu na mais completa ignorância do facto. Como “groupie” devo de facto ser dos menos competentes. J .Ora o que se passa é que, leitor habitual e compulsivo do blogue de Rentes de Carvalho, “Tempo Contado”, era por aí, que normalmente sabia dos lançamentos de novas obras. Como infelizmente o autor resolveu fazer uma pausa nas publicações do blogue, fui apanhado de surpresa. E que surpresa. Não é que, no passado dia 4 de Outubro, que por superior coincidência foi também o dia do meu aniversário, e a minha querida comadre ultrapassou a minha indesculpável ignorância do lançamento, presenteando-me com o livro, fresquíssimo, a sair das livrarias? Amigos são estes, os que nos conhecem os gostos e antecipam vontades. Voltando à obra, só posso ser o mais redundante e repetitivo possível nesta matéria. José Rentes de Carvalho é um autor de leitura obrigatória. Junta nas doses certas a forma e o conteúdo. Não me cansarei de repetir o extraordinário talento que Rentes de Carvalho tem para escrutinar gentes e situações. Para onde nós olhamos e encontramos o banal, Rentes de Carvalho vê o extraordinário. Encontra a verdadeira essência do que nós somos e pomos nas mais diversas situações da vida. Num registo que procura sempre uma verdade de consciência, onde se nota sempre caracter e nunca indiferença, J. Rentes de Carvalho, está nos antípodas de uma enorme manada de gente que escreve, e, a quem espantosamente lhes publicam os livros. Que me desculpem se não concordarem, mas há de facto de entre aqueles a que chamo “autores portugueses vivos”, uma percentagem assinalável que complica o que escreve a pontos de já nada nos conseguir transmitir. É arte, argumentarão uns. E a arte não se explica nem tem que necessariamente conter uma mensagem. Já para mim, são apenas artistas. Escritores…isso é outro assunto. Obrigado Mestre Rentes, por mais umas horas de magnífica leitura. Não percam, que neste caso perdem mesmo muito….

…  Boa semana e … Melhores Leituras! J

Na Mesinha De Cabeceira:
REVER PORTUGAL de Jorge de Sena (Guimarães)

Recomendações e empréstimo!!!



Pela mão do Miguel Bastos, fonte de muitas e boas recomendações de leitura!!!!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O FANTASMA DE HARLOT de Norman Mailer (ASA)


"Não há nada em que paire tanta sedução e maldição como num segredo" Soren Kierkegaard



A sugestão desta semana é um livro especial. Em primeiro lugar pela importância do autor, Norman Mailer, a par de Tom Wolfe (de quem aqui já sugeri algumas obras) e de Truman Capote como um dos fundadores da não-ficção criativa ou Novo Jornalismo. Duas vezes galardoado com o Premio Pulitzer, tem uma extensa e notável obra. Em segundo lugar pela temática à qual regressarei de seguida. E em terceiro lugar porque é um livro, que na edição que possuo, das Edições Asa, tem mais de 1400 páginas. A história tem como tema e pano de fundo central, uma outra Central, a CIA (Central Intelligence Agency). É uma história que percorre de forma intima todos os corredores, segredos e vicissitudes da maior agência secreta do mundo. Partindo da visão de um homem e de uma morte (ou desaparecimento) da personagem que dá o nome ao romance Hugh “Harlot” Montague, este livro entra de forma absolutamente detalhada na teia de relações que montam essa estrutura que, de certa forma, pelo menos no que se retira desta leitura, faz coincidir a criação com o criador. Melhor dizendo, chega-se a intuir que a CIA é uma forma não completamente percetível da própria noção do Estado Americano. É o único livro que li até hoje de Norman Mailer. Sei mais dele pela polémica opinião que dele tem Tom Wolfe, num dos artigos do seu, já nesta coluna mencionado e sugerido “Hooking Up” de 2000, do que propriamente pela obra publicada. Não é uma entrada fácil no universo literário de Mailer, mas quero crer que o estilo se mantém nas demais obras. Para quem gosta de ter um livro de longo alcance, no tema, na ação e neste caso no tempo também, é a leitura indicada. Recomendo vivamente! Aproveito esta edição da “Estante” para revelar que já a partir das próximas edições, esta coluna vai ser patrocinada pela FNAC, o que, constitui para mim um grande motivo de orgulho e uma responsabilidade acrescida também. Reafirmo no entanto o propósito inicial, que é o de sugerir, e sugerir apenas, leituras que de uma forma ou de outra me agradaram. Não faço crítica literária, ou se quiserem, faço-a no sentido em que, do que não gosto não falo. Para falar do que não gostam parece-me a mim que já os há bastantes…  Boa semana e … Melhores Leituras! J

Na Mesinha De Cabeceira:
REVER PORTUGAL de Jorge de Sena (Guimarães)

O CONDE DE MONTECRISTO de Alexandre Dumas


"A vingança é o manjar mais delicioso, condimentado no Inferno" Walter Scott


Percorrendo a lista de livros que por aqui vou sugerindo e olhando para a estante, a estante de facto aqui de casa, assinalo uma outra falha que merece correção imediata. Obrigado que sou, por motivos pessoais e profissionais a uma certa “desaceleração” na minha velocidade de leitura habitual, não quero no entanto deixar de ir sugerindo leituras, que como esta de hoje, são intemporais, e acrescento, de aposta completamente segura. A única dificuldade que se me afigura aqui será no entanto a de encontrar quem nunca tenha lido “O Conde de Montecristo”. É uma obra absolutamente magistral, um clássico a todos os títulos. Ainda conservo os três volumes de uma edição do Circulo de Leitores dos anos oitenta que já por várias vezes reli. É o romance onde impera por excelência o desejo de vingança. A reviravolta do destino que permite ao pobre injustiçado aceder a riquezas fabulosas que lhe dão os meios necessários para corrigir e reparar todas as maquinações que contra ele tinham sido perpetradas. Edmond Dantés, o mais que famoso protagonista é falsamente acusado e preso no Castelo de If, do qual se evade numa das mais famosas fugas literárias da prisão de todos os livros, para encontrar um tesouro de proporções inimagináveis que lhe vai proporcionar a queda de todos os que o haviam prejudicado. Sendo como para mim foi, e suponho que para muitos também, um romance típico de aventura, e que li na adolescência, não tenho no entanto qualquer pejo em recomendar a sua leitura a quem, eventualmente o não tenha feito. Este é um dos casos em que quaisquer obras de cinema e televisão que adaptaram este livro, nunca (apesar de não as ter decerto visto todas), nunca fizeram completa justiça à belíssima e poderosa obra de Alexandre Dumas. Recomendo com toda a convicção. Se há livros que propagam, disseminam e contaminam o leitor com o vírus da leitura compulsiva, este será com toda a certeza uma das estirpes mais resistentes, no tempo e em qualidade dessa magnifica doença. É uma das pedras basilares da leitura no que a mim me diz respeito, por isso é com imenso prazer que aqui o venho relembrar e sugerir. Vão pensando neste livro como uma das mais válidas opções para oferta, a vós próprios ou a gente de quem gostem. Voltarei na próxima semana a sugerir coisas, ia dizer mais atuais, mas a natureza humana descrita n´”O Conde de Montecristo” é a de sempre, pelo que melhor dizendo, voltarei na próxima semana a recomendar leituras de edição mais recente.

Boa semana e … Melhores Leituras! J

Na Mesinha De Cabeceira:
REVER PORTUGAL de Jorge de Sena (Guimarães)


PERRY MASON O CASO DAS GARRAS DE VELUDO de Erle Stanley Gardner (Edições ASA)


"A confiança é a mãe dos grandes actos." Friedrich Schiller


Seguindo uma linha de alguma coerência com os propósitos que ditaram a ideia original desta coluna. A sugestão ( e, ressalvo uma vez mais que se trata apenas de sugestões de livros e não de critica ou de análise literária ) de livros que vou lendo ou relendo, ou, que também por conselho de amigos e conhecidos me vão chegando, gostava de deixar aqui mais esta indicação de leitura da obra de Erle Stanley Gardner. Já o fiz e com toda a certeza o voltarei a fazer. Esta semana, a este propósito, trago a primeira obra deste autor e onde surge o celebérrimo Perry Mason pela primeira vez num romance. A sugestão em si é mais emblemática e simbólica, por se tratar de uma obra em que se abre um caminho e se cria um nome que ficará como uma das marcas indeléveis da literatura policial do Séc. XX, do que pelo livro e pela história em si. Não se fique no entanto com a sensação que é uma obra sem interesse ou menor. Não. É um livro que caracteriza uma forma de escrever policiais e que tem o seu lugar nessa escola de escrita, onde se nota já muito do que virá a ser o universo literário de Perry Mason que ao longo de décadas e dezenas de volumes criou uma mitologia policiária particular. Este livro é de 1933, o que o torna, depois de lido uma obra absolutamente intemporal. Versa como todos os bons policiais de crime e engano e Erle Stanley Gardner monta aqui um primeiro cenário de voltas e reviravoltas na ação que se tornarão a sua marca distintiva na obra que se lhe seguirá. Surge também aqui desde logo as personagens chave Della Street e Paul Drake que acompanharão Mason pela totalidade da obra. Vou nos próximos tempos, e porque o ambiente geral me parece propô-lo com alguma propriedade e atualidade tentar indicar obras de escritores e pensadores portugueses que tenham refletido sobre Portugal enquanto nação. Assim, estarei nos próximos tempos em leitura da obra de Jorge de Sena que consta abaixo na “mesinha de cabeceira” da qual vos darei conta mal a termine. Aproveito também em jeito final para deixar aqui noticia que uma grande surpresa está reservada para esta coluna e da qual aqui também farei eco logo que tenha a devida confirmação. Esperando sempre depositar uma pequena semente que leve ao desejo de ler despeço-me com Votos de Bom fim de semana e… Melhores Leituras! J


Na Mesinha De Cabeceira:
REVER PORTUGAL de Jorge de Sena (Guimarães)