quarta-feira, 8 de maio de 2013

MENTIRAS & DIAMANTES de José Rentes de Carvalho (Sextante Editora)


“A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer” Mário Quintana


Novo livro de José Rentes de Carvalho. Um inédito. A juntar à republicação que a Quetzal vem fazendo da obra deste incomparável escritor. Sei que o mais provável é que me repita. Tenho lido tudo o que por cá se tem publicado de José Rentes de Carvalho. Infelizmente, o neerlandês não consta do meu cardápio de línguas. Mas é bom repisar o facto de que esta obra magnifica, esteve ao alcance dos privilegiados habitantes dos Países Baixos, durante décadas e por cá, coberta por um injusto manto de indiferença. Não deixa de ser um dos sinais da forma como o mercado editorial e livreiro se movimentou ao longo de muito tempo. Este livro, e estou a guardar a opinião mais para o final deste texto para que não seja por demais evidente o meu deslumbramento. Este livro, dizia, é uma delícia. Para mim, que já não passo, ou passo mal, sem a minha dose diária de Rentes de Carvalho, no seu blogue “Tempo Contado”, é um momento alto da escrita deste genial autor, que, tanto tempo nos empenhamos em ignorar. Continuo a manter o “Ernestina” no topo das minhas preferências. Talvez não haja amor como o primeiro. Ou não haja de facto uma segunda oportunidade para uma boa primeira impressão. Mas entra para o mesmo patamar. A história, que não consigo catalogar como, de amor, policial ou de costumes, será provavelmente tudo isto e muito mais, transporta-nos a um território em que o autor é ímpar. E esse território somos todos nós. As pessoas. José Rentes de Carvalho aplica um filtro especial à descrição que faz das suas personagens, transformando-as em pessoas reais, de carne e osso e que parecem cruzar-se connosco todos os dias. Com um ritmo absolutamente perfeito, com viagens dentro e fora das personagens, José Rentes de Carvalho, mostra como ninguém, a verdadeira matéria de que somos feitos. E não adianta sermos ricos ou pobres, condes ou plebeus, honestos ou desonestos, portugueses ou estrangeiros. Tudo é visto e mostrado sem pudores ou panos quentes. As gentes tal como elas são. De verdade. Viajamos ainda de facto, por vários sítios e países onde nunca a paisagem e as coisas nos são indiferentes. Do Algarve ao Douro, passando pelo Minho. Do Norte de Àfrica à Holanda.E de tudo se nos revela pelos olhos das personagens. José Rentes de Carvalho, produziu um grande romance. Em que uma só aparente facilidade de tom, nos pinta um quadro espantoso, cujo final fica convenientemente em aberto. Também aí a não deixar morrer a história, que estou certo viverá em nós leitores por muito e bom tempo. É um daqueles livros que não se quer terminar. Um daqueles livros, que, como uma boa refeição, nos deixa com a sensação de que também nós gostaríamos de saber cozinhar. Enfim, um verdadeiro diamante na minha Estante, e isso, meus amigos, não é mentira nenhuma. Fico, como sempre, desejoso de mais. Excelente e absolutamente imperdível.   
 Boa Semana e Boas Leituras!!!

Na Mesinha De Cabeceira:
MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier(Quetzal)
ARCO-IRIS DA GRAVIDADE  de Thomas Pynchon (Bertrand)
A CONSCIÊNCIA E O ROMANCE de David Lodge (ASA)
UM HOMEM DE PARTES de David Lodge (ASA)
C de Tom McCarthy (Editorial Presença)
A QUESTÃO FINKLER de Howard Jacobson (Porto Editora)
COMO É LINDA A PUTA DA VIDA de Miguel Esteves Cardoso (Porto Editora)
A LUZ É MAIS ANTIGA QUE O AMOR de Ricardo Menéndez Salmón (Assírio & Alvim)
A POLAQUINHA de Dalton Trevisan (Relógio d´Água)

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