terça-feira, 19 de março de 2013

NADAR PARA CASA de Deborah Levy (D. Quixote)


“A realidade é apenas uma ilusão, ainda que muito persistente.” Albert Einstein

Este livro de Deborah Levy é uma belíssima indicação que me foi dada na Fnac em Guimarães. Não conhecia nem titulo nem autora. Daí que, ao saber que o livro esteve na shortlist para o Man Booker Prize 2012, tenha feito alguma pesquisa. O que mais me surpreendeu, não foram as referências que encontrei a esta autora. Foi um certo desencanto pela escolha do júri do referido prémio em 2012. O Man Booker foi atribuído a Hilary Mantel pelo romance histórico “Bring Up The Bodies”, o que torna esta autora a única a ter recebido este prémio por duas vezes. O que me chamou realmente a atenção, e é um tema que é recorrente quando enquadrado neste universo dos galardões literários é o de saber se os prémios devem ser atribuídos somente pelo mérito ou se na respectiva escolha e análise dos candidatos, deve ser levado em conta o efeito que o prémio tem a vários níveis. Um, a projecção da obra e do vencedor, o que é mais ou menos óbvio, e por aqui, claro que a reincidência na entrega a um mesmo autor diluiu o efeito de difusão/promoção da leitura. Assim, ao atribuir o mesmo prémio duas vezes a um mesmo autor, independentemente do mérito, estaríamos sempre a deixar de ajudar outros autores a ficarem por baixo dos holofotes dos leitores. É uma posição que só em parte subscrevo. Um prémio, por natureza deve ser dado aos melhores, ainda que isso seja impeditivo do aparecimento de outros autores que pelos mais variados motivos não consigam a projecção que merecem. O sucesso no mundo editorial é algo que me escapa. De verdade. Tenho lido coisas magnificas perfeitamente desconhecidas do grande público, assim como, devo reconhecê-lo, nem sempre a categoria de best seller é inversamente proporcional à qualidade literária. Deixando estes considerandos para outros espaços, e voltando ao que aqui realmente importa, que é a promoção da leitura, devo dizer que este “Nadar para Casa” me surpreendeu muito positivamente. É uma obra fresca, bem composta, com personagens muitíssimo interessantes e que, um pormenor que aprecio bastante, remete para o nosso próprio universo, fazendo com que sejamos forçados a fazer pontes entre a ficção descrita e a nossa própria realidade. Katt (Ket) Finch é uma personagem que vive ao nosso lado, todos os dias, e à qual que só muito raramente damos a oportunidade de se revelar tal como é. Gostei muito. Recomendo e a exemplo do que tenho feito com outros, também Deborah Levy entra para a minha “shortlist” de autores a explorar. Boa Semana e Boas Leituras!!! J

Na Mesinha De Cabeceira:
PENA CAPITAL de Robert Wilson (D. Quixote)
ATÉ AO FIM 1944-1945 de Ian Kershaw (D. Quixote)
MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier(Quetzal)
A FABULA de William Faulkner (Casa das Letras)
A PIADA INFINITA de David Foster Wallace (Quetzal)
ARCO-IRIS DA GRAVIDADE  de Thomas Pynchon (Bertrand)
PELA ESTRADA FORA (O ROLO ORIGINAL) de Jack Kerouac (Relógio d´Água)
 A DIVINA COMÉDIA de Dante Alighieri (Quetzal)
A CONSCIÊNCIA E O ROMANCE de David Lodge (ASA)
UM HOMEM DE PARTES de David Lodge (ASA)


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