quarta-feira, 6 de março de 2013

GLAMORAMA de Bret Easton Elis (Teorema)


“Todos vêem o que pareces, poucos percebem o que és.” Nicolau Maquiavel


Enquanto várias leituras de volume e densidade altas não terminam e me libertam para as respectivas sugestões, tenho que me socorrer de leituras mais antigas para continuar o meu pequeno propósito de “evangelização literária” J. Ironias à parte, devo fazer constar que o protocolo estabelecido entre o jornal e a Fnac, que me tem permitido escolher alguns bons livros, tem também contribuído para que o meu atraso em relação às obras que se vão acumulando na “mesinha de cabeceira” se acentue. Há claramente livros que se lêem com muita rapidez e outros cuja leitura nos obriga a outro ritmo e a outro empenho. É o caso. Estou presentemente a ler Thomas Pynchon e David Foster Wallace (e diz-se que este é uma espécie de discípulo daquele) o que, para quem conhece o fôlego das respectivas obras, de certa forma me desculpa de não trazer, desta vez, nada de “fresco”. Ainda assim, fazendo uma busca pelas minhas leituras anteriores e querendo sempre sugerir algo que possa ser apreciado, volto a um dos meus autores de eleição que é Bret Easton Elis, famoso por obras como “American Psycho”, “Menos que zero” e “Quartos Imperiais” estes dois últimos dos quais já aqui falei em anteriores sugestões. Para quem goste dos universos distópicos e da descrição da vacuidade das sociedades modernas, Elis é um mestre, é o típico escritor que representa bem a  Geração X abordando a vida das sociedades urbanas (de algumas elites, mais precisamente) recorrendo à criação de personagens que são a verdadeira essência dos quadros literários que vem desenhando. Este “Glamorama” vem a ser uma descrição da decadente moderna cultura da celebridade mais um menos instantânea e da gratuitidade do meio que a envolve. É um retrato de autor de um mundo que faz da aparência a essência. Todo o livro se desenrola à volta de uma franja da sociedade que vive num mundo de intensa voracidade consumista e da obsessão da auto-imagem perfeita. É assim, que, num ambiente paralelo onde surgem a cada páginas nomes de celebridades reais se constrói um thriller com um grupo de modelos (de moda sim) que é simultaneamente um grupo terrorista. Quem conhece Bret Easton Elis, sabe que a sua escrita é não-linear, mas é poderosa, e consegue infalivelmente descrever realidades muitas vezes simplesmente divertidas, outras tantas, profundamente incómodas. Não creio que seja a obra ideal para entrar na leitura deste autor, para isso sugeriria “Menos Que Zero” , o seu primeiro sucesso, mas para quem já leu alguma coisa e ainda não conhece esta, pareceu-me uma boa sugestão. Boa Semana e Boas Leituras!!! J

Na Mesinha De Cabeceira:
PENA CAPITAL de Robert Wilson (D. Quixote)
ATÉ AO FIM 1944-1945 de Ian Kershaw (D. Quixote)
MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier(Quetzal)
A FABULA de William Faulkner (Casa das Letras)
A PIADA INFINITA de David Foster Wallace (Quetzal)
ARCO-IRIS DA GRAVIDADE  de Thomas Pynchon (Bertrand)
PELA ESTRADA FORA (O ROLO ORIGINAL) de Jack Kerouac (Relógio d´Água)
 A DIVINA COMÉDIA de Dante Alighieri (Quetzal)
A CONSCIÊNCIA E O ROMANCE de David Lodge (ASA)
UM HOMEM DE PARTES de David Lodge (ASA)
ENGANO de Philip Roth (D. Quixote)
NADAR PARA CASA de Deborah Levy (D. Quixote)


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